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Doença Granulomatosa Crónica em Idade Pediátrica Apresentações distintas de uma mesma entidade: casos clínicos
I.Farinha 1, C. Cancelinha2, N. Neves2, A. Brett1, S. Lemos1, E. Faria1 1.Consulta de Imunodeficiências Primárias – Hospital Pediátrico de Coimbra, Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, Coimbra, Portugal 2.Serviço Pediatria Médica – Hospital Pediátrico de Coimbra, Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, Coimbra, Portugal
INTRODUÇÃO A Doença Granulomatosa Crónica (DGC) é uma imunodeficiência primária: • Rara – incidência 1/200000 a 1/250000; • Geneticamente determinada (defeito no complexo NADPH); - > 2/3 ligada ao cromossoma X – predomínio do sexo masculino • Caraterizada pela incapacidade das células fagocitárias produzirem radicais livres de oxigénio; • Apresentada clinicamente por infeções graves e recorrentes (Bactérias catalase-positivas – Serratia Marcenses, Staphylococcus aureus, Burkholderia cepacia, Nocardia; e Fungos – Aspergillus, Alternaria) e pela formação de granulomas;
CASOS CLÍNICOS – DGC ligada ao X ❶ Momento do diagnóstico Capacidade PMA Oxidativa (N 84%) dos Neutrófilos E.Coli (Burst Test) (N 82%) Mutação Identificada
Manifestações Clínicas
❷
9 Anos Pré – Natal
13 Anos
Pós - Neonatal
(mutação às 14 semanas)
❸
5 Anos Neonatal
(CON diminuída no cordão)
0%
16%
10%
0%
35%
34%
Heterozigotia: c. 2T>A, p.Met1Lys no codão start do gene CYBB
Hemizigotia: c.252G>A, p.Ala84Ala no exão 3 do gene CYBB
▪ Anemia crónica; ▪ Adenites de repetição; ▪ Pancolite ligeira com distribuição focal e granulomas epitelióides “Crohn-like”.
▪ Osteomielite a Serratia marcescens (3 meses); ▪ Adenite do BCG; ▪ Abcessos Hepáticos e Esplénicos; ▪ Lesão Granulomatosa Cutânea.
Homozigotia: c.252G>A, p.Ala84Ala no exão 3 do gene CYBB ▪ Adenites cervicais recorrentes (Staphy. aureus).
Sob profilaxia diária com cotrimoxazol (5mg/Kg) e itraconazol (5mg/Kg)
DISCUSSÃO ▪
Os casos clínicos apresentados ilustram a ▪ heterogeneidade fenotípica na DCG.
▪
O diagnóstico precoce permitiu nos casos 1 e 3 o início imediato de profilaxia e o adequado ▪ controlo das intercorrências infeciosas; ▪ Os casos 2 e 3 (familiares) demonstram que apesar da mesma mutação podemos ter manifestações e evolução clínica distintas;
▪
O prognóstico da DGC melhorou significativamente nas últimas décadas, face ao diagnóstico precoce e à profilaxia infeciosa; Sobrevida média de pelo menos 40 anos;
A cura é, atualmente, obtida apenas pelo transplante de células hematopoiéticas.
Referências: Leiding JW, Holland SM. Chronic Granulomatous Disease. 2012 Aug 9 [Updated 2016 Feb 11]. In: Adam MP, Ardinger HH, Pagon RA, et al., editors. GeneReviews® [Internet]. Seattle (WA): University of Washington, Seattle; 1993-2020; UpToDate: Chronic granulomatous disease: Pathogenesis, clinical manifestations, and diagnosis; UpToDate: Chronic granulomatous disease: Treatment and prognosis. Holland, SM. Chronic Granulomatous Disease. Hematol Oncol Clin N Am 27 (2013) 89-99