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Cores no Papel

Cores no Papel

Ana Júlia Silva Oliveira Arthur Xavier Cardoso de Oliveira Fernanda Martins Silva Vinha Carvalho

Era uma vez, um mundo completamente feito de papel: não existia uma única coisa que não fosse dobrável, desenhável, recortável e amassável. Nesse mundo, as pessoas eram iguais. Possuíam a mesma cor, os mesmos olhos, a mesma boca. Todos foram criados com o mesmo molde, em folhas sulfites idênticas: eram todos pequenos bonecos de papel.

Certa vez, alguém diferente apareceu. Era um boneco também, mas tinha várias manchas de canetinha pelo corpo. Toda vez que ele saía nas ruas, as pessoas riam, apontavam e o olhavam estranho, por isso ele sempre escondia as manchinhas, para que ninguém pudesse atormenta-lo.

Tampar tudo aquilo não era fácil. O boneco tentou de tudo: o guache branco tinha uma tinta transparente demais, a borracha espalhou os traços de caneta, adesivos o machucavam e chamavam ainda mais a atenção.

No fim, o branquinho era o seu melhor amigo, mas o efeito só durava até que ele dormisse de noite, e no dia seguinte, todas as manchas estavam de volta.

Num dia muito frio, enquanto se arrumava para o trabalho, o boneco decidiu não passar corretivo. Naquela cidade estava sempre muito quente, então as pessoas nunca usavam roupas, mas dias como aquele faziam todos se esconderem atrás de várias camadas de agasalhos.

Aquela era, sem dúvidas, a melhor maneira de cobrir as manchinhas. Ele queria fazer aquilo todos os dias, mas sempre passava calor demais. Foi então que, enquanto andava pelas ruas, o sol ficou muito quente, e todos começaram a tirar as roupas. Ele esqueceu que não tinha passado branquinho, e tirou também.

Na mesma hora, todos começaram a olhar e dar risada:

! ! A A H H HA H A! !

O boneco ficou triste e saiu correndo para o mais longe que conseguia.

Foi assim que ele chegou numa parte da cidade onde nunca tinha ido, e encontrou uma loja de corretivos. Ele entrou lá para comprar um novo e se esconder, e percebeu que o vendedor também tinha manchas pelo corpo. Curioso, ele perguntou:

- Você não tem vergonha

ou medo do que os outros irão dizer?

E o vendedor respondeu: - Eu já fui como

você. Me escondia e tinha receio que os outros me vissem com as manchas, mas um dia percebi que existiam mais pessoas como eu, e que cada manchinha tem uma forma diferente e nos torna únicos. Quando você estiver pronto, também irá entender isso.

O boneco ficou pensativo. Aquilo era novo e diferente, mas ele se sentiu confortável, de alguma forma. Depois de comprar e passar o branquinho, ele foi pra casa e dormiu. Já era noite, e ele estava cansado de correr tanto.

No dia seguinte, antes de esconder suas manchas como sempre, ele parou em frente ao espelho e ficou se observando. Tentou se enxergar com carinho, e ver o que o homem na loja havia lhe dito.

Olhou a mancha vermelha em seu peito.

Ela parecia um coração.

Analisou a mancha laranja e amarela em seus ombros. Elas lembravam o sol e as outras estrelas.

Passou a mão sob a mancha verde em suas pernas, e riu ao perceber que ela era idêntica à uma linda plantinha.

A azul claro, a azul escura, a violeta e a rosa. Algumas se pareciam com animais, outras com objetos engraçados. Cada uma de suas manchinhas possuía uma forma, uma cor, passava uma sensação. O boneco pensou, pela primeira vez em sua vida, que gostava de todos aqueles traços de caneta. Eles eram bonitos... Não, bonitos não. Eles eram lindos! E faziam dele quem ele era.

Ele então, foi às ruas sem usar o corretivo de novo. Sem nada que cobrisse todos aqueles formatos maravilhosos que tinha em si. As pessoas olharam estranho, como sempre, riram até cansar. E então ficaram surpresas, porque ele não ligou nem um pouco. Ao contrário: se aproximou de quem ria. Mostrou o seu sol, suas estrelas, seus animais, e deixou todos de queixo caído. Era tudo realmente fantástico.

No outro dia, o boneco se levantou muito feliz. Olhou para o branquinho e o deixou de lado. Saiu correndo pela porta, para dar bom dia a todos, e então encontrou um colega com uma desenho no braço. Sempre via aquele vizinho, mas não sabia que ele tinha aquela mancha. Seu rosto se iluminou na mesma hora. .

Então, o amigo disse ao se aproximar: - Olha só! Essa marca parece uma aranha,

não? – E deu um sorriso enorme. O boneco sorriu junto: - Sim. Muito legal!

No final, todos, mesmo aqueles que riam, possuíam manchinhas em seus corpos. Ninguém nunca foi igual: todos disfarçavam, com medo do que iriam pensar. Cada pessoa era única a sua própria maneira, assim como o senhor na loja havia dito.

A partir deste dia, ninguém mais se escondeu. Todos eram diferentes, e por isso, todos eram aceitos. Diferentes, coloridos, e especiais.