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Juriti 50 anos Flipbook PDF

Livro Juriti 50 anos


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o o V O

i t i r u da J 1968

Em 30 de março de 1968, é criada em Massaranduba – SC, a Cooperativa Agrícola Mista Juriti Ltda.

“A história é algo que foi, que está sendo, que será, e vamos precisar dela no futuro. Ela ‘respira’ o tempo todo e nos transforma; é o pulsar permanente da própria vida”.

1969

Em 1969, a marca de arroz PRIMO, herdada na negociação das máquinas pela Cooperativa Juriti, alcançava a metrópole do Rio de Janeiro. Registrada a primeira safra da Cooper Juriti, com 29.100 sacas de arroz fornecidas pelos associados.

2018

Dia 23 de março, a CooperJuriti festejou seus primeiros 50 anos na cidade de Massaranduba – SC. A data jamais será esquecida e marcou o primeiro dia da contagem regressiva para os 100 anos, em 2068.

Conselho Editorial: Adailton Jancoswski Mizwa, Francisco Pawlak, Leila Estrowispi, Letícia Jaroczinski, Orlando Giovanella e Silvério Orzechowski. Pesquisa: Julmir Cecon e Leila Estrowispi Revisão: Comídia (Renato Tapado) Capa, editoração e projeto gráfico: Comídia (Teodoro de Souza Filho) Impressão e acabamento: Maxigráfica Fotos e imagens: Acervos Juriti e família Manke, Imagens extraídas da Internet, fotos de Julmir Cecon, Leila Estrowispi e Ricardo Tapado, Museu de Massaranduba. Contribuição: Paulo von Dokonal (Ocesc) Ficha catalográfica:

C388v Cecon, Julmir

O voo da Juriti / Julmir Cecon.-- 1.ed.-- Massaranduba, SC : Ediçao do autor, 2018. 180 p.: il. color.. 25 cm. ISBN 978-85-919368-1-6 Inclui bibliografias 1. Cooperativismo. 2. Justiça social. 3. História e cidadania. 4. Cooperjuriti. . I. Título.

CDD: Ed. 23 -- 334.098 Catalogação elaborada por Roseli A. Teixeira CRB 14/631

O Voo da Juriti

Conselho Editorial (e/d) Letícia Jaroczinski – Recepcionista e secretária-executiva Adailton Jancoswski Mizwa – Técnico em Agropecuária Silvério Orzechowski – Superintendente Orlando Giovanella – Presidente Leila Estrowispi – Gestora Social e de RH (coordenadora do projeto) Francisco Pawlak – Diretor Administrativo e Financeiro

JULMIR CECON

O VOO DA JURITI 1ª edição

Massaranduba - SC Edição do autor 2018

Indice

1. O Ninho

Algo bom, do nada! .................................................................. 32 O baluarte Silvério .................................................................. 40 Anne segura as pontas ............................................................ 42 E Irineu esperou! ..................................................................... 44 Na quentura do fogão .............................................................. 46 Legado de 120 anos .................................................................. 46 O tempo, suas invenções ........................................................50 O grande salto .......................................................................... 52

2. O Voo

J ou B? ....................................................................................... 59 A maior de todas as crises .......................................................61 A guinada .................................................................................. 63 A incorporação da Itajara .......................................................66 Completo, moderno e complexo ............................................ 67 A linha de produtos ..................................................................77 Área administrativa ................................................................80 Célula única: Gestão Social e RH ........................................... 84 Mulheres cooperativistas ....................................................... 94 Líderes .......................................................................................96

3. O Canto

O clarinete silencia ................................................................... 100 A praça acolhe seu herói ...........................................................103 Evolução técnica com amor .....................................................105 Se encanta, tudo se levanta......................................................109 A entrada de Orlando no comando .......................................... 111 Um planejamento magistral .....................................................112 A festa dos 50...............................................................................118 Perpetuar intenções .................................................................. 128 Aplauso da Ocesc .......................................................................129

4. Embriões

Desafiar o jovem......................................................................... 132 Atrás de respostas .....................................................................136 Jovem Aprendiz .......................................................................... 137 Escada interna ...........................................................................139 Valores que ultrapassam o tempo ........................................... 144 Antecipação de sobras .............................................................. 146 Política de preço aberto ............................................................ 147 Tudo isso? E a solidez? .............................................................. 149 Peixe e banana combinam? ...................................................... 152 Marcante ..................................................................................... 155

Conselhos de Administração nesses 50 anos ......................163 Conselhos Fiscais Juriti 1968 – 2018........................................ 167 Referências bibliográficas ........................................................ 175 O autor: Julmir Cecon ................................................................ 178

“A história é algo que foi, que está sendo, que será e vamos precisar dela no futuro. Ela respira o tempo todo e nos transforma; é o pulsar permanente da própria vida.” (Julmir Cecon)

11 Seu nome científico é Manilkara huberi. A planta pode variar de 30 a 50 metros de altura, e sua ocorrência é mais típica na Região Amazônica e em matas pluviais de terra firme. Raramente a maçaranduba vinga em várzeas pouco inundáveis. Produz anualmente moderada quantidade de sementes viáveis, prontamente disseminadas pela avifauna. Um quilo de sementes contém cerca de 2.800 unidades. A polpa de seu fruto é “carnosa” e adocicada, consumida especialmente por aves. Essas árvores fornecem madeira vermelho-escura, dura e homogênea, que se destaca por sua resistência à umidade.

De madeira rosada, a maçaranduba é de qualidade inegável, extremante resistente.

COOPERJURITI

A árvore de Massaranduba

12 COOPERJURITI

Massaranduba tem alma e magia

Imagem de Massaranduba, em maio de 1985.

Rodando pela SC–108, na região de Blumenau, logo que a densidade urbana desinfla, é muito fácil – aos que se intitulam sutis – sentir o ar puro inigualável e a infinita paz. Basta respirar profundamente três, quatro vezes, preferencialmente em silêncio e de forma pausada: avistam-se residências bem organizadas e abraçadas por denso verde, plantações de toda ordem, igrejas preservadas e comunidades agrícolas de Primeiro Mundo. A cada batida de pálpebras, um cartão-postal ao fundo. É o Caminho dos Príncipes, entre Blumenau e Massaranduba.

13 pelo prisma tecnológico e econômico. Contudo, há algo que chama a atenção: as pessoas dali preservam valores, sentimentos, vivências e costumes da vida comunitária, típicas do interior do

Imagem de Massaranduba, em 2018.

Brasil. Se o falante tem 85 anos ou 16, pouco muda. O “olho no olho”, o carinho e a atenção aos visitantes são os mesmos. Parece feitiço amoroso que cola e fica. No sol ou na sombra, o ser reedifica, gerando uma doce vontade de retornar. Em Massaranduba, o contato humano é direto. É isso que conta! No café, no almoço, na esquina ou no serviço, tem sinceridade, tem abraço, tem calor e sobra afeto. Nesse momento, o celular fica bem quieto. Respeito ao que vem do coração é necessário. Seriam as lições do passado, do solidarismo e do associativismo dando aulas ao presente? Ninguém duvida que sim!

COOPERJURITI

O município, de pequeno porte territorial e gente detentora de alma gigantesca, é moderno

14 COOPERJURITI

Massaranduba, no Norte de SC, foi criada pela Lei nº 247, de dezembro de 1948, da Assembleia Legislativa do Estado, desmembrado de Blumenau, Itajaí e Joinville. Cada um dos três municípios-pais, lhe cedeu um pedaço, sem rechaço. Porém, pouco durou essa decisão. No segundo semestre de 1949, a sede e a denominação passaram de Massaranduba para o 2º Distrito de Guaramirim. Finalmente, através da Lei Estadual nº 746/61, de 29 de agosto de 1961, o município emancipou-se. O fumo era forte atividade nas décadas de 1950 a 1980 e foi deixando lugar para os bananais e a produção de palmitos. Leite e pecuária locais continuam sendo apenas para subsistência. Avicultura, tem pouco peso econômico. Na área rural, se destacam as atividades de arroz, com cerca de 30% do movimento econômico do município, palmáceas, banana e peixes. Além do comércio e serviços, são fortes, especialmente na região do 1º Braço (antiga Colônia de Luís Alves), as indústrias de móveis e esquadrias. A confecção tem relativo impacto. A área total de Massaranduba é de 373,3 km2. Massaranduba também é conhecida pela tradicional Festa Catarinense do Arroz – Fecarroz, realizada a cada dois anos e por carregar o título de Capital do Arroz.

Catarinense

15 Valorização da identidade, da memória e do sentimento de pertencimento. É isso que busca a professora de História e que atua na Gerência de Cultura e Turismo de Massaranduba, Maria Ivone Campigotto Spezia, que defende o papel de um museu – o qual coordena – , a nos remeter a pensar sobre o presente:

“Todos os saberes são importantes, pois são eles que nos sustentam; todo o sabor vem de um saber: a galinha recheada, o bolo da tradição da vovó, aquele outro de manteiga – que tem um ponto certo de bater –, isso tudo vem de um “saber fazer” que vai passando de uma geração para outra, da mãe para a filha, nas festas de Igreja [...], tendo o amor familiar e a convivência como fios condutores [...]. E aquele prato fica com um sabor especial, inigualável”. É simples entender a pesquisadora. Como Massaranduba teve e tem fortes influências de quatro etnias – alemã, italiana, luso-brasileira e polônica –, defende Ivone a diversidade como marca local suprema e, por conseguinte, essa também é a essência da Cooperjuriti. Vê na cooperativa a efetiva cooperação, muito diferente de um engenho privado. Completa a apaixonada por História que, “se essa ideia se manteve por 50 anos e ainda é próspera, é porque traz muitos benefícios aos cooperados e à comunidade”.

COOPERJURITI

Identidade única

16 COOPERJURITI Ilda Fauth, 78 anos.

“Pó de arroz” O relato de Ivone sai do normal, ganhando tons melodiosos e emotivos, quando fala delas, as mulheres, seja para o desenvolvimento do município ou da Cooperativa: “O homem era o sócio, mas sua mulher sempre esteve junto dele e, às vezes, até sozinha tocando as arrozeiras”. Será que essa participação da mulher na vida da sociedade-empresa Juriti começou para valer dia 18 de março de 1989, numa AGO, quando o então presidente, Irineu Manke, quebrando a sequência do ato, conclamou os homens a trazerem suas esposas na próxima reunião? Verdade seja dita: há 30 anos, o líder enxergava longe e já propunha uma maior interação com a família agricultora.

17 COOPERJURITI E o que dizer da autenticidade de Ilda Fauth, 78 anos, esposa do fundador Arnold (81), de Guarani-Açu. Ela recebeu o autor e técnico em sua casa, construída há 53 anos, varrendo a linda entrada da propriedade e logo abriu a conversa: “Pois é, a gente não pode parar; se ficar sentada, a gente encaranga”. Indagada sobre sua jovialidade e boa forma física, Ilda recordou de imediato de um kit maquiagem que ganhara de uma das filhas numa festa de fim de ano da Família Juriti. “Uso o pó de arroz, pois não deixa a pele da gente tão amarelada”. E sai a passos rápidos chamando o marido para a entrevista, ressurgindo somente no fim da conversa depois de 50 minutos, trazendo inigualável suco de uva. Dá para esquecer a cena? Não, né! A história jamais acontece de forma isolada.

18 COOPERJURITI

Origem do arroz

Diversos historiadores e cientistas apontam o Sudeste da Ásia como o local de origem do arroz. Na Índia, uma das regiões de maior diversidade e onde ocorrem numerosas variedades endêmicas, as províncias de Bengala e Assam, bem como a de Mianmar, têm sido referidas como centros de origem dessa espécie. Bem antes de qualquer evidência histórica, o arroz foi, provavelmente, o principal alimento e a primeira planta cultivada na Ásia. As mais antigas referências ao arroz são encontradas na literatura chinesa há cerca de 5 mil anos. Certas diferenças entre as formas de arroz cultivadas na Índia e sua classificação em grupos, de acordo com ciclo, exigência hídrica e valor nutritivo, foram mencionadas cerca de 1.000 a.C. No Japão, o arroz é cultivado há milênios. Os japoneses o consomem três vezes ao dia: no café, no almoço e no jantar, sendo rica fonte de hidratos de carbono.

19 americano. O arroz era o “milho d’água” (abati-uaupé) que os tupis, muito antes de conhecerem os portugueses, já colhiam nos alagados próximos ao litoral. Em 1587, lavouras arrozeiras ocupavam terras na Bahia e, por volta de 1745, no Maranhão. Em 1766, a Coroa Portuguesa autorizou a instalação da primeira descascadora de arroz no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro. A prática da orizicultura no Brasil, de forma organizada e racional, deu-se em meados do século XVIII e, daquela época até a metade do século XIX, o País foi um grande exportador de arroz. No mundo, o arroz é o terceiro alimento mais produzido, ficando atrás apenas do trigo e do milho. Existem milhares de variedades no planeta.

COOPERJURITI

Alguns autores apontam o Brasil como o primeiro país a cultivar esse cereal no continente

20 COOPERJURITI

Um sentimento...

*Orlando Giovanella, presidente da Cooperjuriti.

Dia 30 de março de 1968, começava a ser construída uma história única e marcante em Massaranduba e regiões próximas por 57 agricultores que, por necessidade de buscar uma organização própria, viram no cooperativismo a oportunidade de alcançar o objetivo que todos almejavam. Com a ajuda de várias pessoas e intensa confiança, esse respeitado grupo começou o trabalho cooperativista em nosso município, dando início ao sonho dessas e de centenas de outras famílias. É bem verdade que, durante esses primeiros importantes e desafiadores 50 anos de existência da Juriti, nem sempre os ventos sopraram em direções favoráveis. Houve anos de dificuldades, porém, quando uma cooperativa dispõe de um quadro social aguerrido, que evolui permanentemente e está fidelizado à sua entidade, e tem nos colaboradores e dirigentes pessoas íntegras, dedicadas e comprometidas com os reais valores e princípios do sistema associativo, os obstáculos e contratempos são superados.

21 racionais e administrativos. Nem por isso devemos cruzar os braços. Atualmente, as disputas mercadológicas são grandes, os desafios de atualização também, tanto ao produtor de alimentos quanto para nós, gestores. Além de termos vontade de trabalhar, precisamos que corra em nossas veias o sangue do cooperativismo. É papel do Conselho de Administração da Cooperjuriti, olhar para o presente e adiante, apontar caminhos seguros que garantam a perpetuação do negócio coletivo. Mais do que isso, tem a responsabilidade de estender esse bonito sonho às futuras gerações e ampliar o crescimento para atender às demandas atuais e futuras. Nos atuais tempos, não se pode plantar arroz com junta de bois, nem a gestão pode ser de forma amadora. Nessa obra histórica que estamos ajudando a escrever, a qual é o primeiro passo para os próximos 50 anos da Cooperativa, agradeço de alma repleta aos fundadores, aos atuais e abnegados associados e a todos os profissionais da Juriti, pelo amor ao trabalho e a paixão em cada ação desenvolvida. Como cidadão brasileiro, ainda sonho com um país livre da corrupção e da sonegação, com gestores públicos e privados responsáveis, honestos e de alma pura. De minha sala, vejo tremulando as bandeira da Juriti, de Santa Catarina e do Brasil, quando me vem à mente a gigantesca riqueza e potencial do País. Certamente, nos 100 anos da Cooperjuriti, muitos não habitaremos este mundo. Contudo, é exatamente esse o conclame que faço: um dia, um grupo majestoso de pessoas haverá de festejar o centenário com robustez ainda maior, e então, seus espíritos pacíficos certificarão o cumprimento dessa missão. Parabéns, família Juriti, pelos merecidos 50 anos!

Orlando Giovanella Presidente

COOPERJURITI

Passadas cinco décadas, vivemos uma era de prosperidade na agricultura e nos aspectos ope-

22 COOPERJURITI

Traçando o tempo no cooperativismo 1844

1902

Em Manchester, Inglaterra, 27 tecelões e

Em Nova Petrópolis, RS, na Linha Imperial, é

uma tecelã criam a Sociedade dos Probos de

criada a Caixa de Economia e Empréstimos

Rochdale, ação que forneceu ao mundo prin-

Amstad, atual Sicredi Pioneira – RS.

cípios morais até hoje usados pelo autêntico cooperativismo.

1932 É editado no Brasil o Decreto no 22.239, no

1889

primeiro governo de Getúlio Vargas, nor-

É criado o Registro da Sociedade Cooperativa

teando diretrizes para a constituição de coo-

Econômica dos Funcionários Públicos de Ou-

perativas. Estímulos fiscais estatais são ga-

tro Preto – MG que, em seguida, se espalhou

rantidos para tal finalidade.

por vários Estados do Brasil.

1964 No mesmo ano, surge a Comunidade do Rio

É criada a Associação das Cooperativas de SC

dos Cedros – SC, considerada a primeira coo-

– Ascoop em 1º de agosto, durante uma reu-

perativa do Estado barriga-verde, uma jun-

nião realizada em Blumenau.

ção de forças de imigrantes italianos advindos das regiões trentinas.

1966 O Decreto-Lei nº 59, regulamentado pelo De-

1895

creto nº 60.597 de 19/4/1967, suspende vários

Também na Inglaterra, em Londres, é funda-

incentivos e liberdades conquistados em fa-

da a Aliança Cooperativa Internacional – ACI,

vor do cooperativismo. É o centralismo esta-

organização não governamental – ONG inde-

tal em ação.

pendente, que representa o sistema em todo o mundo.

23

1971

Em 30 de março de 1968, é criada em Mas-

Dia 6 de setembro, via AGE, 118 associados da

saranduba – SC, por 57 abnegados agricul-

Cooperjuriti aprovam elevado financiamen-

tores, a Cooperativa Agrícola Mista Juriti

to de Cr$ 343 mil para insumos, máquinas

Ltda., com a finalidade de beneficiar arroz.

e prédio na Rua 11 de Novembro, centro da

À frente do projeto, o saudoso presidente

cidade. Além do patrimônio da entidade, os

Irineu Manke, sendo um dos seus principais

bens dos associados são hipotecados como

mentores, Amantino Dall’ Agnol.

garantia e todos aprovam o pacto.

1969

Em 28 de agosto de 1971, é criada a Organiza-

Sob a égide militar é criada em 2 de dezem-

ção das Cooperativas de SC – Ocesc. Irineu

bro de 1969, a Organização das Cooperativas

Manke assume por dois anos o comando da

Brasileiras – OCB, atribuindo força e mais

entidade (1971 e 1972), sendo o primeiro pre-

respeito ao sistema. A entidade tem a apro-

sidente.

vação de seu Estatuto Social dia 30 de junho de 1970.

Em 16 de dezembro de 1971, é publicada a Lei nº 5.764, até hoje em vigor, que define o regi-

Em 1969, a marca de arroz Primo, herdada na

me jurídico das cooperativas e orienta sobre

negociação das máquinas pela Cooperativa

sua constituição e funcionamento. Enfim,

Juriti, alcança a metrópole do Rio de Janeiro.

um documento único, claro e diretivo.

É registrada a primeira safra da Cooperjuriti, com 29.100 sacas de arroz fornecidas pelos associados.

1973 Na AGO de 2 de abril, os cooperados da Juriti reprovam a sugestão de remunerar os conselheiros de Administração e fiscais com Cr$20,00 por reunião, a título de cédula de presença.

COOPERJURITI

1968

24 COOPERJURITI

Fato mais do que curioso nesse dia, foram as

1977

três chapas inscritas para concorrer ao 2º

Dia 1º de junho, Irineu Manke recebe a Co-

Conselho de Administração da Juriti. Irineu

menda do Mérito Cooperativista Catarinen-

Manke consta, a pedido dos associados, na

se.

cabeça de todas as opções. Depois de votação e escrutínio secreto, a de número “2” é anunciada vencedora.

1975 Em AGO de 24 de fevereiro, os cooperados

1980 São construídos os primeiros quatro silos graneleiros no Bairro Patrimônio.

1985

aprovam o pagamento de cédula de presen-

Foram ampliados os silos no Bairro Patrimô-

ça aos membros dos conselhos de Adminis-

nio, passando para 37.500 sacas cada um.

tração e Fiscal, no valor de C$ 50,00 por reunião.

1986

É feita a aquisição de um terreno de 20.000

Com o Plano Cruzado, a correção monetária

m2 pela Juriti no Bairro Patrimônio, em Mas-

é banida no Brasil. Contudo, um ano depois,

saranduba, junto ao trevo de acesso à cidade.

o Governo Federal decide cobrar a C.M. sobre

1976

os financiamentos, gerando grande mal-estar e incertezas a todo o setor agrícola.

Em 28 de fevereiro, a assembleia autoriza a Cooperativa a se filiar à Federação das Coo-

1987

perativas Agropecuárias de SC – Fecoagro,

A Juriti inaugura a Unidade de Beneficia-

entidade criada um ano antes, com os se-

mento de Sementes (UBS) em Massarandu-

guintes nomes aprovados como represen-

ba, construída em parceria com a Secretaria

tantes nas deliberações: Irineu Manke, Ar-

de Agricultura através da Cidasc.

nold Fauth e Alfredo Jacobi.

25

1995

rem ao Conselho Fiscal. Os votos são conta-

Pela primeira vez na história, um não euro-

dos, respectivamente, com grãos de milho,

peu assume a presidência da Aliança Coope-

de feijão e de amendoim, vencendo a Chapa

rativa Internacional – ACI. É o agricultor bra-

UM.

sileiro e cooperativista, Roberto Rodrigues.

1988

1999

Dia 5 de outubro de 1988 é aprovada a Nova

Em 20 de março, através de assembleia con-

Constituição do Brasil, originando a Autoges-

junta, é decidido incorporar, a partir de 1º de

tão Cooperativista, dando plena autonomia

julho, a Cooperativa Agrícola Mista Itajara

ao sistema, agora livre das interferências do

Ltda - Cooperitajara, de Jaraguá do Sul, am-

Estado.

pliando a captação de arroz na Região Norte

1990 O início dessa década é marcado por forte cri-

de SC. Dívidas da incorporada são absorvidas pelas Reservas Legais e a marca de arroz Itajara passa a compor o mix.

se na agricultura, logo depois do Plano Cruzado. Na AGO de 25 de março de 1995, asso-

2003

ciados aprovam pela primeira vez a aplicação

Assume o cargo de presidente do conselho de

das sobras que faziam jus em Reserva Legal,

Administração da Cooperjuriti o então vice,

evitando sangria de recursos da cooperativa.

Antenor Borgonha, devido ao falecimento do

A reação do setor e a melhora nos preços do

pioneiro Irineu Manke dia 16 de junho.

arroz só começariam em 1998, mesmo ano

No mesmo ano, a Cooperativa ganha na Jus-

em que a Juriti aprovaria a entrada no Pro-

tiça, depois de desgastante batalha advocatí-

grama de Revitalização de Cooperativas de

cia, o domínio da marca Juriti. O processo ha-

Produção Agropecuária – Recoop.

via sido interposto anos antes pela Indústria (particular) de Conservas Juriti Ltda.

COOPERJURITI

Na AGO de 25 de março, três chapas concor-

26 COOPERJURITI

2009

2016

É realizada pela Juriti, a compra de uma uni-

Dia 30 de março, a Cooperjuriti inaugura

dade em Santo Antônio da Patrulha – RS, com

uma indústria e um centro administrativo

secadores e oito silos para 12 mil toneladas de

no Bairro Patrimônio, e dia 1º de outubro do

arroz em cascas, em terreno de 97 mil m2.

mesmo ano, a loja agropecuária com um total de 11.788 m² de área construída, sob a go-

2012 Ocorre a eleição da nova diretoria da Coo-

vernança do presidente atual, Orlando Giovanella.

perjuriti, assumindo o presidente, Orlando Giovanella, que dirige a Cooperativa até

Pela primeira vez na história, uma mulher

hoje, já no segundo mandato consecutivo,

assume vaga no conselho de administração.

reconhecido por ser grande visionário e ex-

É a agricultora, Vitória Meurer Guszaky.

pansionista. Dia 11 de agosto, via AGE, os associados apro-

2018

vam uma nova e histórica redação do Esta-

Dia 23 de março, a Cooperjuriti honrosamen-

tuto Social, alargando o leque de atividades

te festeja o cinquentenário, com AGO, show

da Juriti, bem como aumentando o alcance

artístico-cultural, corte de bolo, jantar típi-

de vários programas econômicos, técnicos

co, solenidade, orações de agradecimento

e sociais. Pela primeira vez na história, um

e homenagens aos familiares dos 57 sócios

Planejamento Estratégico é levado à AGO

fundadores, seguido de baile. A data jamais

para aprovação, consagrando a maior guina-

será esquecida e marca o primeiro dia da

da empreendedora dos primeiros 50 anos.

contagem regressiva para os 100 anos, em 2068. Nenhum evento da Cooperativa, an-

2015

tes, fora tão impactante, grandioso e emo-

Começa a edificação do novo comple-

cionante, unindo, inclusive, a comunidade

xo industrial no Bairro Patrimônio, em

massarandubense.

Massaranduba, obra executada em apenas 362 dias, um recorde absoluto, com investimento superior a R$ 30 milhões.

27 Para compreender melhor a história da Cooperjuriti, destacam-se aqui as moedas brasileiras e suas trocas após o ano de 1967. Em determinados trechos do livro, são citados investimentos, grafados conforme a moeda da época.

13/2/1967 – Cruzeiro Novo – Cr$ 1.000 = NCr$ 1 15/5/1970 – Cruzeiro – de NCr$ para Cr$ 28/2/1986 – Cruzado – Cr$ 1.000 = Cz$ 1 16/1/1989 – Cruzado Novo – Cz$ 1.000 = NCz$ 1 16/3/1990 – Cruzeiro – de NCz$ para Cr$ 1º/8/1993 – Cruzeiro Real – Cr$ 1.000 = CR$ 1 1º/7/1994 – Real – CR$ 2.750 = R$ 1 (Fonte: Finance One)

“A história deve ser referência, e não residência.”(Autor desconhecido)

COOPERJURITI

Moedas no Brasil

COOPERJURITI

28

O

primeiro passo deste projeto que marca os 50 anos da Cooperjuriti comemorados em 2018, agrupa assuntos históricos em um “ninho”, afinal, quando um pássaro vai procriar, logo idealiza uma casa que traga aconchego e segurança. O ser humano, como a copiar a natureza, age de forma muito parecida: estrutura o seu espaço para morar.

29 COOPERJURITI

O ninho

30 COOPERJURITI

A

pomba juriti cria uma plataforma construída de gravetos e grama. É localizado em arbustos ou árvores.

Raramente, no chão. É sinal que tem coragem de enfrentar alturas. E, seus filhos, também. Quando em árvores, a juriti escolhe fazê-lo em alguma espécie de palmeira. É bem amarrado e trançado. Tem forma arredondada, uma engenharia incrível assinala que a juriti busca a perfeição quando se trata de proteger os filhotes em sua fase mais sensível. Interessante é que o casal participa da incubação e, especialmente, da alimentação dos filhos que, inicialmente, é representada pela ação conhecida por “leite-do-papo”, uma secreção do papo das aves progenitoras, regurgitada para os pequeninhos. Seria feita com arroz? Pelo fato de existir em abundância e andar em bandos, a carismática pombinha acabou emprestando o nome à Cooperativa. De imediato, os pioneiros compraram o engenho da Cerealista Primo Ltda., que começou a operar dia 2 de janeiro de 1969. À frente dessa etapa, o presidente Irineu Manke. Era a Cooperativa concretando um promissor e acolhedor ninho.

COOPERJURITI

31

32 COOPERJURITI

Algo bom, do nada! A tramela da turbulenta década de 1960 estava para ser fechada, depois do que alguns chamaram de Golpe Militar em 31 de março de 1964. Para outros, quando o Congresso Nacional escolheu o general Castelo Branco como o primeiro governo de terno verde-oliva – sistema que durou 22 anos –, o fato se traduziu num gesto de libertação do Brasil do Comunismo, atrás do qual estavam as artimanhas e ideias cubistas, russas e até chinesas. Querendo, ou não, precisamos aceitar que as decisões de um Congresso Nacional, representam, em última instância, a vontade popular. Já na segunda metade de 1960, o Governo de Santa Catarina acelerou projetos para desenvolver o campo através da então Acaresc – hoje, Epagri. Na mira, a estruturação sindical e cooperativista na roça. O próprio Governo Federal tinha interesse em aumentar a produção interna de alimentos e, por isso, incentivava e fornecia crédito às associações organizadas.

Tercilio Giovanella.

33 Prata – RS, formado em Agronomia pela UFRGS, em Porto Alegre, um ano antes. Missão: abrir o primeiro escritório da entidade. Ali, logo selecionou 23 comunidades que, democraticamente, escolheram os seus líderes, nomes que concentravam a maior produção de arroz local e detinham outros atributos. Na parte alta de Massaranduba, predominava a produção de fumo, e em alguns altiplanos, mandioca. Com esse seleto grupo, Dall’ Agnol montou um plano de trabalho para melhor organizar o produtor rural.

Repulsa à ideia Os primeiros comentários para criar uma cooperativa em Massaranduba foram complicados e geraram controvérsias. Só no município, funcionavam seis engenhos particulares de arroz. Reuniões intermináveis não davam em nada, conta Amantino, “pois, quando se falava que cooperativa envolvia aplicação de recursos, 60% a 70% do pessoal ia embora”. Sem contar que esses donos de moinhos sopravam maldoso pó cinza pelas esquinas: – O que esse rapaz da Acaresc está fazendo aqui em Massaranduba? No mínimo, ele quer mesmo é Amantino Dall’ Agnol, um precursor.

criar confusão! Amantino “pegava o Jeep”, enchia-o de agri-

cultores e visitava uma cooperativa no interior de Jaraguá do Sul, a Itajara, para trocar ideias, motivar. “Foram 15 meses de idas e vindas, de movimentação de gente para tentarmos algo novo.”

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Para Massaranduba, SC, em 1966 a Acaresc designou Amantino Dall’ Agnol, natural de Nova

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Estrela do Oriente? Foi necessária muita persistência, coragem e pretensão. “Quando se quer fazer as coisas certas, até Deus ajuda”, crê Amantino. Para o descendente de italianos, só pode ter sido “uma estrela do Oriente”, num belo dia, a trazer-lhe até o escritório da Acaresc quatro donos do mais novo engenho, o dos produtos Primo, empreendimento com dificuldades financeiras, porém, todo equipado com o que havia de mais moderno, pessoas preparadas, ofertando tudo à futura cooperativa. E, caso viesse a ser constituída, eles seriam os primeiros associados sem interesse algum em cargos na diretoria. Eram os primeiros dias de 1968. Amantino passa breu no cano da bota e relata:

“Custei bastante a acreditar; deitei-me à noite e pensei: se for isso verdadeiro, chegou a nossa vez, e pronto! Não vamos deixar escapar essa chance de jeito nenhum. Meu Deus, está tudo pronto, funcionando; é só pegar e tocar. Foi aí que a coisa se movimentou pra valer”. Amantino fora, então, designado para ir até o engenho em oferta e fez inventário geral desde o terreno, prédio, maquinário, “até foice e enxada”. Na avaliação, NCr$ 66.000,00 (cruzeiros novos), “uma babilônia”. Muitos disseram: “Assim, vocês vão quebrar a cooperativa antes mesmo de nascer”. Ele insistia: “Se não investirmos, nunca vamos ter a nossa cooperativa”.

Em cada anúncio para a necessidade de os agricultores assinarem notas promissórias para avalizar um provável financiamento, sobravam poucos nos debates. Contudo, Massaranduba é terra de juriti, ave forte e que jamais se entrega tão fácil, além de ser discreta, serena e elegante.

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a estrela do Oriente”, brilha Irineu Manke, natural de Blumenau, vereador mais votado e prefeito em exercício da cidade, cumprindo mandato tampão.

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O borbulhar para a criação da cooperativa estava quente igual melado no tacho e, “seguindo

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Amantino peneira mais um punhado de arroz:

“Foi um comentário só em favor ‘do Manke lá da Massarandubinha’. Se for ele o presidente, eu apoio, diziam em coro. Começou a rolar por todos os cantos essa conversa positiva, e eu peguei esse homem pelo braço e não larguei mais. É com Manke que vamos caminhar bem longe. Só tinha um problema: a Acaresc não queria nem conversa de introduzir político em cooperativa. Se isso acontecesse, era certo que me mandariam embora. Porém, Manke não era ‘politiqueiro’. Era do tempo antigo, sério. Ainda era comerciante, só que muito honesto e de confiança, um líder nato. Nenhuma notícia tinha sido tão boa até então! Além do mais, era o único contador formado de Massaranduba até aquela época”. Prosa vai, prosa vem, e Amantino convence Irineu Manke a aceitar o desafio, largando a política, após 31/01/1969. O candidato a presidente da Juriti foi conhecer o tal engenho Primo. Amantino sabia de cor e salteado quanto cada família produzia. “Sinceramente, foi por conta da exemplar e inabalável confiança do líder Manke que essa façanha foi conseguida.”

37 recebida de Amantino para integrar a empreitada. A conversa transcorreu com os dois sentados sobre uma pedra. “Ele veio na roça fazer a proposta. Senti muito medo, porque falavam que uma sociedade nunca deu certo. Mas houve também um grande incentivo do Pe. Ivo Petry, vigário da Paróquia”, recorda Guerino.

Guerino Berri – sócio-fundador.

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De viva memória, nono Guerino Berri, um dos fundadores da Cooperjuriti, lembra da visita

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39 Alfredo Jacobi Alito Müller Arceste Pacher Arnoldo Conzatti Bertholdo Voelz Edmundo Lubawski Ewald Sasse Getúlio Cristofolini Harry Fröhlich Irineu Manke João Chrast José Brych Júlio Lubawski Luiz Bordin Natale Moser Rudibert Froehlich Tercílio Giovanella Vicente Maiochi Wigand Donath

Alfredo Venske André Safanelli Arno Delling Arturo Berri Curt Bublitz Egon Oechsler Ewaldo Kassner Guerino Berri Harry Sasse Ivo Froehlich João Moskorz José Safanelli Kasimiro Wenk Margo Utech Pedro Brych Rudibert Krause Thomaz Kemczinski Virgílio Quinto Cristofolini Wigold Sasse

Alfredo Voelz Antonio Jagiello Arnold Fauth Augusto Tomaselli Curt Wulf Erich Borchardt Fridolino Borchardt Harrold Froehlich Ildemar Manke João Brayer Jorge Conrado Leschinski José Witkowski Lauro Altrak Narciso Girardi Rudi Utech Scepan Prawutzki Thomaz Lada Waldemiro Domaszak Willy Kupas

Cada qual assumiu um determinado valor de capital subscrito, gerando 24.945 cotas-partes, que totalizaram NC$ 74.835,00

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Agricultores associados, fundadores da Cooperativa Agrícola Mista Juriti Ltda, em 30 de março de 1968

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O baluarte Silvério Para alguns, eterno pai. Para outros, irmão. Para Dall’ Agnol, um decano do cooperativismo, “pois nunca o vi de nariz empinado que, ao lado do esteio Irineu por 35 anos, trouxeram a Juriti até aqui”. Há os que ainda o denominam de professor, afinal, era a profissão dele antes de 1968. Se bem que, mestre em semear boas sementes do associativismo, é papel que adora desempenhar até hoje. Quando se pronuncia, tenha a plateia 10 ou 80 anos, ninguém pestaneja e consome com louvor cada uma de suas ajustadas palavras. É Silvério Orzechowski, primeiro auxiliar de escritório e, atualmente, superintendente na Cooperjuriti. Formou a primeira dupla de colaboradores com o então gerente, Arceste Pacher, que já atuava no engenho Primo e até hoje é lembrado pela bondade, carisma e carinho para com o associado. O trio, mais afinado que bandinha, selava o sucesso com o profundo conhecimento em contabilidade de Irineu Manke. A contratação de Silvério foi via concurso coordenado pela Acaresc, prova prestada em Massaranduba com outros quatro candidatos. As cartas, lacradas, viajaram a Florianópolis, tudo para manter o processo de escolha ileso de fraudes. O resultado? Silvério na primeira posição. Assim, em 2 de janeiro de 1969, Orzechowski teria sua carteira de trabalho Arceste Pacher.

assinada. Ele balança o braço direito, tendo na parede às suas costas o crucifixo de Jesus Cristo, e traz a limpo esse fato:

“Foi um Deus-nos-acuda aquele começo. Eu pesava as cargas de arroz e ensacava farelo. Trabalhávamos numa sala bem pequena, com duas cadeiras de palha. E Manke insistia: ‘Silvério, temos muitos registros contábeis a serem feitos; você não deve estar aqui nesse

41 Moral da história: na primeira aprovação de balanço no início de 1970, de 57 agricultores fundadores, apenas um não havia depositado arroz. Isso que, bem pertinho, em Guaramirim, uma cooperativa gerava grande prejuízo aos associados e acabou sendo extinta. A notícia correu solta e prejudicou a imagem do sistema, inibindo um crescimento maior logo de início na Juriti. Para Silvério, os comparativos altamente positivos pelos sócios que operavam com a Juriti, mais os que “corriam por fora”, foi o grande diferencial para que a Cooperativa tomasse ar nos pulmões naquele começo bastante desafiador.

Silvério Orzechowski – superintendente da Juriti.

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trabalho braçal. Vá cuidar do escritório; é pra isso que você foi contratado!’. E lá vinha o Arceste com sua teoria: ‘Eu não sei o porquê de tanto papel em cima dessa mesa. É muito simples de fazer: vamos anotar tudo num caderno, os que estão devendo, e quando o associado vem acertar, risca-se, e pronto!’. ‘Não’, erguia a voz, Manke. Você esqueceu que agora é uma cooperativa? Isso tudo pertence ao cooperado. No fim do ano, teremos que prestar contas”.

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Anne segura as pontas Semblante de 60. Idade real? 80! Segredo: bastante água em jejum e frutas. Anne Lore perdeu a mãe aos três dias de vida e foi criada na maternidade em Blumenau até os seis meses, onde trabalhavam três tias enfermeiras formadas na Alemanha. Seu pai era farmacêutico na capital brasileira da Oktoberfest. Depois, Anne ficou com outra tia em Trombudo Alto, hoje Agrolândia, até que seu pai contratou uma babá para os cuidados, na época, com mais dois irmãozinhos, um de seis e outro de quatro anos. Após cinco anos de viuvez, seu pai casou-se novamente, e Anne recorda bem: puxou a frente dos noivos jogando pétalas de rosa ao público, quando “muitos na igreja choraram”, diz. Seu pai teve mais seis filhos com a madrasta, três já falecidos. Foi numa “domingueira” (suarê ou matinée) que Anne conheceu Irineu, num antigo comércio sem luz elétrica que também servia para danças, mesmo que fosse apenas com um prodigioso gaiteiro.

“Eu fui a este local com uma prima, de bicicleta. Um amigo de Manke e ele nos acompanharam até o trecho da estrada que tinha energia elétrica, já que era perigoso. De cara, Irineu demonstrou interesse em namorar comigo. Então, eu lhe disse: não, senhor, você tem alguém de que gosta em Blumenau. Quando você se livrar dela, me procure, pode vir falar comigo; eu tinha 16 anos.”

43 para saber. À época, circulava ônibus de Massaranduba a Blumenau apenas duas vezes por semana, em estrada de chão. E, pelo jeito, Irineu afinara a viola para mais e mais serenatas junto a Anne. Decidiu mandar uma carta de despedida à namorada blumenauense. Acontece que, no mesmo instante, estava vindo via ônibus um presente da moça, a Manke. E pensa que a carta e o presente se encontraram pelo caminho? Antes fosse! Ou seja, a pretendente da cidade grande, com quem algo já virava quase mel, abriu a derradeira e triste carta somente depois que o presentinho carinhoso aportou em Massarandubinha, comunidade onde Manke morava. A primeira meta de Anne estava concluída. E bem-sucedida! Foi quando o namoro dos dois pegou fogo. Manke encarava 15 quilômetros de poeira numa motocicleta para ver o seu amor. Eis que Anne, em seguida de firmar mão, mente e coração com Manke, decide rumar para São Leopoldo, RS, a fim de estudar. Partiu em fevereiro e somente retornou em dezembro daquele ano, no auge dos 17. Seu pai lhe dizia: “Esse namoro não vai dar certo”. Anne retrucava: “Se ele gosta de mim, me espera”.

Todos os anos, ovos de páscoa são preparados por Anne, aos netos.

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A tentativa amorosa deu-se num 7 de Setembro. Morte ou Independência? Vamos prosseguir

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E Irineu esperou! Nesse ínterim, rebuliçou conversa de uma amiga de Anne através de carta, que Irineu não teria aguentado a secura da solidão e “havia levado outra moça para casa”. Em um segundo, a enfurecida Anne empunha caneta e capricha num texto bem salgado ao namorado. Porém, na manhã seguinte, arrependida correu até a mesma casa dos Correios que pertencia a uma prima e, em tempo hábil, mandou telegrama para responder a mesma carta. Não tinha WhatsApp! Será que Anne acertou em adoçar o fel? Namorou por dois anos, noivou em outubro de 1957 e casou em janeiro de 1958, aos 19 anos. Tiveram sete filhos, todos vivos e saudáveis, três homens e quatro mulheres. “Todas as noites, rezo para nossa família”. Dez anos depois do casamento, nascia a Cooperjuriti. O pai de Anne mudou-se, então, para Joinville. A casa em Massaranduba ficou como parte de herança a Anne e Irineu. Parte foi comprada por ambos. Até que a residência foi vendida para abrir o hospital. Moraram um tempo em uma casa alugada de Amantino Dall’ Agnol, até que compraram outra residência no centro de Jaraguá do Sul. Irineu queria dar bons estudos aos filhos e se propunha a ir e voltar todos os dias até a Cooperativa. “Era melhor do que se as crianças viajassem tanto”, recorda Anne, “ainda mais em ônibus comum”. Porém, a sogra de Anne morava junto com a família e não quis residir em Jaraguá. Dizia que “árvore velha que se transplanta, logo morre”. E a casa em Jaraguá acabou sendo vendida.

45 COOPERJURITI Álbum da família Manke.

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Na quentura do fogão Que conversas rolavam entre Irineu e Anne quando ele estava em casa? “Quase nada de assuntos de cooperativa; ele não queria trazer ao lar os problemas da Juriti”, relata Anne. Enquanto concede entrevista, finaliza o preparo de ovos da Páscoa 2018 aos netos, aguardados “de asas abertas” pela vovó, com visível ternura pombal. Manke sempre fora magro desde jovem. Comia bem pouco. Às vezes, um pedacinho de carne. Doce? Zero! “Um dia, fiz bolo de amorinha com nata. Foram 101 bolinhos. Como o médico lhe havia proibido de fumar, acho que despertou uma fome de leão nele, e pegou gosto pelo alimento. Porém, continuava a não almoçar, nem café da manhã. Contudo, devorou com louvor aqueles docinhos. Engordou uns quatro quilos. Esse homem gostava de ajudar todo mundo e jamais dormia fora de casa.” Anne passava noites costurando com uma vela acesa atrás da máquina. “Tenho orgulho de tudo o que vivi”, relata a elegante e respeitada senhora.

Legado de 120 anos Os Fauth chegaram a Massaranduba em 1898, há 120 anos. Um dos descendentes é Arnold, que em 1968 produzia 700 sacas de arroz por ano. Hoje, junto com quatro filhos homens, produz entre 15 e 16 mil sacas por ano. Duas filhas estão morando na cidade e lá constituíram famílias. Sua alegre esposa Ilda tem 78. Recorda a índole do pai de Irineu, Felipe Manke, também comerciante em Massarandubinha, com quem já seu falecido pai negociava arroz e se abastecia de tudo o que precisava para a atividade:

47 O empréstimo para a doença foi pago a Felipe com a safra seguinte. Segundo Arnold, Irineu incorporou esse espírito fraterno de seu pai, tanto que, quando Felipe faleceu, as pessoas diziam: “Morreu o pai do povo”! E Arnold assinou a ata de fundação da Juriti por conta desse grande coração dos Manke, mesmo que vários engenhos particulares fizessem forte contrapropaganda. “E tem mais: o que Irineu dizia, estava dito”. Mais provas do carisma? Sim! Arnold recorda as rodas de conversa dentro da própria sala do presidente Manke, onde ele dava todo tipo de conselho; bastava procurá-lo. Desde situações financeiras complicadas, problemas no casamento e familiares, até rixas entre vizinhos. “Todos gostavam de falar com ele. Acho até que Manke servia de alívio para o trabalho dos padres. Na Cooperativa, ocorria o derramamento dos corações” (risos).

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“Ele era atravessador, mas muito honesto e humano. Lembro que eu era pequeno, um dia, com minha irmã operada de apendicite em Blumenau, meu pai pôs à venda uma bonita novilha para pagar a conta do hospital. Foi quando Felipe chegou e disse: Passem lá e peguem o dinheiro que vocês precisam; essa novilha pode dar uma excelente vaca”.

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E Arnold puxa o bandoneón, instrumento que aprendera a tocar desde moço, carimba duas belas melodias com destreza, afirmando que é hipocrisia o ser humano não admitir que a vida seja completa, sem boas pitadas de alegria e música.

Quiosque na casa dos Fauth: a vida conhece sua plenitude.

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Algumas lembranças...

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O tempo, suas invenções Nas décadas de 1950 e 1960, a mão de obra braçal dominava os dias. E as noites também. Motores começaram a chegar ao interior de SC pelos fins dos anos 1960, acoplados a máquinas, dando-lhes certa autonomia. No Museu de Massaranduba, projeto gerenciado pela prefeitura local e apoiado pela Cooperjuriti, constam alguns objetos doados pelos próprios cooperados.

Rolo Amassador, puxado por cavalos ou bois, usado desde o início do século XX para emparelhar o solo (acervo sem identificação).

Arado fabricado pela Empresa Irmãos Berri de Rodeio 50. Usado para arar a terra. Era puxado por cavalos ou bois, tanto em arrozeiras irrigadas como em morros. A pintura é original e sua fabricação é de 1940. (Acervo de Valdemiro Berri.)

51 Outro modelo de abanador, acervo que pertenceu a Romão Sawulski, na década de 1920 e, posteriormente, à família Vick. Equipamento utilizado para separar grãos de arroz falhados. (Acervo: Anderson Vick.)

Batedeira de arroz adquirida pelos irmãos Jacob, Ignácio e Cassimiro Kasmirski por volta de 1975. A máquina “Vencedora” foi fabricada em Joaçaba – SC e separava a palha do grão de arroz. (Acervo: Irene Kasmirski e família.)

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Abanador de arroz, um instrumento para abanar o cereal, ou seja, separava as cascas, os grãos falhados, deixando apenas os grãos bons. Movido com motor Tobata, mas também, noutros tempos, à força braçal. (Doação: Ademir Derretti e família.)

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O grande salto A Cooperjuriti deu um excepcional salto dia 6 de setembro de 1971, quando, através de Assembleia Geral Extraordinária e aprovação de 118 associados, financiou junto a vários bancos, Cr$ 343.000,00 (cruzeiros) de uma vez só para compra de adubos, máquinas e implementos aos cooperados e, direto para a Cooperativa, um prédio para beneficiamento e escritório na Rua 11 de novembro, que funcionou até 2016.

53 COOPERJURITI O valor foi considerado absurdamente elevado para aqueles anos. Quem sabe, se esse degrau não tivesse sido encarado com muita ousadia por aquela diretoria e os sócios, o futuro na Juriti não teria sido tão esplendoroso. O que chama a atenção na ata aprovada por unanimidade em 6/9/1971 é que, além da penhora de terreno e bens da Cooperativa como garantia do financiamento, os agricultores beneficiados hipotecaram os seus bens particulares.

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Aquele Conselho de Administração, liderado pelo então presidente Irineu Manke, recebeu autorização da assembleia para negociar os juros com os bancos, que não poderiam ser maiores que 15% ao ano, porém, pagos pela Cooperjuriti, e não pelos associados. A ata contempla dezenas de importantes decisões. Separou-se mais uma para sintetizar o promissor começo da década de 1970. Foi a aprovação para a Cooperativa reter 3% sobre as operações com os associados, como forma de garantir a solidez financeira para as décadas seguintes. Ou seja, se os agricultores associados tivessem invertido esse caminho, quem garante que a Cooperativa teria chegado aonde chegou? As decisões desse dia são a prova cabal de que os líderes da época desfrutavam de visão voltada ao crescimento e, mais relevante, detinham total confiança do corpo social para avançar. De 1969 a 1971, foi um período de muito trabalho para recompor a credibilidade do modelo associativo. Safras boas ajudaram. Foi quando o governador do Estado, Antônio Carlos Konder Reis, estendeu o Fundesc para as cooperativas agropecuárias. Com o fundo, 20% do ICMS gerado por elas retornavam para investimento. “Tivemos um crescimento vertiginoso de 1972 a 1974”, lembra Silvério, “e a classe agrícola começou a confiar mais na ideia”.

55 COOPERJURITI Irineu e sua cadeira: todos os assuntos possíveis cabiam na sua sala.

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uando os filhos da pomba juriti estão maiores, a mamãe os incentiva ao primeiro voo, sempre com o olhar atento. A primeira tentativa é rasante, um tiro curto de poucos metros, não muito alto, já antevendo em qual galho vai pousar. Sinal que há planejamento. Em seguida, quando o filhote já se sente mais seguro e confiante, o céu é o limite. Ou

nem ele seria? A mãe, então, observa-o feliz e comemora.

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O voo

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omo toda tentativa de organizar pessoas e produção, a Cooperjuriti também não acertou todas, como se diz. Porém, jamais deixou de tentar, de olhar adiante, de ouvir seus pares, de se abraçar nas horas difíceis e prosseguir. A liderança firme de Irineu Manke foi, sem dúvida, um grande pilar, até hoje observado pelas novas gerações. Tombos

existiram, como a forte crise dos anos 1990, que derrubou o preço do arroz por vários anos, e a Cooperativa se viu em sérios apertos financeiros. Se não fossem o bom senso e a compreensão dos associados, quem sabe a história poderia ter sido outra. Na cooperativa e também nas famílias, todos traçam voos considerando o que seus integrantes pensam. Assim, conseguem aproveitar a energia dos demais cooperados para que a viagem seja mais longa e segura. O conhecimento, atualmente, é alimento infalível para a sobrevivência das organizações e outras células sociais. E esse processo é infinito. Mas é na atitude do “querer” mudar e melhorar que reside a certeza de grandes distâncias percorridas, juntos! É essa visão e ação coletiva que tornam perene um projeto de cooperação. As pessoas fazem obras hoje, sabendo que amanhã não estarão mais aqui. Então, o que é para sempre são os propósitos traçados lá atrás, levados a cabo pela atual geração e semeados à luz da transparência, para que, um dia, outros se fartem, reproduzindo ideais sadios à civilização. Assim como um indestrutível ninho da pomba-cinza, essa base sólida da Cooperjuriti permitiu os passos seguintes. Escorregões? E quem não passa por eles? Voos rasantes, rápidos e retos, especialmente quando se trata de cultivar valores perenes. E muita luta coletiva, em bando mesmo, para sair de alguns sufocos. Pergunta-se: se os primeiros alicerces tivessem sido frágeis, a entidade teria ido tão longe, de forma segura e ativa? Certamente, não!

59 os ajustes econômicos que viriam pela frente exigiram da sociedade como um todo, doses de elefante de sacrífico, paciência e esperança. A travessia quase virou agonia e foi longa, com vários planos governamentais “experimentados”. Enquanto isso, a agricultura pagava o pato, com instabilidade e, de modo geral, preços muito baixos pelos alimentos, fator que ajudou a empurrar para as cidades grandes fluxos migratórios. Em 1982, a Cooperjuriti “saía da toca” com o início das vendas de seus produtos em Curitiba (PR). Existia em Guaramirim, pertinho de Massaranduba, uma empresa chamada Conservas Juriti. Naquele mix, pepinos, azeitonas e similares. Silvério Orzechowski recorda que houve uma vasculha no Instituto Nacional de Propriedade Industrial – INPI, e nada foi encontrado que desabonasse ou protegesse em nome de outra empresa, o uso da marca Juriti. Numa tacada, Silvério esclarece o fato, uma viagem e um terrível acidente:

“Mais tarde, descobriu-se que essa marca pertencia a uma empresa – pessoa jurídica -, chamada Alimentos Juriti e pedimos caducidade, o que foi conseguido. Porém, o INPI não autorizou o respectivo uso no arroz que produzíamos. Existia no Rio Grande do Sul uma empresa comercializando ‘Café Juriti’. Mesmo sendo de outra classe, a coisa complicou. Fomos até a empresa conversar com os empresários. Era um domingo, estávamos eu e o Poffo (in memoriam), ele ao volante de um Volvo, em alta velocidade. Logo

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A década de 1980 foi marcada, na história brasileira, pela retomada da democracia. Contudo,

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adiante de Vacaria, acabamos colidindo com um Corcel, demos de frente num cercado e ali paramos. Por sorte, nada de mais grave nos aconteceu. O Volvo foi para o ferro-velho. Decidimos voltar”. A disputa judicial pelo uso da marca Juriti foi longa. Em 1995, essa empresa conseguiu o direito de uso. “Fomos notificados e era nossa principal marca; precisávamos achar uma saída”, conta Silvério. “Recorremos ao INPI, e, estranhamente, dois processos por nós encaminhados estão desaparecidos nos bastidores digitais daquele respeitado órgão.” A pesquisa recomeçou. Foi descoberto que em Planaltina (DF) existia uma empresa que comercializava farinhas de trigo e usava a marca Buriti, de sonoridade bastante parecida a “Juriti”. Silvério foi duas vezes até lá para conseguir o licenciamento, tudo para trocar um “J” por um “B”. Mesmo assim, a decisão ensejava certo medo. “Será que emplacaria”? Era 1996. A aceitação da Buriti foi incrível. Silvério recorda que, em cada lugar, contavam a “aprontada” feita contra a Cooperativa. Na justiça, o advogado Silvério, depois de montar toda a estratégia e papelaria de defesa, decidiu levar a tiracolo duas “armas” infalíveis. Com os olhos bem atentos, o juiz deu ganho de causa à Cooperativa, depois que Silvério desembrulhou, para surpresa da testemunha contrária, um pacote de arroz e um vidro de pepino, lançando a seguinte pergunta: “Se você vai ao mercado e pede para comprar pepino Juriti, qual desses produtos você leva?”. – Eu levo esta, apontou a testemunha para o pepino Buriti (com “B”). E Silvério insiste: – O senhor não iria se confundir? – Claro que não, respondeu-lhe o oponente. Foi o que faltava para o magistrado mudar de ideia, decretando ganho em todas as instâncias. “E fomos vencedores também no Supremo Tribunal Federal”, lembra Silvério. Era 2003. A marca Juriti foi reconquistada. Porém, “Buriti”, que advém de uma palmeira (planta medicinal e de bons

61 forte ficou a outra.

A maior de todas as crises Quem viveu aquele momento da Cooperativa (e do País) nem faz questão de lembrar. Em 1991, o pior de todos os anos, a Cooperativa estava sem “colchão financeiro”, passando a depender 100% dos bancos para o mínimo respiro. “O aperto foi terrível”, relata Silvério. O País havia eleito em 15 de março de 1990 o presidente da república, Fernando Collor de Mello, o primeiro escolhido por voto secreto desde 1960, que encerrou o mandato em 29 de dezembro de 1992 sofrendo processo de impeachment pelo Congresso.

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frutos), é um nome consagrado e consolidado. Hoje, praticamente nem se usa a marca “Juriti”, tão

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Collor registrou retração de 2,06% do PIB e queda de 6,97% da renda per capita. Esse período foi quase tão danado quanto o da Era Dilma Roussef (2011 a 2016), quando a depressão econômica também foi gigante, sobretudo nos últimos quatro anos de sua gestão, com empobrecimento per capita de 8,9% e desemprego afetando 14 milhões de brasileiros ativos. Dilma ficou impedida de governar pelos congressistas, dia 31 de agosto de 2016. Silvério traz à lume que o Empréstimo do Governo Federal – EGF feito em 1991, quando o Preço Mínimo à saca de arroz era de apenas Cr$ 1.800,00. A dívida aos fornecedores do crédito estava elevada. “Íamos quebrar, pois no EGF, dá-se em garantia ao banco o produto pelo Preço Mínimo. Praticamente toda a produção entrou nessa garantia para, então, podermos pagar o cooperado”, diz Silvério. “Em julho de 1991, os EGFs começaram a vencer e ficamos sem o produto para beneficiamento.”

Hora difícil Irineu Manke, presidente da Juriti, como fora sempre muito íntegro e sério, não permitiu processar arroz que não pertencesse à Cooperativa, restando ao comando da entidade tentar uma negociação com o Banco do Brasil e o Bradesco. O gerente do Bradesco propôs uma conversa com a respectiva diretoria em SP, na crença de que tudo daria certo. “O Banco do Brasil foi bem mais duro”, relata Silvério. Chegou um momento, numa tarde de julho de 1991, perto das 16 horas, que, “ou pagava-se o banco, ou o produto passaria às mãos do Governo”, emociona-se Silvério. “Irineu sentiu bastante aquele momento”. “Vocês toquem isso daqui”. A turma do ‘deixa disso’ agiu logo: “Seu Irineu, calma! Uma hora dessas a coisa muda e tudo melhora. Estamos fazendo tudo certo, de forma honesta”, insistia Silvério.

63 E foi o que se registrou. Em 19 de setembro de 1991 o mercado deu uma reagida inesperada e excepcional. Os preços do arroz dispararam. O produto começou a girar. Aos poucos o EGF foi sendo quitado, fechando o fatídico 91 ainda com um saldo positivo. “Um alívio; o contentamento foi grande e geral”, relembra Silvério. Em 50 anos de história, apenas um balanço foi negativo, relata Silvério, por uma decisão colegiada o Conselho de Administração, da qual ele também compôs opinião congênere. O preço de mercado do arroz estava R$ 22,00 a saca, e a Cooperativa pagava os mesmos R$ 22,00 ao associado, ou seja, sem nenhuma margem. A política de preços da Juriti consiste em pagar o cereal pelo maior preço entre a data do depósito e o fechamento do dia, ou o preço que viria a fechar no futuro. Em março de 2005, o preço caíra a R$ 16,00 a saca. “Como 2004 havia sido um ano fantástico, antes da reunião decidimos correr o risco, e não baixamos o preço ao associado. Tivemos, então, um prejuízo de R$ 1,5 milhão, porém, de forma consciente. O sócio ficou esclarecido da verdade e também orgulhoso pelo gesto da Cooperativa”, conta Silvério.

Torniquete apertado A década de 1990, tida como a mais delicada desses primeiros 50 anos, estava chegando ao fim. Ufa! Após vários planos econômicos e um empobrecimento gigantesco da agricultura brasileira, o preço do arroz começou a reagir em outubro de 1997, ainda que lentamente. Um fato que chamou muito a atenção nas “debulhas” históricas ficou chapado na ata da assembleia de 20 de março de 1999, que replica um documento anteriormente lançado pelo Conselho de Administração, colocando no cabresto os sócios infiéis, afinal, a crise estava ficando para trás, e a Cooperativa continuava estendendo vários benefícios a todos. Era hora de mudar o tom da conversa. O pulso firme de Manke, blindado pelos demais conselheiros, escreveu essas palavras, e ai de quem não as levasse a sério:

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A guinada

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A incorporação da Itajara Em 1998, o Banco Central do Brasil – Bacen, cria o Programa de Revitalização de Cooperativas de Produção Agropecuária – Recoop, para tirar o setor da UTI, visando abrir novos financiamentos e repactuar dívidas antigas. Mesmo com um projeto módico, a Juriti aproveitou a oportunidade dada pelo Governo Federal. À época, a Cooperitajara, de Jaraguá do Sul, também atuava com arroz. Porém, sua estrutura de equipamentos estava um tanto defasada. Era sinal de que não havia claro interesse em investimentos e melhorias. Um comitê recomendou que a eminente incorporação deveria ser entre a Cravil e a Cooperjuriti: A Itajara detinha um processo de parboilização de arroz idêntico ao da Juriti, só que para pouca quantidade, se comparados. Assim, a decisão migrou para atuar com arroz branco na referida unidade de Jaraguá. Foram cerca de quatro anos dessa forma, aproveitando a matéria-prima oriunda de toda a região. A inviabilização da iniciativa deu-se quando o produto final começou a ficar muito quebradiço, talvez pelo clima. Silvério lembra que o caminho foi trazer o cereal do RS. O produto ia até Jaraguá para empacotar e voltava a Massaranduba para comercialização, ou seja, “muito trânsito e pouca margem”. Em 2015, a Juriti decidiu desativar a processadora de Jaraguá e passou a comprar arroz branco de terceiros. A marca Itajara permanece e tem seu nicho garantido.

67 E já é hora de conhecermos uma etapa importante do “voo” da Juriti: o processo industrial do pé, ao topete.

Início da obra dia 18 março 2015, às 9h45min.

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Completo, moderno e complexo

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69 Assim que o arroz chega do campo, vai direto para a calagem, de onde são retiradas amostras para a classificação, obedecendo vários parâmetros de qualidade.

2 Rapidez Em seguida, vem a pesagem do arroz e a descarga, esta, totalmente automatizada através de tombadores. Antigamente as cargas eram retiradas dos caminhões, manualmente. Na Cooper Juriti, as máquinas de limpeza estão acopladas à mesma estrutura. Tais seções de produção já contam com projeto para modernização nos próximos anos. Tudo é pensado para otimizar tempo de recepção a atender demandas da indústria, proporcionando agilidade na descarga dos caminhões do arroz recebido dos produtores.

3 Resíduos Os resíduos do arroz em casca são retirados nas máquinas de pré-limpeza e se transformam em ração animal complementar. Grãos falhados ou, mesmo, residuais da lavoura, viram silagem. O valor nutricional é satisfatório e agrada os usuários.

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1 Padrões

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4 Parboilização Palavra difícil de pronunciar e fácil de entendê-la. Após lavado, o arroz é encharcado em água quente (hidrotermia). Esse processo homogeneíza em todo o seu perímetro, os nutrientes contidos na película e na casca, além de evitar quase que na totalidade, os grãos quebradiços nos processos industriais seguintes. O encharcamento leva de 6 a 8 horas, inicialmente a 82o C, estabilizando entre 61 e 62º C. Toda a água utilizada é tratada em estação própria. A gelatinização se dá em estufas, que promove a “soldagem” do grão. “Esse alimento é o mais completo antes do integral”, afirma Leomar Eger, gerente industrial. “Por ser pré-cozido, esse arroz leva menos tempo de preparo na cozinha e a cor suavemente amarelada do parboilizado indica que uma transformação planejada ocorreu, portanto, diferente do arroz branco”, completa. Em seguida, o arroz passa por secagem e a umidade, que durante o processo chega a 30%, volta aos 13%.

71 Todo o arroz Buriti Integral é Parboilizado. A vantagem competitiva desse alimento é que, por ser integral-parboilizado, é mais rápido para cozinhar. O processo de beneficiamento inicia no descasque dos grãos de arroz através de torção, que é infringida ao grão por meio de dois roletes, os quais rotacionam em diferentes velocidades. Assim que esse descasque é feito, já se tem o grão integral Buriti. Depois do descascador, o arroz vai para as “marinheiras”. Logo após, segue ao “brunimento”, que consiste num jogo de pedras que friccionam o grão para retirar a película externa (farelo de arroz), sendo este o processo que diferencia o arroz Parboilizado do Integral. Em seguida, micro-jatos d´agua fazem o polimento final, garantindo margem zero de partículas em sua volta. Após esse polimento, o arroz sai com temperatura um tanto elevada. Então, é remetido para as torres de resfriamento, fator

que

diminui a umidade. Então, pode ser classificado e selecionado. Esse processo elimina a chance de micotoxinas e mofos.

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5 Integral

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6 Energia limpa As estufas da Cooperjuriti são do modelo tradicional e usam a casca de arroz como fonte de energia, seja normal ou em forma de briquetes, que contém uma espécie de ligatina, que compensa com água, tornando-o espesso. O briquete se assemelha à lenha em rendimento, se parece com uma tora, facilita o transporte e o controle da temperatura, pois não se degrada tão rápido com as chamas. Antigamente era usada apenas madeira nativa. Hoje, a cooperativa tem um sistema 100% sustentável. O presidente Orlando Giovanella recorda que, tempos atrás, eram cerca de 5.000m3 de lenha por ano, número que estaria triplicado atualmente. “Imaginemos o menor custo e a quantia de árvores que ficam protegidas, sem contar a máxima captura possível da água da chuva em usos secundários”, compara o presidente. Casca de arroz como energia.

73 A cinza do arroz recolhida das fornalhas passa pelo “desaguamento”. A parte sólida é usada por empresas de compostagem na fabricação de adubos e jardinagem. A água que remanesce, já decantada, entra em piscina de reciclo, sendo reutilizada nos lavadores. Explica-se: a cinza que ainda restou, mesmo em pequena quantidade, atua como uma espécie de carvão ativado.

8 Controles

1972.

1998.

2018.

Os controles de processos são 100% automáticos, desde o ligar e desligar de máquinas. O sistema industrial é ´inteligente´. Cada etapa ou equipamento ´entende´ a fase anterior e a posterior, auto-monitorando as quantidades de produto remetidas adiante e ´sabe´ a quantia da caixa anterior. Isso é reflexo da atuação de sensores. Em caso de embuchamento, toda a linha para e uma sirene dispara. Por uma tela de computador é possível descobrir o ponto exato do problema.

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7 Cinza

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Em todo o processo, existem balanças de fluxo. Isso facilita a gestão do rendimento da indústria, observando gargalos e melhorando a performance produtiva. As máquinas densimétricas separam o grão por finura, perfis, arroz vermelho (que é retirado) e outras estratificações. As seletoras atuam por imagem, donde são conhecidos os tipos de arroz pela cor. No caso da Juriti, o padrão é Tipo I.

75 mento: “Caetano Veloso dizia que um sonho que se sonha só, é só um sonho. Sonho que se sonha juntos, é realidade. Hoje presenciamos um sonho sonhado, gestado, buscado, sofrido e, enfim, parido”. O terreno tem 39 mil m2, área construída de 11.788m2, sendo para a indústria de beneficiamento de arroz, 3.866 m2 com capacidade para processar 18.000 quilos por hora de arroz em casca, mais depósito de insumos com 3.924 m2, loja agropecuária e centro administrativo somando 2.504 m2, refeitório e vestiários com 673 m2. E, ainda: áreas de utilidades com 821 m2. Foram aplicados mais de R$ 30 milhões no projeto.

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Na inauguração da nova estrutura industrial, Silvério Orzechowski, musicou em pronuncia-

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9 Empacotamento São cinco máquinas empacotadeiras de extrema rapidez, higiene e segurança, ao lado de uma larga área para estocagem, com sistema logístico ágil e profissionais treinados.

1998.

2018.

2018.

10 Coprodutos A última etapa do processo industrial da Juriti, gera uma lista de subprodutos a partir da película do arroz e a quirera. São alimentos certificados pelo MAPA, disponibilizados em big-bags, sacas e a granel, atendendo associados, clientes e empresas. Gado de leite, peixes, aves e suínos são animais que aproveitam muito bem esses coprodutos oriundos do processo de beneficiamento do arroz. Igualmente, a mais recente novidade para cães, com a marca Bom pra Cachorro. O farelo de arroz é rico em estrato etéreo. Por ser derivado da parboilização, é potencializado.

77 Um dos lançamentos da Juriti de visível sucesso é o “Arroz de Saquinho”, com porções de 125 gramas, fácil e rápido de preparar. Também chamado de arroz boil-in-bag, é indicado para famílias pequenas, quem mora sozinho ou para todos os cozinheiros que querem, facilmente, acertar o ponto de cozimento e aromatizar a água do processo, atribuindo sabor especial. O saquinho é biodegradável e repleto de micro-furos. Ao mergulhar em 1,5 litro de água fervente e temperada, os furos absorvem o sal e outros condimentos. Após cerca de 20 minutos, o recipiente (atóxico), é retirado e a porção está ali, prontinha e saborosa, com a panela praticamente limpa, sem risco de queimar o alimento.

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A linha de produtos

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Amplo, humano e ambientalmente ajustado Em todo o parque industrial, incluindo áreas de depósito e loja agropecuária, praticamente não é usada nenhuma luz artificial durante o dia, apenas luz solar, que transpassa telhas especiais. As coberturas das obras são térmicas, existem fartas saídas de ar, gerando ambientes confortáveis, ao mesmo tempo em que protegem os produtos. É estrondosa a economia da Cooperativa com gastos de energia elétrica. Captação da água da chuva para reuso, segurança absoluta a visitantes e trabalhadores, e estacionamento fechado, completam o empreendimento. O novo complexo industrial também contemplou uma moderníssima seção de consumo em uma área ampla. Há dois anos, quando tudo recomeçou em um novo local, eram cerca de 3 mil itens; ao comemorar 50 anos, são quase 6 mil. Até o supervisor de vendas, Dionísio Kruger, há dois anos na Juriti, se impressiona com o gigantismo e o alcance comercial: “Insumos para a piscicultura, completa linha pet e grandes animais, mais os produtos veterinários, defensivos, adubos e fertilizantes, sementes, farelo de arroz, componentes para as culturas de palmáceas e bananas, ferramentas e afins, são parte de milhares de mercadorias ofertadas à comunidade em geral”, relata, entusiasmado. Sob a coordenação da gerente Edite Tambosi Lamin e de uma equipe de alto desempenho, as vendas duplicaram em poucos meses.

79 acertos de contas, verificação de saldos, financiamento e subsídios, acertos da safra de arroz e busca direta de recursos. A humanização em tudo o que faz, é o ponto forte da Juriti.

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Já na seção de atendimento ao associado, que fica no 1º piso, outro ambiente “de cinema” para

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Área administrativa Em escritórios amplos, climatizados e modernos, e poucos empregados - prova de que a estrutura é enxutíssima –, estão dispostas salas para a presidência e superintendência, secretaria e recepção, Gestão e RH, diretoria administrativo-financeira, controladoria, TI e comercial. Quem pisa pela primeira vez na suntuosa e eficaz estrutura, de cara sente leveza, transparência, uma suave alegria nas cores, salas e corredores amplos. “Tudo foi pensado pelos engenheiros e nossas equipes de maneira que se tenha o máximo de conforto aos profissionais, fazendo com que sejam eficientes, sem esquecer do bem-estar”, argumenta o diretor administrativo-financeiro, Francisco Pawlak.

Confiança digital A segurança digital é diretriz número um na Juriti. Conforme relata o analista de tecnologia de informação e comunicação Valmir Cruz, os investimentos são altos, porém, o comando da cooperativa compreende a sua necessidade e sempre apoiam os projetos. Constata que “o valor da Cooperativa não é apenas monetário; está, especialmente, nas informações rápidas e confiáveis das quais dispõe. Sem isso, não se pode tomar decisões hoje em dia”.

81 Outro importante sucesso implantado foi o BI (Business Intelligence), ferramenta muito importante para a gestão, a qual vai facilitar e agilizar muito a análise dos dados do passado e do presente, e estimar o futuro, possibilitando, assim, aos gestores tomadas de decisões mais assertivas e ágeis.

Unidade Patrimônio Massaranduba

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Aplicações

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Unidade RS Em 2003, a Cooperjuriti comprou uma unidade de recepção, secagem e armazenagem de arroz em Santo Antônio da Patrulha (RS).

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Unidade de Beneficiamento de Sementes - UBS

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Célula única: Gestão Social e RH É raro ver isso! A Juriti, há três anos, uniu ações de recursos humanos e de desenvolvimento social num único escopo estratégico. Com 16 anos de casa, Ródney Machado, coordenador social e RH, por 13 anos sentou-se ao lado de Verônica Hilbert. Após 35 anos de Cooperativa, Verônica é conhecida como a matriarca dos empregados pelo instinto de luta, ajuda e proteção. Na ótica de Ródney, esse fator humanitário, aliado ao grande pacote de benefícios, faz com que o índice de satisfação dos empregados seja elevado, “pois o relacionamento interno, a profissionalização e a harmonia são intensos”. Com esta consolidação, Leila Estrowispi, de larga experiência cooperativista, atua na função de Gestora Social e de Recursos Humanos, e representa um setor que consegue sistematizar melhor, organizar, dar mais peso e aproximar pessoas, a exemplo da reestruturação das lideranças, organização do núcleo feminino e formação do grupo de jovens com o apoio do Sescoop/SC. E não só isso: tem a implantação do Jovem Aprendiz, o projeto Cooperativa na Escola, um novo site e formatação de revistas, balanço social, boletins, guia do profissional Juriti, desenvolvimento de gestão, pesquisa de clima, ouvidoria. Esses são alguns “implantes” bem-sucedidos no setor, com amplo apoio da direção a aceitação da base social. Observe o que ela diz:

“A Cooperjuriti é o melhor lugar para trabalhar em nossa região. Prova disso é a lista de famílias a esperar para ser cooperada da Juriti e a grande quantidade de currículos que recebemos. No último processo seletivo para jovens aprendizes, tivemos mais de 30 candidatos para oito vagas; desfrutamos do melhor plano de benefícios que conheço em 25

85 Em maio de 2018, a Cooperativa contava com 150 empregados diretos, 40 terceirizados e 742 famílias associadas. Considerando cerca de quatro integrantes por unidade familiar, são aproximadamente 3.700 pessoas beneficiadas de alguma forma com medidas e planos adotados pela diretoria da Juriti, que favorecem melhor qualidade de vida e conceituam a Cooperativa no mercado.

Marca empregadora Esse propósito é relativamente novo e prevê mostrar ao mercado o ambiente interno da organização, a sua cultura, a forma de trabalho, os benefícios, tudo de maneira muito autêntica para, então, atrair novos talentos e que estes consigam incorporar os preceitos da empresa em ações práticas. É desafiador unir a expectativa do candidato ao perfil do contratante. Atualmente, muitas pessoas, sobremaneira os de gerações mais novas, querem se realizar como pessoas, mesmo estando empregados; querem um lugar que faça a diferença; onde se sintam importantes e valorizados. A maioria quer trabalhar porque gosta, e nem tanto porque precisa, afinal, as famílias, atualmente, têm melhores condições de que 50 anos atrás. Assim, o maior desafio das organizações é comunicar com excelência aquilo que tem de melhor. Na Cooperjuriti, esse esforço é gigante, como se pode observar a seguir.

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anos de experiência cooperativa.Unificando as duas áreas, atribuímos um olhar constante às ações de desenvolvimento e profissionalização para cooperados e profissionais contratados.Buscamos ouvir, ouvir e ouvir sempre para que haja satisfação, a qual leva à felicidade, e pessoas felizes dão resultado”.

86 COOPERJURITI Leila Estrowispi, gestora social e de RH, e Ródney Machado, coordenador de RH.

O que é que a Juriti tem? A baiana, todo o mundo sabe que tem acarajé. E a Juriti? Oh, tem tanta coisa boa, e vamos contar um pouco agora; ações que mexem, mudam a vida das pessoas, atribuindo outros tons. Para lançar seus ideais, se inspira na esperança do agricultor, “que enfrenta a chuva de pedra, a falta d’água, a oscilação de preço e, mesmo assim, vai lá e acredita novamente numa nova safra’’.

Planos de saúde - Atende empregados e dependentes, associados e familiares, através de convênio com empresa especializada. A Juriti paga 20% do custo da mensalidade do cooperado.

Plano odontológico - Destinado a empregados e seus familiares, bem como associados e dependentes, com descontos consideráveis.

Medicamentos - A Juriti paga 40% dos medicamentos para todos os empregados, associados e dependentes. O associado Vicente Besen diz que esse benefício foi uma das melhores decisões tomadas pela diretoria.

87 - O médico atende três vezes por semana no ambulatório da matriz, empregados,

associados, terceirizados e seus respectivos grupos de dependentes, com custos simbólicos.

Nutrição balanceada - Um refeitório impecável em termos de higiene acolhe os profissionais Juriti, visitantes e terceirizados para as refeições em todos os turnos. A alimentação é estudada criteriosamente, conforme a demanda calórica exigida pelas atividades. A administração está na responsabilidade de uma nutricionista.

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Médico

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Uma vida segura - Os planos de seguro de vida disponibilizados aos empregados chegam a 37 vezes o valor do salário. A Juriti entende que nenhum recurso financeiro é mais importante que a vida. Contudo, nesse caso extremo da ausência de quem mais se ama, o impacto da perda é amenizado através dessa ação. Essa proteção não é apenas em casos de morte. “Em qualquer dano parcial à vida, o plano é acionado”, diz Leila Estrowispi.

Diálogo Semanal de Segurança – DSS - Com o empenho do técnico em segurança

89 Acidentes – CIPA, uma vez por semana são usados de cinco a 10 minutos para tratar de conteúdos ligados à ergonomia, postura corporal, prevenção de acidentes e correlatos. Sílvia Gomes, que atua na controladoria, disse que o programa é muito interessante, “pois sempre tem uma dica nova; às vezes, até a gente conhece um pouco do assunto, porém, pelo fato de trazerem a limpo e permitirem que os colegas tirem dúvidas, os temas acabam sendo bem atrativos e úteis”.

Reconhecimento pela produtividade -

A remuneração do capital do associado é

intocável e preservada, e o Programa de Participação nos Lucros e Resultados da Juriti garimpa metas extras, conseguidas pela eficiência interna das equipes. Os índices carregam pontuações setoriais e globais, estes últimos, aspergidos a todos os profissionais. Outros, como medidores de qualidade e segurança, também ganham gratificações, se alcançados. Para Ródney Machado, que coordena férias, 13º, FGTS e toda a engrenagem trabalhista da Cooperjuriti, esse adendo monetário se soma à garantia de ter o salário na conta até o 5º dia do mês subsequente, e em 50 anos “nunca houve atrasos”. Já o Programa 5-Ss e 10-Ss, a homenagem aos jubilados, além da facilidade com que a diretoria estabelece uma relação aberta e franca entre empregado e associado, são fatores que favorecem a um fantástico clima organizacional e produtividade invejável.

Convívio saudável - Que tal distrair a mente por alguns instantes e dar aquele toque no reforço de uma boa amizade entre as gerações e com diferentes setores? Boa ideia! Dá até para alinhar o assunto esportivo e a pescaria do fim de semana. Na área de lazer, um ambiente propício e agradável, sai aquele carteado após o almoço, além de possibilitar outros jogos como o tênis de mesa.

Ouve aqui, acontece ali - Pensa que é fácil abrir o jogo, assim, bem de frente? Na Juriti, a ouvidoria é coordenada pela área de Gestão Social e RH, tanto com os associados – sempre em junho, na entressafra, nos 24 atuais núcleos – como com empregados duas vezes ao ano em conversas mais particulares.

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do trabalho e uma apresentação temática dos integrantes da Comissão Interna de Prevenção de

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Em círculos e sem a presença dos gerentes e dos diretores (exceto no caso de os associados convocarem um dirigente), o coração democrático pulsa forte quando ocorrem as livres manifestações. Leila revela extrema alegria ao falar dessa coleta de sugestões, críticas ou aprovações, “pois a diretoria tem nas mãos uma riqueza real e leal do dia a dia, e isso facilita o planejamento, ao mesmo tempo em que engaja as pessoas”, assinala a gestora. Isso acontece, porque as atas se transformam em relatórios, sem a citação dos nomes que indicaram tal assunto. Pela revoada, na Juriti todo mundo bate suas asas pra valer, sem ferir ninguém.

91 - A Cooperjuriti tem vários programas de treinamento e

desenvolvimento, como coaching, gestão e liderança, aumentando o comprometimento. O colaborador Leomar Eger já participou do processo de coaching num momento em que mais precisava para potencializar habilidades e autoconfiança. Ele atribuiu ao curso o sucesso em incorporar novas estratégias para se tornar um líder de sucesso. “Ganhei um presente maravilhoso.” Para Leomar, isso é preponderante, ainda mais para uma cooperativa comprometida com milhares de pessoas e com boas perspectivas de continuar gerando alimentos saudáveis aos consumidores.

Leomar Eger – gerente industrial.

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Capacitação constante

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Mulheres cooperativistas Com 130 horas de preparação, o Comitê Feminino Juriti une 35 mulheres, é apoiado pelo Sescoop, cumpre um calendário anual de ações e tem prospecções de longo prazo. Em 2018, lançou um livro com receitas à base de arroz, a partir das próprias experiências, já que todas são rizicultoras. Todos os meses, vão para a mesa dos debates a gestão e a participação cooperativista. Viva! Essa “calda” ajudou a aumentar o número de mulheres sócias e elevou, através de eleição ao Conselho de Administração, a primeira mulher em 2016: é Vitória Meurer Guszaky. Várias outras passaram a liderar os núcleos. A meta, no médio e longo prazos, é chegar a 50% de mulheres no Conselho e 50% a guiar os núcleos. A coordenação acrescenta:

“Com o tempo e a autopreparação da mulher, tanto integrantes da família, quanto as comunidades, começam a perceber e a aceitar uma mudança gradativa e significativa. Nessas 35 famílias, a visão já é bem diferente em relação ao papel feminino. Reconhecemos que ainda é baixa, mas está se elevando ano a ano a participação da mulher nas assembleias. Isso é um ótimo termômetro. Já nos deparamos com mulheres que perderam seus maridos e de uma hora para outra sentiram grande dificuldade de administrar os negócios rurais, justamente por não conhecerem o assunto”.

95 COOPERJURITI É por essas e outras razões que muitas mulheres na Cooperjuriti estão semeando o próprio protagonismo através de viagens técnicas, na interação das Noites do Arroz Solidário. Sandra Besen, que participa dos encontros, afirma ter aprendido muito, afinal, “é cooperando que chegamos a grandes objetivos, ainda mais junto de pessoas maravilhosas que trabalharam conosco”, diz a agricultora, que vibra: “Fui ser personagem do teatro que apresentamos no seminário das mulheres cooperativistas; senti-me uma atriz de verdade”. E a Cooperativa? “É um porto seguro”.

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Líderes A Juriti remodelou seu quadro de líderes, organização social que já vem de muitos anos. Desde 2013, com as reuniões de núcleos, os associados elegeram seu representante, nomeado Líder do Núcleo. Após uma rodada de 24 reuniões, se fechou a primeira eleição para o Comitê de Líderes. No segundo ano, por ser algo novo e, a pedido deles, o mandato passou de um ano para dois, e, em 2018, em decisão coletiva, para quatro anos. Isso mostra que houve aceitação plena dos associados. Atualmente, muitos dos problemas, sugestões e questionamentos são resolvidos entre o cooperado e o seu representante, o lider.

Líderes de núcleo são, também, responsáveis pelos rumos da cooperativa.

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Líder eleito Região de atuação Mandato 2018–2022 Ademar Safaneli

Massaranduba

Clóvis Cristofolini

Garuva

Everaldo Sprung

Guaramirim

Fabiano Kempski

Massaranduba

Francisco C. Dalpra

Guaramirim

Gilberto de Azevedo

São João Do Itaperiú

Gilmar Schunke

Jaraguá Do Sul

Irio Will

Massaranduba

Ivan Junior Jagiello

Guaramirim

Janerson Hornburg

Guaramirim

José Carlos dos Santos

Picarras e Barra Velha

José Witkowski Jr

Massaranduba

Mariléia Pacher

Massaranduba

Mario Moser

Luiz Alves

Marise Mohr

Massaranduba

Max Koehler

Jaraguá Do Sul

Namir Besen

Massaranduba

Osnir Zanluka

Massaranduba

Roberto Cisz

Massaranduba

Rodrigo Stolf

Jaraguá Do Sul

Ruben Fauth

Massaranduba

Sandro Jarozinski

São João do Itaperiú

Vanderlei Moser

Massaranduba

Werner Marquardt

Massaranduba

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O

canto do pássaro juriti é suave, manso e um tanto enigmático. O volume do som vai de mediano a baixo. A sonoridade se parece com a de um sopro humano no bico de uma garrafa. Tem musicalidade única. Quem sabe Deus tenha optado assim para não chamar tanto a atenção dos predadores, já que não é um pássaro muito robusto. Contudo,

esse encantador assovio é capaz de informar com clareza aos mais próximos, as mensagens pretendidas. Há uma humildade bela e emocionante nesse gesto que, junto ao caminhar tranquilo e seguro da pomba juriti, não agride seus pares, nem a natureza; ela se farta da generosidade ofertada pelo universo sem destruí-lo e devolve harmonia ao seu habitat.

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O Canto

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A

lgo bem similar acontece com a Cooperjuriti que, ao festejar 50 anos em 2018, sempre procurou crescer, desenvolver e encher de alegria seu entorno. Tudo isso, sem lançar mão do estrondoso e caro barulho de marketing ou mídia, nem ferir a concorrência. Isso se chama respeito ao mercado! Passo a passo, a Coo-

perativa evolui, especialmente nos últimos anos, com incríveis taxas duas vezes maiores que a inflação, isso tudo, distribuindo e compartilhando sobras à família associada, gerando indiscutível bem-estar, tornando a comunidade massarandubense uma espécie de “estufa” acolhedora e que, nesse cinquentenário, aplaude de pé esses ideais. A diferença entre a Cooperativa e a simbólica ave que norteia esse projeto literário, reside no ideário dos pensadores da Juriti, “nunca terem dado comida na boca de ninguém”, e sim motivaram e animam as pessoas a, voluntariamente, se saciar de muitos e ricos pratos informativos, justamente para evitar a geração de “dependentes”, condição que, se instalada, aniquila a boa vontade do ser humano e, em última instância, os torna inúteis. E esse seria, talvez, o pior dos sentimentos. A Cooperjuriti é uma verdadeira ‘‘fábrica’’ de cidadãos. É isso que será visto neste capítulo, desde os primeiros passos.

O clarinete silencia Sim, é preciso tocar nesse delicado assunto. OK, justamente aqui, neste capítulo que afaga o canto, asperge o festejo e semeia a magia? Sim, exatamente aqui, afinal, aquele som espetacular de cada palavra dita e cada exemplo emprestado a milhares de seguidores um dia começara a enfraquecer. A vida é assim, repleta de reinícios e de finitudes. Ou seria de infinitos? Um dia, após a forte crise de 1991 que abalou o ânimo de muitos, o então abnegado presidente da Cooperjuriti, Irineu Manke, chegou em casa e, fitando sua amada esposa Anne, lhe disse: “Não consigo mais levar adiante minha missão”.

101 COOPERJURITI Registro de Irineu Manke no início de 2003, nos 35 anos da Juriti, seis meses antes de falecer.

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Anne afirma que Manke amava tanto a Cooperativa que, aos domingos, ia até a sede para retirar o jornal, sabendo que o noticiário poderia ser remetido em sua residência. “Na verdade, ele só queria dar uma olhada para ver como estavam indo as coisas por lá”, diz. E então, o seu vice-presidente, na época, Antenor Borgonha, completa: “Ele tinha a Cooperativa na veia”. Na “sagrada” semana de férias, em fins de dezembro, passadas sempre no balneário de Barra Velha, Manke voltava a Massaranduba duas vezes em sete dias para conferir se estava tudo bem. “Meu esposo não se desligava da Cooperativa 24 horas”, comprova sua esposa. Três anos antes de falecer, já muito doente, numa das internações que durou 30 dias em Blumenau, Silvério Orzechowski, ajoelhado em frente ao leito hospitalar, lhe disse, como a suscitar um milagre: “O senhor precisa levantar dessa cama, pois não consigo tocar os negócios da Cooperativa sozinho!”. Ouvindo o conclame do amigo, que imaginava animar o paciente, Irineu começou a chorar copiosamente. “Confesso que não aguentei aquela cena; foi muito forte para mim. Saí da sala”, recorda Silvério. Numa certa feita, o valente presidente implorou a Silvério: “Leve-me a Blumenau, não estou nada bem”. A fase mais crítica aconteceu entre 2001 e 2003. Foram muitas internações em hospitais. Junto com a família e alguns amigos mais próximos, Silvério acompanhou a travessia final do seu lado e resgata: “Ele chegava a parar de respirar, com sã consciência, para poder ‘passar’… (pausa para recomposição emocional). Eu o visitava duas vezes por semana”. Noutro momento, Silvério e Anne, de mãos dadas, pensando que a derradeira hora estivesse chegando, começaram a orar, e o bravo combatente conseguiu resistir. Peleando mesmo sem tantas esperanças, Irineu foi encaminhado a Curitiba, de onde só voltou sem vida. Na fase de convalescência de Irineu Manke, quem se obrigou a assumir o comando administrativo e político da Juriti, foi Silvério Orzechowski. “Acredito ter sido minha maior colaboração para com a Cooperativa” diz, orgulhoso. A morte de Irineu Manke aconteceu em 16 de junho de 2003, aos 73 anos; nascera em 8 de agosto de 1929. Silenciava a alegria de um dos maiores líderes cooperativistas catarinenses. Como suave brisa, ecoa até hoje sua sabedoria.

103 O que significa para a família de um ente querido que recebe a homenagem com um busto em praça pública? Quem sabe, um gesto consiga expressar bem mais que palavras. Anne Lore acompanha o autor e o técnico Adailton até o centro de Massaranduba em março de 2018, com semblante de confiança e andar rápido. Ao chegar, vai logo abraçar seu amado, agora com o coração de bronze: “Foi muito especial para toda nossa família essa homenagem do povo massarandubense; significa que Irineu era honrado, caso contrário esse busto não teria sido aprovado e feito para lembrar sua memória. Essa praça tem o nome dele, e isso muito nos orgulha”. No dia da homenagem, Silvério Orzechowski exclamou: “Irineu, somos todos seus filhos. Esta praça é sua!”.

Antenor Borgonha, Orlando Giovanella e Anne Manke.

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A praça acolhe seu herói

104 COOPERJURITI

A música não podia parar Com a morte do presidente, assumiu automaticamente a vaga, por força de Estatuto, o vice-presidente, Antenor Borgonha. Apesar da pouca experiência em gestão, Antenor fez seu melhor, tendo apoio de todos os lados num momento bastante delicado em termos de representatividade, afinal, as ideias de Manke eram (e ainda são) veneradas e usadas como referências. Aos poucos, Borgonha foi incorporando os desafios e “pegando o jeito”. Rizicultor, do dia para a noite se viu sentado na cadeira de presidente da Juriti. Foram dois mandatos, de 2004 a 2012, mais os seis meses de 2003. Recorda Borgonha que, por várias vezes, Irineu não cedeu à presAntenor Borgonha

são dos associados, quando esses queriam uma fábrica de leite. “Ainda bem, pois isso tudo teria sido uma furada. Quando se muda de

ramo, deve-se ter uma boa análise antes, quem é o cliente, com quem se vai brigar no mercado, e assim por diante”, afirma. “E isso a gente aprendeu com seu Irineu, que falava pouco, era grande estrategista e enxergava longe”. O começo de sua gestão, reconhece Antenor, foi muito desafiador. “O principal patrimônio sempre fora a sua marca e idoneidade”, relata. Na gestão de Borgonha, a estrutura permaneceu enxuta, pois o ex-presidente adotara esse padrão. Confessa que ficou um tanto chocado, pois centenas de agricultores cobravam propostas. Além do mais, teve que abrir um restaurante, ge-

105 Afirma que teve amplo apoio de familiares e colegas de trabalho para dar conta da missão: “Ninguém negou fogo e eu procurei manter um contato bem próximo com as pessoas”. Costumava relatar aos cooperados que o maior prêmio ao agricultor é uma boa colheita, “um sinal de que o esforço apareceu, e o preço, é o mercado que faz”. Borgonha saiu da função de presidente depois de uma disputa com Giovanella. Antenor se considera muito feliz, pois aquela batalha coletiva rendeu frutos até hoje, a exemplo da nova sede erguida na gestão de Orlando.

Evolução técnica com amor Anicleto Bordin, 68 anos, de Ribeirão Wilde – Massaranduba, só de ouvir falar no nome de seu filho, amigo, gestor e parceiro de jornada Clodoaldo, 42 anos, se emociona por saber que está ali do lado “acertando ou errando, mas sempre juntos”. A filha é professora de Inglês em Luiz Alves. A matriarca Sílvia, 71 anos, nascida ali mesmo, ainda festeja ampla reforma da casa em 2004, cuja arquitetura inicial ganhou vida em 1964. Missão maior de Sílvia? Gerenciar a fazenda do amor familiar, cujos frutos são tão saborosos e grandes que nem a matemática da produtividade consegue calcular. Lá por 1967–68, no início da Juriti, eram apenas 80 sacas de arroz por hectare nos Bordin. Pai e filho plantam hoje 40 hectares, com 160 sacas de colheita por hectare, isso em anos de clima bom. “É porque a Cooperativa nos ajuda muito”, diz Clodoaldo. Há quatro ou cinco décadas, outra dura opção era o plantio de 10 a 12 mil pés de mandioca por safra nos altiplanos, processada em fecularias locais. “Época muito difícil”, recorda Sílvia que, dos 12 aos 14 anos, estudou num Colégio de Irmãs em Itajaí e por não se adaptar ao clima, ficando doente com frequência, decidiu voltar para a roça. Conheceu Anicleto nas plantações de arroz. Vizinhavam. “Fomos nos olhando, nos encontrando na Igreja e, depois de três meses de noivado, casamos”, lembra Sílvia.

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renciado pela esposa, para poder pagar a faculdade de duas filhas. “Foram anos complicados”.

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E assim a vida segue perfumada no manso Ribeirão. Todos os anos, se repetem alguns passos, como complemento de adubação, alagamento das quadras, aí vem a rotativa para quebrar a palha e remexer a terra, depois o trator de rodão de ferro com prancha ou tábua que nivela o barro. Em seguida, é hora do alisador e fazer valetas para escoar o excesso de água. Somente depois, já com uma mínima lâmina d´água na quadra, é que a semente de arroz encosta sua face no leito fértil e sagrado. Ali descansa, dorme, umidifica, recebe calor, brota, põe o topete para fora de sua mãe terra e... “vira gente”. Ué? Até arroz gosta de colo, comida boa e ambiente favorável? Pelo jeito, sim! O último ato dessa etapa é o arrozeiro encher de esperança todos os baldes possíveis, olhar para o céu, conversar com Deus e clamar por esperança, afinal, “tudo vai dar certo”. O técnico em Agropecuária da Juriti, Adailton Jancoswski Mizwa, que escutava o relato, disse que sempre procura agricultores com mente aberta para experimentos técnicos, e a família Bordin é uma delas, seja com novas cultivares, seja com testes de insumos recém-chegados ao mercado, ou para trocar experiências. Seriam as botas fincadas na inovação permanente, que sustentam grande parte do excelente nível de vida da população agrícola de Massaranduba? “Sim, temos clima, somos abençoados pela terra fértil que desfrutamos, mas todos trabalham muito. Se tivéssemos parado no tempo, ainda estaríamos usando cavalos”, revela Clodoaldo Bordin. E o passado? “Aprendemos o brio e o arrojo dos sócios pioneiros, que trabalhavam até de graça nos armazéns da Juriti. E que nossos sucessores também pensem assim”. Ele é esposo de Soraide Cristina Kraisch Bordin. São pais de duas meninas.

107 Pai e filho têm áreas distintas de governança. Sempre planejam e conversam sobre tudo que vão fazer, mas os custos e receitas são assumidos em separado. Na região de Massaranduba, a contratação de mão de obra terceirizada pelos arrozeiros é praticamente zero, “até porque não se consegue gente para trabalhar”, diz Clodoaldo Bordin. “Quem não é agricultor, tem carteira assinada em alguma empresa. E tem mais: como a maioria daqui são pequenos ou médios produtores, o negócio é trabalhar e economizar.” Algo bom que se registra na carismática região é a ajuda entre vizinhos, mas, “como a mecanização atingiu quase de 100% dos afazeres, até os mutirões passaram a ser desnecessários”, completa.

Clodoaldo com o pai Anicleto Bordin: amizade, valores familiares, negócios e emoções.

Anicleto não queria de jeito nenhum que Clodoaldo trabalhasse na lavoura quando criança. Porém, aos 12 anos, pilotava colhedeira e, quando apitou por ali o trator de pneus, ninguém tirava o moço de cima da máquina. “Meu filho se apaixonou pela agricultura”, comemora o sensitivo pai. “Fomos comprando mais terras e estou muito feliz de ter ele por perto.” E aí, veio aquela pausa… para um alegre e marcante choro, seguido de um abraço amoroso em Clodoaldo.

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É fácil o entendimento?

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Passado o momento fraternal, ressurge a sucessão familiar, bem do lado de um canal por onde desce água limpa que irriga por gravidade dezenas de propriedades logo adiante, até beijar o Oceano Atlântico. Essa água tem poluição zero, por conta da filtragem feita pela própria raiz do arroz, tanto que, pelo caminho, muitos peixes são criados na mesma água. “Se eu disser que eu mando, não vai dar certo”, ensina o ativo e experiente Anicleto. “Às vezes, meu filho pensa que vou errar, mas prossigo mesmo assim. Noutra ocasião, acho que a decisão dele não vai dar certo, mas não me meto e apoio”. Para Clodoaldo, o mais importante é jamais desistir de trabalhar juntos. “Sermos maleáveis é o segredo; ele é pai quando precisa ser pai; é amigo quando eu preciso de um amigo e nunca me deixou na mão. Jamais farei isso com ele, pois a família é esteio de tudo.”

Padrão de vida médio da agricultura massarandubense é muito bom, se comparado há 50 anos .

109 E como essa música faz bem aos ouvidos, à alma e ao bolso dos Bordin. Para eles, a Cooperativa é tudo, a começar pela nova sede, simplesmente maravilhosa, além do crédito e das garantias, dos locais seguros para guardar a produção, da assistência técnica, da generosa lista de benefícios, das sobras de fim de ano “e da facilidade e do respeito com que nos tratam, seja o presidente, sejam os colaboradores”, reconhece Clodoaldo. “Claro, é estatutário: o sócio tem que ser fiel, caso contrário, pode ser eliminado do quadro”. O associado revela que a Cooperativa gera orgulho por motivar todos rumo à busca de excelência na qualidade da produção alimentícia. Os 742 associados ganham as análises. Se fosse considerado o custo, seria de R$ 35,00 cada. Na rizicultura, conforme explicou o técnico agrícola Adailton, não é necessário analisar física e quimicamente o solo todos os anos: “Uma avaliação a cada três safras é suficiente”. São entre 130 e 150 análises por ano. A partir de 2019, a meta da Cooperativa, comungando conhecimento com algumas empresas, é a de iniciar o processo de Agricultura de Precisão nas propriedades. Avaliza o técnico que o “importante é o investidor usar apenas os insumos necessários, sem desperdícios, maximizando a renda de sua atividade. Esse é o papel central da assistência Juriti”.

Engenheiro agrônomo Dagvin Wachholz e produtor Acir Tass.

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Se encanta, tudo se levanta

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No tanque e mais barato Uma cooperativa eficiente precisa olhar o todo da gestão dos cooperados. Foi assim que a Juriti “mexeu” com o mercado regional de combustíveis desde 2013, através de uma parceria com uma empresa especializada para fornecer óleo diesel a preços justos e competitivos, gerando menos custos para o agricultor.

111 Em 31 de março de 2012, Orlando Giovanella, tendo como vice Arnold Fauth, foi eleito presidente. Ele sintetiza:

“Fui indicado a candidato pelas famílias, que associaram meu nome a reivindicações, especialmente quando da queda absurda nos preços do arroz, e pelo meu empenho em favor de serviços comunitários. Não fiz campanha, nunca difamei ninguém e, no dia da eleição, ao sair de casa, disse à minha família que nem precisavam se preocupar, pois dificilmente seria eleito e iria dar continuidade aos trabalhos na lavoura”. Em fins de 2011, Orlando havia levado um baita prejuízo particular numa venda de um terreno, cujos recursos iriam amenizar a safra ruim de arroz, contudo, não recebeu o crédito. Alguns cooperados até o questionaram: “Como você pretende ser presidente se está com problemas financeiros”? “Sim, tenho”, dizia Giovanella, “perdi uma safra inteira e vou resolver isso”. Verdade, simplicidade e respeito sempre estiveram a seu lado. Passados alguns meses da eleição e, tendo implantado um modelo de gestão mais arrojado, vários associados chegaram ao pé do ouvido do novo presidente a lhe soprar frases do tipo: “não

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A entrada de Orlando no comando

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votei no senhor, mas estamos do seu lado; toque o barco”. Entre as várias ações, Orlando destaca a grande repercussão positiva da implantação do plano de saúde aos cooperados. “Nunca espero contentar a todos, pois nem Jesus Cristo conseguiu. Procuro respeitar, gosto de ir nas reuniões, nunca ouvi uma palavra mais dura; questionamentos equilibrados, sempre! E fazem muito bem ao sistema”. Ao assumir o posto maior da Juriti, Orlando já tinha em mente que, no máximo em quatro anos, estaria inaugurando o novo parque industrial, tema que há mais de duas décadas era ventilado na base social, e se o feito não fosse concluído na data prevista, “nem concorreria à próxima eleição”.

Um planejamento magistral Na tarde de 11 de agosto de 2012, sob a batuta do agora diretor administrativo-financeiro Francisco Pawlak, emerge um Planejamento Estratégico para o período 2012 a 2017, que mudaria grandiosamente a história da Cooperativa. As ideias foram apresentadas para os associados, e seu resumo foi disponibilizado para que cada um apresentasse os desafios à família, “afinal, quando se fala de Juriti, dos rumos, objetivos e metas, é preciso discutir com os integrantes da família cooperada e funcional, pois, daquele momento em diante, todos passam a ter responsabilidade sobre a nova trajetória”, descreve Pawlak. O diretor revela que as sugestões macro chegavam à direção através dos conselheiros fiscais e administrativos, bem como pelos núcleos de associados. Carinhosamente conhecido por Chico, tendo o próprio local como terra-mãe, o dirigente sempre procurou se apoiar num texto bíblico para açoitar novos cenários; vem de Livro Sagrado, em Atos dos Apóstolos, capítulo 4, 32: “Ninguém considerava exclusivamente sua nem uma das coisas que possuía; tudo, porém, lhes era comum”. Para ele, esse ensinamento representa de forma fantástica a essência da Cooperjuriti. Entre os vários nomes que encamparam a nova fase da entidade, pelos profissionais internos, consta o do superintendente Silvério Orzechowski e na época exercendo a função de gerente de Controladoria, Francisco Pawlak; pelos associados, os membros do Conselho de Administração recém-eleitos (veja no fim desta obra a nominata) e, como assessores externos, os professores

113 dade do negócio e a manutenção do produtor em sua atividade no campo”, argumenta Francisco. Entre as metas, despontava a transferência das atividades administrativas e de beneficiamento de arroz da Rua 11 de Novembro (Centro) para o Bairro Patrimônio, junto do setor de armazenagem e secagem de grãos. “A chave do sucesso desse Planejamento, foi a definição de metas claras e prazos a serem cumpridos, com a identificação dos responsáveis e métricas de monitoramento, permitindo, assim, o acompanhamento entre o sonhado e o realizado”. E, sobre a majestosa nova obra, o mais difícil, para Orlando, foi o legítimo ‘‘porre’’ para a conquista das licenças ambientais. Em questão de meses, foram mais de 100 viagens até a Fatma, em Joinville. “Meu carro já conhecia a estrada de cor, uma batalha de uma burocracia insuportável”. Já estava vencendo o prazo (17 de novembro de 2013) que o BRDE havia dado para obter financiamento de R$ 20 milhões a juros de 2% a.a. “A partir daí a taxa seria maior”. Um diretor da Fatma estava para gozar férias no dia seguinte e, por volta das 17 horas da data derradeira, Orlando telefona desesperado para Joinville. Sem doçura alguma no verbo, esbraveja o seguinte teor ao diretor que, nessa Francisco Pawlak – diretor administrativo e financeiro.

altura, cultivara certa “intimidade” com o presidente:

“Se o senhor não assinar isso agora, vou acampar em Florianópolis a partir de amanhã. Quero ficar lá, plantado na frente da Fatma, até conseguir essa liberação, e o senhor dificilmente voltará a ocupar seu cargo, afinal, todo o mundo sabe que o processo

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Manfredo Krieck e Oldoni Pedro Floriani. “Precisávamos, de forma comum, buscar a sustentabili-

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está correto conforme manda a lei; sua atitude indigesta está prejudicando cerca de 700 famílias de rizicultores”. Por volta de 18 horas e 30 minutos da mesma e angustiante tarde, soa o telefone de Orlando. A resposta imediata veio em tonalidade pouco agradável, porém, positiva: “Você já me ligou mais de 10 vezes somente hoje. Pronto, está tudo assinado”! Emocionado depois de uma tortura que parecia não ter mais fim, Orlando sai em disparada para comprar uma caixa de foguetes e, entre várias pessoas que atuaram mais diretamente na árdua caminhada até então, festejaram muito. “Não me arrependo de nada; se hoje eu sair da Cooperativa, saio muito feliz. Foi uma conquista de um grupo. Ninguém faz nada sozinho. Com o episódio, aprendi que, nos dias mais difíceis, precisamos de apoio, de um ombro leal. Tive a sorte e a graça de Deus de contar com isso”. Silvério Orzechowski considera o terceiro presidente da história da Juriti como “um trator, é nosso puxador, realizador, porém jamais perdeu a humildade. Ele sabe se colocar como presidente e nos representa muito bem”. Para o depoente, a Cooperativa deu um fantástico salto nas mãos de Orlando, seja na profissionalização, ou na melhora da imagem. Um dos cooperados que aprova o atual sistema de gestão é Glaico Antônio Goetten. Diz que sua vida mudou para melhor após ter se associado à Juriti. “Até então, eu conhecia bem pouco do cooperativismo”. Glaico destaca o financiamento de insumos, a certeza de colocação de arroz no mercado e a participação nas sobras como diferenciais. Para o depoente, foi bem mais que uma mudança da parte financeira da propriedade, “foi uma mudança do modo de pensar”. Ele defende que, na sociedade atual, o melhor caminho é fazer as coisas juntos, com a força de várias pessoas, todos pelo mesmo ideal.

115 so, especialmente se os empregados honrarem suas obrigações e os sócios forem fiéis ao espírito da sua “família Juriti”.

Reunião de trabalho do Conselho de Administração, em 2018.

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Vilson Volpi, analista financeiro, acredita que a Cooperativa vai continuar tendo grande suces-

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Antes...

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Depois... 117

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A festa dos 50

No início da tarde, uma oração para agradecer a saúde, a vida, o momento, a boa safra.

Corações batiam forte por todos os lados. Uma ansiedade agradável tomava conta. “Meu Deus, como essa data está demorando tanto pra chegar”?, alguns sussurravam. E chegou! Depois de um amplo planejamento e muito trabalho, o 23 de março de 2018 ressoava seus tambores. Milhares de pessoas, incluindo a comunidade, começaram a chegar a Massaranduba para aplaudir a sua rainha, a majestosa Juriti. Gente de todas as idades, especialmente as famílias cooperadas, foi logo sendo recepcionada pelo Grupo Teatral e Performático Sou Arte, de Campo Mourão – PR, com sua estética e alma únicas. Os números apresentados pelo Grupo deixaram as pessoas boquiabertas: beleza, glamour, emoção e conceitos associativos nas entrelinhas do show.

119 COOPERJURITI Já na chegada, associados da Juriti guardavam recordação do Grupo teatral: momento ímpar. Um lindo relógio dos 50 anos era recebido com orgulho pelos cooperados Juriti. Tomaz Cassemiro Wenk refletiu: “Sinto orgulho desse momento; esse relógio é muito bonito”. Plateia atenta aos dados, para posterior aprovação do balanço de 2017.

A solenidade oficial dos 50 anos foi repleta de pronunciamentos que trouxeram fatos históricos, o desafio de começar uma cooperativa, as conquistas, os agradecimentos, as homenagens e reflexões.

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121 COOPERJURITI A vibração fala por si.

122 COOPERJURITI Silvério: “Nossa história é linda e comove”.

Orlando Giovanella: “estamos preparando a Juriti para o centenário”.

Francisco Pawlak: “orgulho de ajudar nessa fantástica trajetória”.

“Essa organização é muito séria e cultiva valores; é uma cooperativa abençoada por Deus. Se não fosse, não teria chegado aonde chegou. A Juriti faz crescer o bem e, como consequência, os associados também; é uma sociedade feita por pessoas que ‘servem’ e não ‘se servem’ do sistema cooperativo.” Padre Dácio Elísio Bona, da Paróquia Sagrado Coração de Jesus, em Massaranduba.

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123 Pastora Elke Doehl, da Paróquia Evangélica de Confissão Luterana Massaranduba – IECLB.

“Precisamos agradecer as coisas boas que o Senhor nos deu. Façam a festa com quem vocês amam ou moram com vocês. Temos nessa noite, bem presente, a família Juriti. Façamos uma prece por esse momento, por tudo o que aqui está acontecendo, pois é uma celebração especial, com pessoas especiais e por um trabalho especial que foi feito há 50 anos. Alegria pelas conquistas; gratidão a esse Deus que permite a cada um, através do Sol, da chuva, da terra e do trabalho, colhermos o tão importante alimento”.

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125 COOPERJURITI A magia do Sou arte.

Um jantar de Primeiro Mundo foi servido pela Juriti dia 23 de março, na festa dos 50 anos, “afinal, os associados merecem”, festejou Leila Estrowispi.

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127 COOPERJURITI Em 23 de março de 2018, familiares representaram os fundadores em emocionante e merecedora homenagem.

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Perpetuar intenções Uma tela espetacular mostrando a cultura do arroz e uma igreja emoldura a sala do gestor público. O prefeito atual de Massaranduba, Armindo Sesar Tassi, tem a mesma idade da Cooperativa, vem de família associada, é cooperado e administra um orçamento público que beira R$ 50 milhões por ano na Capital Catarinense do Arroz. É o primeiro agricultor depois do saudoso Irineu Manke a ocupar o cargo. Armindo Sesar Tassi

Uma de suas bandeiras, independente da política, “sempre foi a vontade de ser prestativo, de cuidar do social, assim como faz a Ju-

riti”. Sobre o peso do arroz para o município, aponta que mais de 30% do movimento econômico advém do cereal e suas interfaces com insumos e máquinas, “isso que somos bem diversificados no campo e relativamente industrializados com várias fábricas de móveis”. A Cooperativa, para Tassi, é o principal selo do desenvolvimento local por ser a maior arrecadadora de tributos, gerar empregos dignos, valorizar o rizicultor e emprestar a marca Buriti, “que muito nos honra”. Tassi diz que a Juriti foi, é e será sempre uma revolução local, “pois antecipa as transformações e é nosso exemplo, como o projeto inaugurado em 2016, simplesmente inacreditável; mudou para melhor a imagem do sistema e a de todos nós. Cabem nossos aplausos pelos 50 anos, pela parceria, pelo trabalho coletivo, que é impressionante e respeitoso”, reconhece. E quando o senhor prefeito e a Juriti cortarem o bolo dos 100 outonos? “Certo será que a produção de arroz continuará a abastecer a humanidade, e essa cooperativa terá quatro, cinco vezes o tamanho atual, pois sempre focou e vai continuar olhando para a qualidade de vida das pessoas envolvidas. Esses propósitos perpetuam intenções” Quadro exposto na Prefeitura da Massaranduba.

129 Neivo Panho

Presente à solenidade de 23 de março de 2018, Neivo Panho, diretor-superintendente da Organização das Cooperativas de SC, afirmou que o sistema sempre esteve muito ligado ao trabalho da Cooperjuriti, a começar pelo primeiro presidente da entidade, Irineu Manke, em 1971. “Como acontece com a maioria dos empreendimentos coletivos, a Juriti conjugou dois verbos com pessoas distintas: idealizar e realizar”, registrou Panho. Citou o dirigente estadual que Amantino Dall`Agnol, com seu conhecimento técnico de agrônomo, já visualizava a necessidade de um trabalho coletivo mais intenso e esteve à frente de uma cooperativa sólida na região, “pois percebia as dificuldades de os agricultores comercializarem a produção, e Manke, com suas habilidades peculiares de comerciante, efetivou a ideia de fazer o empreendimento cooperativo andar com respeito e sucesso”. Panho ponderou que, passadas cinco décadas, a Cooperjuriti está mais do que pronta para competir no mercado, com parque industrial e tecnológico compatíveis com as demandas atuais, associados conhecedores das atividades e fiéis aos seus propósitos, e empregados capacitados para dar suporte ao empreendimento. “Parabéns aos associados, dirigentes e colaboradores da Juriti por terem propiciado ao sistema associativo catarinense um belo exemplo de cooperativismo”, registrou.

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Aplauso da Ocesc

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oltar ao começo? Sim. É um recomeço sem fim. Novas “incubadoras’’ são necessárias para embriões sadios e visionários, que compreendam o que é ser comunidade, escola, família, trabalho e cooperativa, sendo cernes de esperança, de religação com a essência humana, isto é, sendo antivírus ao vazio da alma. E, assim, continuar a construção

de pessoas livres, mas vigilantes ao amor ao próximo, ao humanismo, à dignidade e ao permanente maturar da democracia. Uma incubadora permite o cuidar, orientar, proteger, se for o caso. Mais: lançar e debater pensares sobre que tipo de sociedade vai nos acalentar neste momento histórico, se é apenas um modelo segregador, individual e odioso ou pode ser, também e principalmente, associativo, digno e distributivo.

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Embriões

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A

ssim como novos embriões da ave juriti, filhos desses filhos, e filhos desses últimos, ao se espelharem na trajetória de pais, avôs e bisavós, mesmo envoltos de modernas tecnologias, que possam sentir o calor de um abraço, enxugar a lágrima de um amigo além do que, entendam ser o capital um meio de vida, e não a

razão máxima para um canibalismo entre vizinhos, colegas ou nações. E que os sistemas educacionais sejam janelas abertas à inovação, sem que fechem portas da visão sustentável do planeta, e que não destaquem as crianças por ideologias doentes e unilateralistas. Neste último capítulo, a revelação de algumas inciativas que caminham no sentido de dar suportes a essas premissas.

Desafiar o jovem Há empenho agudo da cooperativa, para suprir determinadas lacunas deixadas pelo atual modelo educacional tradicional e pelo distanciamento de algumas famílias dos jovens, sobretudo quando deixam de envolvê-los nas tomadas de decisões, fator que aquece a vontade de “fugir” das plantações de arroz. Isso, sem contar a disputa natural, na região de Massaranduba, por mão de obra em setores como o moveleiro, o metal-mecânico e o têxtil. A meta da Juriti é ampliar a associação de filhos de cooperados. Também, filhos de empregados estão de olho em possíveis vagas na Cooperativa. Na opinião do ex-presidente da Juriti, Antenor Borgonha, há um processo de franco crescimento da escala produtiva em outras regiões do País, a exemplo do RS, onde uma família produz 200, 300 hectares. Ele indaga: “Será que em SC, um rizicultor vai sobreviver daqui a 20 ou 30 anos plantando dois ou cinco hectares? E será que nosso jovem quer, verdadeiramente, ser esse investidor agrícola do futuro”?

133 alguns jovens serem alçados a conselheiros fiscais e até à administração. Nesse processo embrionário, essa casta de moços e moças já se experimenta nos eventos fazendo uso da palavra, um bom aquecimento para a missão que virá. “Muitos pais já perceberam que esse processo educativo só vai avançar com a impulsão das próprias famílias e se a Cooperativa continuar firme nessa causa”, diz Leila, do setor social, que completa:

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Leila acredita que sim e vai mais longe. Com o amparo dos dirigentes, imagina que seja possível

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Desde 2013, foi criada uma concepção na Juriti chamada “Eu Sou a Cooperativa Amanhã”, que visa conscientizar os jovens sobre um compromisso maior com o futuro do sistema. Foi em 2 de março 2016 que começou com vigor um programa educativo para jovens, aplaudido pelo Estado todo – o Jovem Coop. No começo, foram 30 participantes. Esse projeto fecha o ciclo envolvendo filhos de sócios e de profissionais, ao lado dos comitês de Líderes e de Mulheres.

135 do 20 disseram sim à tão esperada Comissão Juvenil cooperativista, um sonho e tanto para a Juriti quanto para nós, que iniciamos essa caminhada”. Kuster afirma ter aprendido muito sobre associativismo e, especialmente, sobre a importância da família, pilar para tudo nessa vida. “Vejo que essa cooperativa terá um futuro longo”. A prosseguir esse caminho, a Juriti vai longe, segundo o associado Glaico Antônio, especialmente pelos cursos de Administração, “pois o fator humano é o principal aspecto a ser cuidado numa cooperativa, e isso existia muito pouco no passado”, constata. “É esse investimento e a capacitação de associados e colaboradores que vão gerar crescimento a todos, fixando o filho do associado na atividade, gerando renda e qualidade de vida”. Um detalhe que jamais deve parar, conforme Glaico, é a visível integração da Juriti com a sociedade, escolas e instituições.

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Marcou a vida do jovem Rafael Kuster a formatura do Jovem Coop em novembro de 2016, “quan-

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Atrás de respostas Essa nova geração de agricultores mais novos, na opinião de Amantino Dall’ Agnol, está indo muito bem “nas mãos da Cooperativa, rumo a um caminho bastante reto”. Reconhece ele que o trabalho do setor de gestão social, seus colegas e a diretoria nessa linha dos treinamentos “é muito bonito e deve perseguir os trilhos da doutrinação ao cooperativismo, continuar promovendo excursões a outros lugares, afinal a enxada ficou para trás”. Diz que a Juriti foi criada para atender a muitas e muitas gerações e que esse futuro depende de um forte preparo de pessoas. O mentor da Juriti, com o mesmo oxigênio de 50 anos atrás, defende a edificação de líderes para o esporte, a igreja, o sindicato, a cooperativa, a comunidade. “O que será de toda essa estrutura de organização social, se hoje não se pode levantar a voz diante de uma criança ou um adolescente que logo vem alguém te processar por danos morais”? Para ele, tudo começa a ir bem quando um neto ou bisneto respeita os pais e avós, os professores, enfim, os mais velhos. É clara a necessidade de um repensar profundo do papel dos pais modernos e do amanhã. Será que são flechas exemplares a serem seguidas? Será que ainda têm um tempinho para dialogar mais com seus filhos, desde a infância? Ou será que a corrida patrimonialista os deixa atônitos, sem tempo para mais nada? Seriam essas, inclusive, razões para a manutenção do modelo tradicional de família, em que pese o fato de termos que respeitar as diversas aglutinações que se apresentam? Certo é que, atualmente, as indagações são muitas e, poucas, são as respostas. É preciso construí-las.

137 O programa facilita o contato de pessoas de tenra idade no mundo profissional. Vários nomes são içados depois, para efetivação contratual. Alguns seguem carreira. Ana Beatriz Berri começou como jovem aprendiz em setembro de 2017 e finalizou o acordo em setembro de 2018. Dois dias por semana no curso, trabalhando outros três na Cooperativa. A jovem destacou a boa comunicação percebida na Juriti, que facilitou bastante seu trabalho na recepção. Apesar da pouca experiência, constatou a moça: “Aqui foi sensacional; senti-me muito feliz”. Sua colega na área de recepção da matriz, em Massaranduba, Letícia Jaroczinski, completa: “Meu pai é associado e um dia ele me disse: ‘já que você não pretende continuar aqui na agricultura, vai trabalhar na Cooperativa, que também é nossa’”. 2015/2016.

2016/2017.

Letícia Jaroczinski e Ana Beatriz Berri.

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Jovem Aprendiz

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2016/2017

2018/2018

Recorda Letícia que, em 2015, um dos líderes do núcleo, Vanderlei Moser, entrou em contato com ela para a seletiva da 1º Turma de Jovens Aprendizes. Passando essa etapa, Letícia fez parte da equipe de 2015–2016 e não nega que seu desejo era de retornar, fato que ocorreu em dezembro de 2017. Letícia prevê um futuro muito promissor da Juriti, “pois seus produtos levam alegria e satisfação a milhares de famílias brasileiras” e, sobretudo, porque a Cooperativa prioriza o bem de todo seu público, seja associado, profissional interno ou consumidor.

139 deixam para trás uma imagem, um rastro profissional, e esses dados são observatórios para contratações futuras. O líder encara o projeto como investimento no preparo de pessoas.

Incentivo E não é apenas de pão (e arroz) que vive o homem. Vilson Volpi, analista financeiro, teve memorável incentivo da Juriti, em 2000, para fazer faculdade de bacharelado em Contabilidade, “custeando-me parte das despesas, com o apoio do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo – Sescoop, vindo a me formar em 2005”, revelou Volpi, que arremata: “Continuo nessa grande sociedade-empresa prestando meu trabalho com muito orgulho”.

Escada interna A Juriti possibilita o crescimento profissional àqueles que se destacam e querem ascensão. Um caso emblemático é de Ivan Carlos Uller, 44 anos de idade e, hoje, coordenador do Setor de Parboilização. Começou na Juriti há 22 anos na Unidade de Beneficiamento de Sementes – UBS, “na descarga de caminhões”. Depois, passou para o controle de estoque, seguido de operador de secador, pré-limpeza, auxiliar no Setor de Qualidade, atendimento de balcão (vendas a associados e clientes), e foi chamado para a área de Conta-Corrente. Pensa que a escada terminou? Aí, foi para a unidade da Cooperativa no RS. A missão seguinte de Ivan foi a de atuar na unidade de Jaraguá do Sul, quando então retornou para a área de Qualidade, “prestar um socorro de uns seis meses”, lembra. Depois é que atendeu a um chamado para a área de Parboilização. “Meu pai é sócio. Já plantei arroz. Sempre quis trabalhar aqui e fazer carreira. Estou sendo reconhecido. Somos uma família. Sinto orgulho de ter ajudado a Juriti em conquistas nesses 50 anos.”

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Na visão de Orlando Giovanella, esses jovens aprendizes, quando acaba o vínculo contratual,

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A gestora Edite Tambosi Lamin defende com ênfase programas educativos e sociais e cita uma ação que muito lhe marcou. Ela atuou como voluntária na revitalização do trevo de acesso principal à cidade de Massaranduba em julho de 2017, fato de ampla repercussão, compondo as comemorações do Dia C.

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Em Guarani-açú, o técnico Adailton passa orientações ao associado, Ivo, filho de Arnold Fauth, prova de que a sucessão familiar acontece quando o profissionalismo passa de mão em mão.

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Valores que ultrapassam o tempo A crença é temporária, o valor é eterno. O recado de Silvério Orzechowski à nova geração é mais que um recado. Sugere que os jovens atuais observem os exemplos bons e tentem segui-los. Aponta o coração para

“O espírito de família que nos ilumina; aqui não temos intrigas, a administração se respeita e se dá bem, ninguém puxa o tapete do outro, e cada um dá o seu máximo. Irineu Manke nos dizia que temos a obrigação de confiar nas pessoas e cada um precisa saber o que vai fazer, de forma correta. Ele sempre primou pelo prestígio da legalidade e da lealdade. São valores que preconizamos hoje e deverão ser cultivados para sempre”. Quem conhece Silvério e sua forma mansa de caminhar, ser e falar não leva mais que meia dúzia de minutos para se emocionar. Basta ser um pouco gente! Seus gestos de sabedoria, o olhar tranquilo e a alma que não cabe em Massaranduba, a qual extravasa cooperativismo 24 horas, encantam velhos e crianças. Um bom pastor e conselheiro não escolhe as ovelhas que vai cuidar e jamais as separa para contá-las; acolhe e abraça cada uma que se aproxima, pois sabe que, além do afeto, tem profissionalismo e, mais importante, um amor de pai inenarrável, princípios que não têm preço. Silvério confirma: “Continuo ofertando minha vida à família Juriti, como sempre o fiz e não me arrependo nem um pouco”.

145 ciplinar, precisa antes ser disciplinado”. Ele se refere ao comportamento ético, desde uma nota fiscal de almoço até uma transação maior em nome da entidade. “Aprendi com meu pai que o que é teu é teu; e o que é dos outros, não te pertence. Se dá para dormir bem com R$ 80,00, máximo R$ 100,00, por que gastar R$ 400,00 num hotel”? Recorda que cansou de almoçar em taipas de arroz quando jovem e sabe muito bem quanto custa o trabalho do agricultor. “Jamais esbanjar, pois amanhã poderá faltar”, ensina.

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Perseguindo caminhos de justiça, Orlando aproveita o embalo e fala de ética. “Quem quer dis-

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Antecipação de sobras Desde os primórdios, a Cooperativa antecipa sobras de balanço aos cooperados, sempre na festa Juriti, em dezembro, uma forma de praticar o verdadeiro cooperativismo e permitir que os associados tenham um Natal mais afortunado. Orlando Giovanella explica: “As diretorias sempre trabalharam para que, ao fim do ano, seja anunciada uma parcial dos resultados que irão para aprovação da AGO em março seguinte, com dados bem próximos do panorama real, logicamente, após observadas as reservas previstas em disposições estatutária.” Esse percentual, que é disponibilizado em dinheiro na conta do cooperado, é levantado a partir do montante que a Juriti obteve de receita líquida na comercialização do arroz no ano em curso. A Cooperativa dispõe de um “colchão financeiro” suficiente para essa ação, estruturado ao longo dos anos, sem que a atitude solidária evapore a capacidade de caixa. Outra garantia interessante é o fato de o cooperado, tendo 100 sacas ou 30 mil sacas depositadas, para serem quitadas, não precisa fazer a previsão de recebimento dessa produção. “Basta comunicar a intenção de quitação dos grãos, e, imediatamente, o depósito lhe será feito”, comemora Giovanella. “A nossa administração apenas continua seguindo essa política idealizada há décadas”.

Registro da AGO de 23 de março de 2018.

147 Passando a régua na lista de vantagens, os silos da Juriti sempre estão à disposição do associado para a guarda profissional e responsável do seu arroz. Porém, em dezembro de todos os anos, essa conta precisa ser fechada, “pois a Cooperativa não descasca um quilo de arroz sequer que antes não tenha sido efetivamente comprado”, descreve Francisco Pawlak, diretor administrativo-financeiro. Se o arroz que está no silo pertence ao cooperado e a Cooperativa necessita do grão para industrialização, automaticamente a Juriti “realiza” um percentual dos lotes e credita o valor, a preço do dia, para o sócio. “Essa diretriz evita riscos, seja numa subida repentina, seja numa queda abrupta de preços”, afirma Orlando. “Nosso associado compreende e aprova integralmente essa postura comercial, pois tem se mostrado uma estratégia sensata, protetora contra cenários adversos e justa.” Faz vários anos que a Juriti vem ampliando espaços de estocagem. Em 2012, quando Orlando assumiu, a recepção anual circulava a casa de 1,3 milhão de sacas. Porém, se a Cooperativa aceitasse registrar todos os produtores que aguardam vagas, “precisaríamos ter lugar para mais 500 mil sacas’’, descreve Orlando. “Em grande medida, esse interesse maior em trabalhar com a Juriti, pelos agricultores, aflorou após a inauguração do novo parque industrial em 2016”. O presidente relata que, em 2017, foram concluídos mais dois silos para 100 mil sacas cada, e a meta é continuar aumentando a recepção de forma planejada, sempre conjugando a melhor performance possível da estrutura operacional como um todo.

Silvério e Orlando – alinhamento de ideias em todas as situações.

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Política de preço aberto

148 COOPERJURITI Estrutura de grãos no Bairro Patrimônio, em Massaranduba.

149 COOPERJURITI Imagem dos cooperados Juriti na AGO de 23 de março de 2018.

Tudo isso? E a solidez? A saúde financeira da Cooperjuriti é o reflexo do engajamento dos associados e do seu sacrifício (do latim, ‘‘trabalho sagrado’’) em deixar parte das sobras do exercício na composição das reservas patrimoniais. Para Francisco Pawlak, é essa decisão que garante um bom aconchego financeiro, tendo na outra ponta uma administração desses recursos, “de forma transparente e responsável”. O diretor afirma que não é mérito apenas dos tempos mais recentes, mas sim da cultura enraizada do seu povo, tanto de associados como de funcionários, da busca justa de resultados e do gasto perfeito, sem desperdício e desvios. “Hoje, as atividades da Cooperjuriti são financiadas pelas reservas de sobras formadas ao longo dos seus 50 anos e, por isso, nossos índices de liquidez são invejáveis.” Manter essa performance, dando condições ao produtor e seus sucessores para que continuem sua atividade na lavoura, é o maior desafio de hoje e de amanhã. Para Francisco, a atividade agrícola de Massaranduba e região compete com a primeiro-mundista indústria de Blumenau, Jaraguá do Sul e Joinville. “Manter o jovem na atividade rural não é nada fácil; nosso desafio para

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151 produtor rural, permitindo a manutenção e melhora da sua renda”, aponta o diretor, que também comunga da alternativa da piscicultura. Ele vê que o mercado de peixe in natura, assim como no arroz em remotos tempos, desfruta de muitos atravessadores que, vez e outra, aplicam calote nos pagamentos aos produtores. “Acredito que um abatedouro de peixes poderá ser, além de uma necessidade, uma nova fonte de recursos para a Cooperativa e seus associados”. Nesse mapa futurista da Juriti, cabe ainda o pensar de Amantino Dall’ Agnol. Para ele, nessa estrada deve permanecer forte o atual pacote de conceitos que estão sendo alimentados pela via do desenvolvimento humano, tanto para o quadro funcional quanto o corpo social. Afirma ser a Cooperativa mais importante para Massaranduba do que a produção de arroz, em si. Para a prosperidade, dependerá a Juriti continuar sendo o pilar máximo de segurança do setor. “Tanto que, nesses primeiros 50 anos, o número de associados aumentou 1.200%, e o volume de arroz recebido pela Juriti cresceu 6.000%.” E Amantino lança esta: “Será que os novos cooperados têm consciência disso”?

Conselheiros fiscais de 2017 e de 2018.

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os próximos cinquenta anos é criar e ofertar a possibilidade de diversificação de atividades para o

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Peixe e banana combinam? Dia 16 de outubro de 2015, a Juriti lançou o desafio de uma nova e saudável atividade comercial na propriedade de Hilário e Ivandro Baumann, povoando açudes com tilápias. Dia 19 de abril de 2016, um evento com agricultores visou monitorar a criação, seguido de uma reunião técnica sobre nutrição. Atualmente, a Juriti tem duas parcerias externas para o fornecimento de rações. “A Cooperativa financia a atividade ao associado, até a engorda final dos peixes”, aponta o presidente, Orlando Giovanella. “Mais adiante, deveremos ter nossa própria fábrica de rações”. Um frigorífico seria viável? Essa resposta está sendo buscada pela diretoria com estudos sobre impacto tributário e ambiental, linhas de crédito e taxas de juros. O presidente Giovanella sublinha que, em anos de preços altos para o arroz, alternativas novas não são necessárias, contudo, “o inverso também é verdadeiro”. Para ele, o sócio, isoladamente, não consegue agregar valor ao peixe, em que pese o fato de ser atividade altamente rentável por m2 e o consumo estar aumentando bastante no Brasil, por ser saudável.

“Cabe à Cooperativa, tecnicamente falando, dar esse calço nos estudos e, talvez, nos investimentos para que nosso cooperado possa ter segurança na entrega de sua produção, seja via projeto próprio, seja em parceria com algum abatedouro, até porque não existe êxodo rural se existe renda suficiente nas propriedades.”

153 piscicultura não para de crescer. A Juriti fornece vários insumos inerentes à atividade, e o mesmo vale para bananas e palmáceas. As palmáceas são um excelente caminho para o agricultor, mas não é viável para a Cooperativa. Existem empresas e pequenas associações que operam com palmáceas. Em 2016, um investimento da Juriti se inviabilizou pela excessiva carga tributária. Enquanto a Juriti destinava entre 22 a 29% de impostos sobre as palmáceas, um produto idêntico, oriundo do Pará, detinha apenas 2% de impostos. “É impossível competir”, arremeta Giovanella. “Lutamos ao máximo junto aos órgãos competentes para diminuir esse fardo, tendo em vista que somente pequenos produtores atuam com palmáceas e não obtivemos sucesso. Nossa luta nesse sentido vai continuar.”

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Por conta da riqueza que a região desfruta com água de excelente quantidade e qualidade, a

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Nos cálculos do presidente (valores atualizados para 2018), o agricultor ganha R$ 2,16 por ‘‘cabeça’’ de palmácea, isso depois de três anos de cultivo, tendo plantado, adubado, cuidado, cortado a planta, enquanto esse mesmo produto, já somado o processamento industrial, gera R$ 2,12 de impostos, ou seja, é inviável, “tanto que, em Santa Catarina, as grandes redes trazem a maior parte desse alimento de fora”. Por outro lado, devido à escala de vendas na loja agropecuária, a Juriti decidiu se especializar e virou uma abastecedora regional de um mix complexo de insumos para inúmeras atividades, tanto para sócios quanto para clientes em geral, aproveitando um nicho de mercado até então pouco explorado regionalmente.

155 O cooperado da Juriti Avelino Pellens, que reside na Massarandubinha, ainda se entristece quando recorda o passamento do grande líder, que tudo iniciou. E não é apenas isso que marca a memória de Pellens: “A nova gestão também foi muito marcante; ter sido escolhido como conselheiro durante quatro anos também me deixou muito contente, especialmente por saber que todos tiveram a confiança. Foi uma honra participar disso”. Onde existe um querer, acha-se um caminho. O ensinamento é do octogenário de origem alemã Arnold Fauth, cuja família sempre ajuda na Igreja Luterana de Guarani-Açu, especialmente no coral. Quando não está lidando na arrozeira, abraça a gaita ou o bandoneón “pra atropelar as mágoas” e não importa que sua amada Ilda chame carinhosamente aquele lindo som de “barulho”. Eles sabem que o “ronco”, encanta e adocica as ideias. Arnold parece ter caído do céu para essa etapa do projeto junto com a letra da canção “Chuva de Arroz”, composição do jovem talento brasileiro, Luan Santana, que, somados aos pilares existenciais da família Bordin, dão uma bela sobremesa. O fundador da Juriti crê que as novas gerações possam, também, seguir mais as palavras bíblicas: “Honra teu pai e tua mãe, que Deus te prolonga aqui na terra”. Enquanto isso, seu filho Ivo, exclama: “Esse homem é uma pessoa muito especial. Aprendi e aprendo muito com meu pai. Aos 81 anos, ele ainda corta arroz. Que exemplo”! A família está providenciando a divisão do patrimônio em vida, apesar da latente burocracia, sinal de que a sucessão familiar já deu certo na prática, agora está sendo documentada. E a Cooperativa? “Vai chegar aos 100 anos se continuar cultivando os princípios atuais”, dedilha Arnold. E prossegue: sabe por quê? Porque aqui há a seguinte crença: “Levanta tuas mãos ao altíssimo e entrega tua ansiedade a Deus. Ele cuida disso. O restante é conosco”. Para Arnold, nenhum ser humano é perfeito, mesmo assim, Deus está sempre pronto a nos abençoar. “Se vai bem na família, vai bem todo o mundo. Cada um é livre para escolher a estrada em que anda”, ensina ele, calma e alegremente. Encerra com o Salmo 128: “Como é feliz quem teme ao Senhor, quem anda em seus caminhos”.

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Marcante

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E o que dizer da imagem sacra de São João Bosco sobre o balcão da sala da presidência, como a dar um costado a Orlando Giovanella? Ele responde:

“Sempre fui devoto de Nossa Senhora Auxiliadora. Nessa comunidade de mesmo nome, há quase 30 anos, quando atuei como coordenador, lembro que precisávamos erguer uma estrutura física para catequese. Ia lá quando podia, até nos domingos junto com um grupo, juntar pregos e tábuas para fazer a obra. Foram feitas umas nove ou dez salas. Há pouco tempo, eis que aparece um padre que atuava na época a me entregar essa imagem de São João Bosco como forma de agradecimento por aquele trabalho que fizemos. Está aqui do meu lado a me proteger, juntamente com a leitura da Bíblia que faço. Lutar, sempre! Mas é a oração que nos dá a força necessária”. O presidente atual da Juriti desconhece ter praticado mal às pessoas, afirma ser caridoso e compreensivo. Herdou do seu pai a vontade de trabalhar, o fundador da Juriti, saudoso Tercílio. O líder cooperativo se sente bem quando em sua volta estão todos bem. “Nunca sonhei ter a vida que tenho, uma família com saúde. Sou muito grato, todos os minutos, a tantas bênçãos”. Sem contar o maior de todos os brindes vindo da aconchegante e macia “poltrona da amizade” que embasa comunidades massarandubenses, a exemplo da de Bom Pastor, onde uma única igreja

157 e ajudando a outra, fantástico capítulo que poderia servir de rumo àqueles povos que se matam por pensamentos religiosos diferentes”, sugere Giovanella. “Temos aqui em Massaranduba várias etnias, a começar pelas ligadas à minha família, e todos se respeitam.” E, seguindo os mesmos passos de fé, com um convicto sorriso, o associado Clodoaldo Bordin de Ribeirão Wilde, pensando em suas filhas Emanuelle e Emily e abraçado ao seu pai, afirma “escutar” todas as manhãs Deus a lhe passar um “recadinho”: “Levanta-te, faça sua parte e trabalhe, pois há muito por fazer; tomara que o tempo a nós reservado aqui na terra seja com saúde, bem vivido, de atos honestos, melhorando e inovando sempre, ajudando na evolução do nosso entorno, pois esse é o lema da Juriti”. Seu pai Anicleto olha, então, para sua propriedade, verdejante e organizada, local que exala frescor em cada canto, um cartão-postal como centenas de lares em Massaranduba, e recorda o padre Sílvio Mondini, que circulava por ali há 50, 60 anos a fim de benzer as casas, terras e plantações. Cada família lhe retribuía o serviço religioso com um saco de arroz. As cargas chegavam aos internos do Seminário de Ascurra para alimentá-los. “Até hoje, não tivemos maiores catástrofes como secas, granizos ou enchentes fortes. O clima daqui é melhor, pois somos abençoados por Deus, e as destruições não nos afetarão. A religião está em nossos corações e vem dos avós. Sem Deus, ninguém faz nada. Foi Ele quem criou essa beleza toda. Toda essa fartura divina está aí para nos ajudar. Por isso, com fé a gente acredita e vive!”

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acolhe fiéis luteranos e católicos, cada qual com seus eventos “porém, uma plateia participando

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159 Até então, o encontro foi sempre em dezembro, envolvendo todos os integrantes da família Juriti. É quando a direção anuncia o diferencial do ano calculado sobre o arroz, que vai abastecer a conta bancária dos cooperados, de forma proporcional à safra vendida e à qualidade conseguida. Para o associado Avelino Pellens, é um momento em que amigos se encontram e se divertem, ou seja, “uma grande família unida, agradecida e muito feliz”.

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A família Juriti é forte

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Chuva de Arroz Luan Santana

Não mudei de cidade, nem de telefone Só escolhi ser feliz É o mesmo endereço, o mesmo apartamento Em frente à igreja matriz Por isso todo mundo passa E quem nunca passou, vai passar Já tô dizendo aos meus amigos Calma que eu não vou pirar Já pirei! Me apaixonei perdidamente E o que eu sei é que daqui pra frente Vai ser nossa cidade, nosso telefone Nosso endereço, nosso apartamento Sabe aquela igreja? Tô aqui na frente, imaginando chuva de arroz na gente!

161 Se os frutos dessa terra são colhidos por você Uma mão ajuda a outra, isso todos podem ver Nesta vida somos poucos, somos poucos, quase nada Precisamos um do outro, pois é longa a caminhada

Cada vez que juntamos as mãos para a vida agradecer Sinto a obrigação de pensar em mim, de pensar em você Para vender e para comprar, ela ajuda e motiva Essa é nossa confiança, é a nossa cooperativa

E são tantos os benefícios, treinamento, diversão, Trabalhando a autoestima pra fazer mais produção O suor do nosso rosto, colocamos todo aqui, Confiamos na equipe que comanda a Juriti.

Cada vez que juntamos as mãos para a vida agradecer Sinto a obrigação de pensar em mim, de pensar em você Para vender e para comprar, ela ajuda e motiva Essa é nossa confiança, é a nossa cooperativa

(Autor: Fabrício Dalpra)

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Hino da Cooperativa Juriti

162 COOPERJURITI Em 23 de maio de 2017, a Juriti conquistou o Selo de Identificação da Agricultura Familiar, do Ministério do Desenvolvimento Agrário MDA.

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Conselho fundador da Cooperjuriti em 30 de março de 1968 Presidente: Irineu Manke Vice-presidente: Erich Borchardt Secretário: Egon Oeschsler Conselheiros Efetivos: Alfredo Jacobi, Arnold Fauth e Harry Fröhlich Suplentes: Arturo Berri, Hipólito Tarnowski e João Chrast

Gestão iniciada em 14 de janeiro de 1970, para três anos Presidente: Irineu Manke Vice-presidente: Erich Borchardt Secretário: Egon Oechsler Conselheiros Efetivos: Harry Fröhlich e Alfredo Jacobi Conselheiros Suplentes: Arturo Berri, João Chrast e Tercílio Giovanella

Gestão iniciada em 2 de abril de 1973, para três anos Presidente: Irineu Manke Vice-presidente: Guerino Berri Secretário: Wigold Sasse Conselheiros Efetivos: Affonso Schmitz, Harrold Froehlich e Galdino Buzzi Conselheiros Suplentes: Willy Feiller, Alito Müller e Antonio Jagiello

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Conselhos de Administração nesses 50 anos

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Gestão iniciada em 28 de fevereiro de 1976, para quatro anos Presidente: Irineu Manke Vice-Presidente: Arnold Fauth Secretário: Tercílio Giovanella Conselheiros Efetivos: Curt Wulf, Lorenz Bublitz e Olívio Buzzi Conselheiros Suplentes: Getúlio Cristofolini, Hugo Mohr e Adão Pasternak

Gestão iniciada em 10 de fevereiro de 1980, para quatro anos Presidente: Irineu Manke Vice-presidente: Tercílio Giovanella Secretário: Alfredo Jacobi Conselheiros Efetivos: Adérico Girardi, Egon Oeschsler e Roland Persike Conselheiros Suplentes: Realdino Moser, Julio Lubawski e Curt Bublitz

Gestão iniciada em 24 de março de 1984, para quatro anos Presidente: Irineu Manke Vice-presidente: Adérico Girardi Secretário: Arnold Fauth Conselheiros: Getúlio Cristofolini, Silvio Mohr e Suel Raimondi

Gestão iniciada em 26 de março de 1988, para quatro anos Presidente: Irineu Manke Vice-presidente: Arnold Fauth Secretário: Udo Borchardt Conselheiros: Arnoldo Conzatti, Bernardo Feiller e José Witkowski

165 Presidente: Irineu Manke Vice-presidente: Valmor Vegini Secretário: Udo Borchardt Conselheiros: Arnold Fauth, Valdemar Moser e Rildo Buzzi

Gestão iniciada em 23 de março de 1996, para quatro anos Presidente: Irineu Manke Vice-presidente: Udo Borchardt Secretário: Valdemar Moser Conselheiros: Renaldo Berri, Evaldo Pauli e Antenor Borgonha

Gestão iniciada em 25 de março de 2000, para quatro anos Presidente: Irineu Manke Vice-presidente: Antenor Borgonha Secretário: Valdemar Moser Conselheiros: Evaldo Pauli, Alceu Gilmar Moretti e Armando Sasse 16 de junho de 2003, falece Irineu Manke Assume a presidência, o vice Antenor Borgonha

Gestão iniciada em 27 de março de 2004, para quatro anos Presidente: Antenor Borgonha Vice-Presidente: Arnold Fauth Secretário: Valdemar Moser Conselheiros: Udo Borchardt, Evaldo Pauli e Armando Sasse

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Gestão iniciada em 21 de março de 1992, para quatro anos

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Gestão iniciada em 29 de março de 2008, para quatro anos Presidente: Antenor Borgonha Vice-Presidente: Orlando Giovanella Secretário: Udo Borchardt Conselheiros: Irio Will, Avelino Pellens e Edelar Carlos Conzati

Gestão iniciada em 31 de março de 2012, para quatro anos Presidente: Orlando Giovanella Vice-presidente: Arnold Fauth Secretário: Acyr Tassi Conselheiros: Isaias Kubnik, Lucio Eugenio Wenk e Edelar Carlos Conzati

Gestão iniciada em 30 de março de 2016, para quatro anos Presidente: Orlando Giovanella Vice-Presidente: Acyr Tassi Secretário: Edelar Carlos Conzati Conselheiros: Isaias Kubnik, Francisco Luis Demarchi e Vitória Meurer Guszaky

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Conselho Fiscal de fundação, em 30 de março de 1968 Efetivos: Curt Bublitz, Scepan Prawutzki e Vicente Maiochi Suplentes: Wigold Sasse, Luiz Bordin e Getúlio Cristofolini

Gestão iniciada em 22 de março de 1969 Efetivos: Scepan Prawutzki, Vicente Maiochi e Curt Bublitz

Gestão iniciada em 14 de janeiro de 1970 Efetivos: Curt Bublitz, Wigand Donath e Bertholdo Voelz Suplentes: Getúlio Cristofolini, Ivo Froehlich e Arno Delling

Gestão iniciada em 23 de janeiro de 1971 Efetivos: Wigand Donath, Harry Sasse e Elmo Volles Suplentes: Luiz Raimondi, Walter Morsch e Getúlio Cristofolini

Gestão iniciada em 26 de fevereiro de 1972 Efetivos: Elmo Volles, Hartwig Morsch e José Klosowski Suplentes: Walter Morsch, Rudibert Krause e Tercílio Giovanella

Gestão iniciada em 02 de abril de 1973 Efetivos: José Klosowski, Aderico Girardi e Lauro Altrak Suplentes: Rudi Utech, Suel Raimondi e Ewaldo Kassner

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Conselhos Fiscais Juriti 1968 – 2018

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Gestão iniciada 03 de março de 1974 Efetivos: Lauro Altrak, Alfredo Jacobi e Elmo Volles Suplentes: Virgílio Quinto Cristofolini, Hipolito Kuczkowski e Scepan Prawutzki

Gestão iniciada em 24 de fevereiro de 1975 Efetivos: Alfredo Jacobi, Arnold Fauth e Rudi Utech Suplentes: Virgílio Quinto Cristofolini, Curt Wurf e Erich Borchardt

Gestão iniciada em 28 de fevereiro de 1976 Efetivos: Alfredo Jacobi, Vicente Maiochi e Willy Feiler Suplentes: Alito Morsch, Realdino Moser e Margo Utech

Gestão iniciada em 02 de março de 1977 Efetivos: Willybad Schmitt, Alfredo Jacobi e Silvino Conzatti Suplentes: Alito Morsch, Venício Tomio e Valmor Luckini

Gestão iniciada em 12 de fevereiro de 1978 Efetivos: Alfredo Jacobi, Realdino Moser e José Mello Ramos Suplentes: Bernardo Kasmirski, Harry Michelmann e Egídio Conzatti

Gestão iniciada em 11 de fevereiro de 1979 Efetivos: Realdino Moser, Evaldo Pauli e Egidio Cristofolini Suplentes: Ignácio Kasmirski, Osmar Borchardt e Ingo Feiller

Gestão iniciada em 10 de fevereiro de 1980 Efetivos: Evaldo Pauli, Ignácio Kasmirski e Geraldo Betti Suplentes: Getúlio Cristofolini, Inácio Olos e Harold Heise

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Gestão iniciada em 13 de fevereiro de 1982 Efetivos: Ignácio Kasmirski, Benildo Betti e João Cassemiro Jarocinski Suplentes: Harold Heise, Curt Morsch e José Cristofolini

Gestão iniciada em 13 de março de 1983 Efetivos: Benildo Betti, José Cristofolini e Bernardo Feiler Suplentes: Jacob Kasmirski, Haroldo Heise e Pedro Panoch

Gestão iniciada em 24 de março de 1984 Efetivos: Moacir Berri, Jacob Kasmirski e Silvino Conzatti Suplentes: Bernardo Feiller, Pedro Panoch e Gerold Hochsprung

Gestão iniciada em 30 de março de 1985 Efetivos: Renaldo Berri, Realdino Moser e Jacob Kasmirski Suplentes: Mario Conzatti, Walter Kupas e Pedro Panoch

Gestão iniciada em 05 de abril de 1986 Efetivos: Ignácio Kasmirski, Erico Bertoldi e Renaldo Berri Suplentes: Antonio Wenk, Valdemar Moser e Mário Conzatti

Gestão iniciada em 25 de março de 1987 Efetivos: Renaldo Berri, Olívio Buzzi e Valdemar Moser Suplentes: Antonio Schmitt, Mário Kluck e Tercílio Giovanella

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Gestão iniciada em 15 de fevereiro de 1981

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Gestão iniciada em 26 de março de 1988 Efetivos: Valdemar Moser, Antonio Schmitt e Valcir Buzzi Suplentes: Orlando Giovanella, Jaime Eccel e Werner Marquardt

Gestão iniciada em 18 de março de 1989 Efetivos: Irineu Petry, Valcir Buzzi e Luiz Raimondi Suplentes: Genésio Giovanella, Ivan Mohr e Dulcio Eccel

Gestão iniciada em 24 de março de 1990 Efetivos: Luiz Raimondi , Rildo Buzzi e Vicente Golinski Suplentes: Sílvio Mohr, Dulcio Eccel e Tercílio Giovanella

Gestão iniciada em 23 de março de 1991 Efetivos: Rildo Buzzi, Celso Derette e Evaldo Pauli Suplentes: Mario Golinski, Renaldo Berri e Harold Heise

Gestão iniciada em 21 de março de 1992 Efetivos: Celso Derette Renaldo Berri e Antonio Schmidt Suplentes: Ignacio Slomecki, Ivo Tribess e Irineu Petry

Gestão iniciada em 27 de março de 1993 Efetivos: Ivo Tribess, Valério Pauli e Antonio Schmitt Suplentes: Antenor Borgonha, Osmar Junkes e Leonardo Nicolau Mannes

Gestão iniciada em 19 de março de 1994 Efetivos: Antenor Borgonha, Valério Pauli e Osmar Junkes Suplentes: José Kuczkowski, Leonardo Nicolau Mannes e Dulcio Eccel

171 Efetivos: Armando Sasse, José Kuczkowski e Dulcio Eccel Suplentes: Mário Moser, Antonio João da Cunha e Antonio Mader

Gestão iniciada em 23 de março de 1996 Efetivos: Armando Sasse, Mário Moser e Lauro Fleming Suplentes: Célio Mader, Célio Miguel da Cunha e Sergio Luchini

Gestão iniciada em 22 de março de 1997 Efetivos: Armando Sasse, Célio Miguel da Cunha e Dulcio Eccel Suplentes: Valdenor Mannes, Ivo Morsch e Valério Pauli

Gestão iniciada em 28 de março de 1998 Efetivos: Ivo Morsch, Valério Pauli e Ervino Moser Suplentes: Ildemar Voelz, Ednísio Laube e Ilávio Petry

Gestão iniciada em 20 de março de 1999 Efetivos: Ervino Moser, Ednísio Laube e Evair Belegante Suplentes: Mário Jagiello, Lauro Mader e Amauri Avelino dos Apóstolos

Gestão iniciada em 25 de março de 2000 Efetivos: Evair Belegante, Mário Jagiello e Genésio Giovanella Suplentes: Vilto Ademar Pasquali, Elias Kluck e Ivo Tribess

Gestão iniciada em 24 de março de 2001 Efetivos: Genésio Giovanella, Elias Kluck e Ilmar Venske Suplentes: Adriano Prawutzki, Edgar José Schmitt e Werner Marquardt

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Gestão iniciada em 25 de março de 1995

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Gestão iniciada em 23 de março de 2002 Efetivos: Ilmar Venske, Edgar José Schmitt e Irio Will Suplentes: Irio Pasquali, Osnir Otílio Zanluca e Arno Oestreich

Gestão iniciada em 29 de março de 2003 Efetivos: Arno Oestreich, Irio Will e Mário Moser Suplentes: Ingomar Voelz, José Kasprowicz Júnior e Ingo Leitzke

Gestão iniciada em 27 de março de 2004 Efetivos: Ingomar Voelz, Mário Moser e Lúcio Eugênio Wenk Suplentes: Anicleto Bordin, José Silinei Jaroczinski e Edelar Carlos Conzati

Gestão iniciada em 19 de março de 2005 Efetivos: Lúcio Eugênio Wenk, José Silinei Jaroczinski e Evair Belegante Suplentes: Everaldo Sprung, Osmar Junkes e Benito Stolf

Gestão iniciada em 25 de março de 2006 Efetivos: Lúcio Eugênio Wenk, José Silinei Jaroczinski e Valtair Belegante Suplentes: Ivone Kreiss, Francisco Cirilo Dalprá e Célio Miguel da Cunha

Gestão iniciada em 31 de março de 2007 Efetivos: Lúcio Eugênio Wenk, Valtair Belegante e Elton Alan Oestreich Suplentes: Enio Azevedo, Charles Neri Kreiss e Sílvio Gasda

Gestão iniciada em 29 de março de 2008 Efetivos: Lúcio Eugênio Wenk, Elton Alan Oestreich e Roberto Cisz Suplentes: Clóvis Cristofolini, Helcio Demarchi e José Kuczkowski

173 Efetivos: Lúcio Eugênio Wenk, Roberto Cisz e Elias Kluck Suplentes: Isaias Kubnik, Evanildo Wilbert e Max Koehler

Gestão iniciada em 27 de março de 2010 Efetivos: Lúcio Eugênio Wenk, Lucas Cisz e Elias Kluck Suplentes: Douglas José Eccel, Rosaurio Stolf e Antonio Schmitt

Gestão iniciada em 26 de março de 2011 Efetivos: Lúcio Eugênio Wenk, Lucas Cisz e Célio Jaroczinski Suplentes: Sandro Jarozinski, Acácio Claucir Kasmirski e Francisco Luis Demarchi

Gestão iniciada em 31 de março de 2012 Efetivos: Lucas Cisz, Francisco Luis Demarchi e Clodoaldo Bordin Suplentes: José Kasprowicz Júnior, Erivelto Gustzaki e Elton Alan Oestreich

Gestão iniciada em 23 de março de 2013 Efetivos: Elton Alan Oestreich, Clodoaldo Bordin e Evanildo Wilbert Suplentes: Max Koehler, Osnir Otílio Zanluca e Sidnei Eccel

Gestão iniciada dia 28 de março de 2014 Efetivos: Clodoaldo Bordin, Evanildo Wilbert e Vanderlei Moser Suplentes: Rosaurio Stolf, Acácio Claucir Kasmirski e Nivaldo Oechsler

Gestão iniciada em 27 de março de 2015 Efetivos: Clodoaldo Bordin, Acácio Claucir Kasmirski e Rafael Valdrich Suplentes: Jodi José Giovanella, Fabiano Kempski e José Kasprowicz Junior

COOPERJURITI

Gestão iniciada em 28 de março de 2009

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Gestão iniciada em 30 de março de 2016 Efetivos: Acácio Claucir Karsmirski, Fabiano Kempski e Antonio Mader Suplentes: Moacir Paulo Furlani, Max Koehler e Hercílio Zanluca

Gestão iniciada em 24 de março de 2017 Efetivos: Acácio Claucir Kasmirski, Valter Tomelin e Max Koehler Suplentes: Adriano Prawutzki, Evanildo Wilbert e Valério Pauli

Gestão iniciada em 23 de março de 2018 Efetivos: Evanildo Wilbert, Valter Tomelin e Clodoaldo Bordin Suplentes: Sidnei Eccel, Márcio Koehler e Silvio José Pauli

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Pessoas entrevistadas em janeiro de 2018, pelo setor Gestão Social e RH - Avelino Pellens (associado) - Edite Tambosi Lamin (Gerente Loja Agropecuária) - Glaico Antonio Goetten (associado) - Leomar Eger (Gerente Industrial) - Letícia Jaroczinski (secretária e recepcionista) - Rafael Kuster (associado) - Sandra Andreia Schveitzer Besen (associada) - Vicente Besen (associado) - Vilson Volpi (analista financeiro)

COOPERJURITI

Referências bibliográficas

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Entrevistados(as) pelo autor na semana de 19 a 23 de março de 2018 - Adailton Jancowski Mizwa (Técnico em Agropecuária) - Amantino Dall’Agnol, incentivador (antiga Acaresc) - Ana Beatriz Berri (Jovem Aprendiz Juriti) - Anne Lore S. Manke, (viúva de Irineu Manke) - Antenor Borgonha (2º presidente da Juriti) - Armindo Sesar Tassi (Prefeito de Massaranduba) - Familia Bordin (associados) - Família Fauth (associados) - Francisco Pawlak – Diretor Administrativo/Financeiro Juriti - Ivan Carlos Uller (Coordenador do Setor de Parboilização Juriti) - Leila Estrowispi (Gestão Social e RH) - Maria Ivone Campigotto Spezia (Professora de História e Gerente de Cultura e Turismo de Massaranduba; - Orlando Giovanella (presidente atual da Cooperjuriti) - Rodney Machado (Coordenador Social e RH) - Sérgio Antonio Volpi (Setor de Entregas da Loja Agropecuária); - Silvério Orzechowski – (Superintendente Juriti) - Silvia Patricia Tietbohl Gomes (Auxiliar de Controladoria) - Valmir Cofferi da Cruz (Analista de TIC)

Gravações dia 23 de março na festa dos 50 anos - Neivo Panho – Superintendente OCESC - Pastora Elke Doehl - IELCB - Pe. Dácio Bona, Paróquia Sagrado Coração de Jesus

177 http://www.arrozrealengo.com.br3 http://www.paginarural.com.br http://www.portalsaofrancisco.com.br/animais/juriti http://www.sicoobcecremef.com.br https://financeone.com.br https://pt.wikipedia.org https://www.embrapa.br https://www.google.com.br https://www.letras.mus.br

Impressos observados Atas da Juriti das AGOs e AGEs, de 1968 a 2018 Boletim Talentos Aliança (Syngenta, de 13 de setembro de 2017) Especial Juriti 35 anos - Jornal Correio do Povo 2003 Histórias, Memórias e Saberes em Massaranduba – SC, STEIN, Elisa K; TAMANINI, Elisabete e SPEZIA, Maria Ivone C. Eirieli – SP – EPP, Massaranbuba – SC - 2017 Relatório de Sustentabilidade CooperJuriti, Gestão 2016 Revista Cooperjuriti, ano II, nº 02, dezembro de 2015 Revista Cooperjuriti, nº 03, dezembro/2016 Sementes da Cooperação, Sicoob Maxicrédito 30 anos, Julmir Cecon, 2015.

Vídeo consultado Video Cooperjuriti 45 anos, 2013

COOPERJURITI

Fontes virtuais consultadas

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O autor: Julmir Cecon É formado em Administração de Empresas pela Fundeste (Chapecó – 1986); pós-graduado em Administração Rural (Unoesc – 1991); especialista em Comunicação Social (Unochapecó/IMS/SP – 1996); MBA em Gestão de Empresas (FGV/Aurora/Senac – 2006); MBA em Gestão de Cooperativas (Unoesc/Ocesc – 2010 – 2011); professor de Cooperativismo na Faculdade Celer de Chapecó (2006–2007); realizou uma viagem de estudos à Alemanha, Itália, França e Áustria (2006). Foi professor de Estratégias Competitivas na Faculdade Senac Chapecó(2007 a 2009); é autor do livro Onório de fio a pavio (2004); assessor de imprensa da Cooperalfa, de Chapecó (SC) desde 1994; jornalista PV/SC-0066; um dos editores da revista Cooperalfa desde 1994; palestrante em Programas de Qualidade Rural; colunista da Revista Terra Viva (BAND, 2010); autor do livro Maxicrédito 30 anos (2015); integrou o Conselho Editorial do livro Cooperação como herança: Alfa 50 anos (2017).