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Luciara Furtuozo – ebook


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Luciara Furtuozo e

OUTROS AUTORES

PROJETO POESIA NA ESCOLA • 1

Luciara Furtuozo e outros autores

Poesia na escola ORGANIZAÇÃO Prof. Gilberto Martins e Profa. Anália Maria

8ª Edição Brodowski - SP

2022

2 • EDITORA PALAVRA É ARTE

EDITORA PALAVRA É ARTE RUA MARIA DO CARMO MACIEL POSSOS, Nº 100A, MÁRIO A F II, BRODOWSKI-SP CEP: 14340-000 ________________________________________ Dados para catalogação FURTUOZO, Luciara e outros autores Editora Palavra é Arte - Poesia na escola Brodowski, SP - Editora Palavra é Arte, 2022 1. Literatura ISBN: 978-65-88795-25-5 ________________________________________ Projeto Gráfico: Lucy Dolácio Diagramação: Lucas Caxico Capa: Jonathas Levy Contato: [email protected] Telefone: FIXO: 16 3664-0020

PROJETO POESIA NA ESCOLA • 3

Luciara Pereira da Silva Furtuozo, nascida na Fazenda Conceição/Aiquara-BA, em janeiro/1973, mas vive em Jequié-BA desde dezembro de 1980. Cursou Letras UESB/Jequié e é Especialista em Literatura Brasileira e Língua Portuguesa, pela Escola de Engenharia de Agrimensura - EEA. Professora da Rede Estadual de Educação da Bahia, lotada no Centro Juvenil de Ciência e Cultura-Jequié e atua junto aos estudantes com oficinas (Vozes Negras e Oficina da Palavra, Desenho e Redação), que tentam despertar o interesse do estudante pela escrita, leitura, literatura e pesquisa. Autora do livro Gotas da Manhã, publicado em abril de 2021 e co-autora do E-book Insubordinadas Antologia - Escritoras Negras Médio Rio de Contas, publicado em dezembro de 2021.

4 • EDITORA PALAVRA É ARTE

Dedicatória Um filho é um presente e a cada dia descobrimos as maravilhas de ser mãe. Por isso, dedico este trabalho ao meu filho Gustavo, a luz dos meus dias e minha maior inspiração. Luciara Furtuozo

PROJETO POESIA NA ESCOLA • 5

6 • EDITORA PALAVRA É ARTE

Sumário Luciara Furtuozo Encontre tempo.................................................................... LibertAção............................................................................. Abra os olhos do coração.................................................... Quietude................................................................................ Self Love...............................................................................

15 16 17 18 19

Anderson Yutaka Kurahashi Nakai Querida ansiedade ............................................................... Maria Joana............................................................................ Overdose............................................................................... A máquina de lavar roupa................................................... À toa......................................................................................

23 24 25 26 28

Joseane Cristina de Oliveira Perguntas sem respostas...................................................... 31 A gente reclama e reclama.................................................. 32

PROJETO POESIA NA ESCOLA • 7

Chuva e lágrimas.................................................................. 33 Sons da rua........................................................................... 34 Indagações ao tempo........................................................... 35 Marilza Pereira Calsavara Asas....................................................................................... Criança.................................................................................. Brada poeta.......................................................................... Saudade................................................................................. Coração feliz........................................................................

39 40 41 42 43

Nilson Ferreira Pensando em você............................................................... Momentos............................................................................. Gritos silenciosos................................................................ Rabiscos................................................................................. Oceano...................................................................................

47 48 49 50 51

Sílvia Aparecida Pereira Carrossel............................................................................... Fada, nem feia, nem fera..................................................... Balada dos loucos................................................................. Para quando ele crescer....................................................... Viagem com Neruda...........................................................

55 56 57 58 59

8 • EDITORA PALAVRA É ARTE

Joaquim Cesário de Mello Solilóquio............................................................................... Nuvens vestidas de gente.................................................... Século XX............................................................................. Ao redor da mesa................................................................. Ao solo bicentenário das árvores.......................................

63 64 65 66 67

John Wayne André da Silva Sem fim e sem começo........................................................ Solidão.................................................................................... Explodindo miolos............................................................... Idade da razão....................................................................... Abismo...................................................................................

71 72 73 74 75

Laysa Albuquerque Amor de alma gigante.......................................................... Estou a te amar..................................................................... Última mensagem................................................................. Do momento em que nascemos........................................ A vida bate forte ..................................................................

79 80 81 82 83

Maria Roberta Martins de Almeida Redescobrir............................................................................ 87 Templo de mim.................................................................... 88 Sentir-se................................................................................. 89 PROJETO POESIA NA ESCOLA • 9

Recomeços............................................................................ Tempo dos meus ancestrais...............................................

90 91

Michele Strey Frederico Perder-se................................................................................ O encontro........................................................................... Não sou................................................................................ Os não chapéus...................................................................

95 96 97 99

Raquel Pucello Dualidade: Externo e Interno............................................ Amar..................................................................................... Amor infinito....................................................................... Azul neon............................................................................. Mentiras.................................................................................

103 104 105 106 107

Sandro Andrade Só isso................................................................................... Hoje eu sonhei..................................................................... A beleza do mar.................................................................. Para o grande poeta.............................................................

111 112 114 115

Evandro Jorge Vida pós-pandemia............................................................. 119 Desespero............................................................................. 120 10 • EDITORA PALAVRA É ARTE

Desabafo de um operário................................................... 121 Desabafo de um feto........................................................... 122 Paciêna................................................................................... 123 Valéria da Silva Souza Ainda há esperança............................................................. Pequena Flor........................................................................ Ah, menina........................................................................... O poeta que ama................................................................. A Noite..................................................................................

PROJETO POESIA NA ESCOLA • 11

127 128 129 130 131

12 • EDITORA PALAVRA É ARTE

Um dos méritos da poesia que muita gente não percebe é que ela diz mais que a prosa e em menos palavras que a prosa. Voltaire PROJETO POESIA NA ESCOLA • 13

14 • EDITORA PALAVRA É ARTE

ENCONTRE TEMPO Para hoje, cuide de quem você ama. Priorize as pessoas que são especiais para você. Encontre tempo para um bate-papo. Encontre tempo para um café na padaria Encontre tempo para ouvir aquelas músicas que só vocês entendem. Encontre um tempo para cruzar a rodovia e dar um longo abraço... Encontre tempo para celebrar os momentos. Não deixar para amanhã o que você pode fazer hoje, não é um clichê, é uma realidade, pois se o amanhã não chegar, você terá lembranças e memórias ao lado de quem você tem afetos . Um abraço afetuoso e um dia magnífico, cheio de afetos, aromas e abraços.

PROJETO POESIA NA ESCOLA • 15

LIBERTAÇÃO Quando estamos no deserto, a falta d’água nos faz delirar e ver coisas que não existem. No cotidiano, muitas vezes, estamos em áreas de areia movediça, outras vezes em terrenos baldios e em terra sem chão, pois pertencemos ao mundo de ninguém, onde há braços que não acolhem e mãos que batem, dedos que apontam e olhos que condenam. O viver solo, sem eira e nem beira é doloroso para o corpo e dolorido para a alma. Ser visto só quando alguém precisa descarregar sobre ti os pesos, as cargas, os afazeres e/ou simplesmente, usar seu corpo e ter prazer. Gritar, urrar e sublimar a tua existência. Dizer não é necessário. Dizer não é ser liberto. Dizer não é buscar a cura. Cura da subalternidade dos corpos, dos espaços e da consciência.

16 • EDITORA PALAVRA É ARTE

ABRA OS OLHOS DO CORAÇÃO Brasil, que dia lindo! O sol está escaldante, forte e reluzente. E o seu dia, como está? Já observou a natureza que lhe cerca? A chuva que cai. Ou a beleza de um dia nublado? Muitas vezes, nos apegamos a paisagens tristes para justificar a tristeza que existe dentro de nós. Por não dar conta das nossas angústias, incertezas e medos, transferimos para o que está fora de nós, os abismos, que moram dentro da nossa alma O dia está lindo, veja direito e procure a magnitude em todos os lugares. Sorria, sempre temos um motivo para sermos gratos. Ah, não tem nada para agradecer? Estar vivo é um grande presente e nos possibilita realizar grandes coisas. Receba o meu abraço, minha boa energia e meu desejo de um dia lindo, cheio de realizações, afetos, fé e muita esperança.

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QUIETUDE Silêncio, guarda para ti os sonhos do teu coração. Silêncio, a vida pede calmaria para tu poder entender as inquietações, que permeiam os teus pensamentos. Na metáfora da vida, a agitação atrapalha perceber os corpos, o grito dos oprimidos. a súplica dos povos e as oscilações da alma. Silêncio. Quieto, tu consegues escutar o uivo dos lobos os zumbidos das abelhas, os pingos da chuva… Auscultar a vida. Silêncio, silêncio

18 • EDITORA PALAVRA É ARTE

SELF LOVE Para Aissi Braga Cuidar do outro é bom, mas cuidar de si é algo que você pode fazer primeiramente. Cuide da sua pele, do seu cabelo, cuide dos seus pés e principalmente, cuide da sua alma. Alimente-se com uma boa alimentação e não esqueça de nutrir-se espiritualmente, orar, jejuar, refletir, render graças e agradecer. Cuide dos seus pensamentos, pense positivo, mentalize coisas boas, ajuda. Seja solícito com seus pares, contudo não esqueça: você é a pessoa mais importante da sua vida. Cheirinho de terra molhada, vida nova e ótimas vibrações para nosso lindo dia.

PROJETO POESIA NA ESCOLA • 19

20 • EDITORA PALAVRA É ARTE

São necessários anos de leitura atenta e inteligente para se apreciar a prosa e a poesia que fizeram a glória das nossas civilizações. A cultura não se improvisa. Julien Green PROJETO POESIA NA ESCOLA • 21

22 • EDITORA PALAVRA É ARTE

QUERIDA ANSIEDADE Por um instante, minha ansiedade se aquieta. Ela sossega. Queria que esse tempo fugaz fosse perpetuado para todo o sempre. Nesse silêncio, encontro, momentaneamente, um alívio repentino. Minha ansiedade é serpente. Nessa efemeridade de sanidade deduzo o que é solitude por simplesmente estar apenas comigo sem sua presença. E agradeço a mim e a mais ninguém por suportar você. Insuportável mente.

PROJETO POESIA NA ESCOLA • 23

MARIA JOANA É conectar-me com o divino Soltar minhas angústias, Deixar a ansiedade de lado, Silenciar a mente A cada trago Uma nova paz A leveza que me invade Revigora-me. O corpo e a mente flutua Numa sensação mister de bem estar Suave como uma pluma, Morosa. Pena que essa fuga É fugaz. E logo, tudo volta como antes Os mesmos problemas pensantes.

24 • EDITORA PALAVRA É ARTE

OVERDOSE Um dia fui brincar de misturar as coisas. Um comprimido mais um líquido. E com isso me senti leve, tão aéreo e feliz. Sedado. Numa despreocupação sem fim. E cada dia aumentava mais, na esperança de encontrar minha paz. Sem perceber exagerei e já não estava mais aqui.

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A MÁQUINA DE LAVAR ROUPA Tecidos secos entram Nessa doce festa E recebem o glitter azul Brilhando suas testas. A água com seu almejar Também deseja entrar E sem mostrar sua identidade A festa toda ela invade. Todos se molham E muitas bolhas se formam Encharcados todos dançam Entre as espumas sambam. A água muito enjoada Desiste logo dessa parada E com ela leva as bolhas Abandonando as roupas. Um líquido cheiroso Muito meigo e tímido Deseja entrar na farra Mas só não quer entrar. A água companheira Leva ele para participar Dessa doce festa ligeira Que ele vai ter que bailar.

26 • EDITORA PALAVRA É ARTE

Pouco a pouco ele conhece Todos que estão lá. Sem saber que daqui a pouco Um adeus terá que falar. A água muito cansada Leva ele para sua casa. E novamente eles ficam Sem convidados naquele lugar. Eles ainda animados Começam a girar. Giram, giram loucamente Até tudo parar. Todos muitos exaustos Só esperam escutar O apito final do jogo Para poderem se secar.

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À TOA Agora... Espero um pouco E já se passou uma hora. Enrolo e mexo no celular Como querendo me boicotar Da vida. Vegeto. Aprisiono-me em meus pensamentos. Nunca passam esses tormentos. Sentado, sem fazer nada Apenas olho para hora Que agora já não é mais aquele agora.

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A poesia não está nem nos pensamentos, nem nas coisas, nem nas palavras; ela não é nem filosofia, nem descrição, nem eloquência: ela é inflexão. Charles Ramuz PROJETO POESIA NA ESCOLA • 29

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PERGUNTAS SEM RESPOSTAS A gente vai vivendo Com tantas perguntas Sem respostas Que mais parece Ser um monólogo... Quem sabe um dia Saberemos as respostas De toda incógnita que existiu... Quem sabe?

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A GENTE RECLAMA E RECLAMA... A gente reclama da comida, Enquanto tem gente que nem tem o que comer... A gente reclama por ter que gastar dinheiro, enquanto alguém nem dinheiro tem... A gente reclama da chuva embaixo de nossos tetos, enquanto tem gente que nem casa tem pra morar... A gente reclama de ter que trabalhar, enquanto tem gente que daria tudo pra ter um trabalho... A gente reclama, reclama tanto... Mas vamos pensar? Quando reclamamos acontece algo bom? Ou apenas ficamos piores do que já somos? Porque sentimentos ruins, atraem somente coisas ruins... Precisamos melhorar, Precisamos começar a ampliar os nossos horizontes, somente assim começaremos a agradecer... Não é fácil pensar assim, Mas é preciso buscarmos constantemente ser a nossa melhor versão... Teremos deslizes? Sim... Mas quando isso ocorrer Voltemos o foco na busca da evolução... E assim, provavelmente, sentiremos um alívio para a alma e o coração...

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CHUVA E LÁGRIMAS Lá fora o tempo fechou Água então do céu jorrou, E mais pareciam lágrimas De alguém afogado em tristeza... Será que a chuva É formada pelas lágrimas Que ficam escondidas? Escondidas naquele banheiro, Ou no quarto fechado como prisão... Não dá pra saber... São mistérios da vida...

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SONS DA RUA Na rua da amargura Fiquei a esperar. Não sabia o que fazer Só me restava aguardar... Sentia o vento tocar o rosto E isso já era o suficiente Pra saber que a vida existia. Ouvia o som de pássaros felizes Que nem imaginavam O quanto havia de maldade Em muitos corações humanos... Também podia ouvir O latido de alguns cães Que defendiam suas casas E seus “humanos”... Na rua se pode ouvir vários sons Inclusive o silêncio Dos sofredores... Há um turbilhão de acontecimentos nas ruas, e também em muitos interiores...

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INDAGAÇÕES AO TEMPO Oh, tempo... És meu amigo, ou inimigo meu? Quando penso que momentos bons passaram tão depressa Tenho vontade de te voltar Para vivê-los novamente. Quando vejo que pessoas que eu amava Já partiram dessa vida, Tenho vontade de te voltar Para poder abraçá-las mais uma vez... Mas, eu sei que a vida precisa continuar, Embora, às vezes, eu tenha vontade de chorar... Por isso, eu te peço... Oh, tempo: Sejas generoso comigo.

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36 • EDITORA PALAVRA É ARTE

Tem gente que pensa que poesia é coisa que se faz com letras e versos Mas poesia não se faz com palavras, não. Poesia a gente escreve com a vida usando como tinta apenas a alma e o coração. Augusto Branco PROJETO POESIA NA ESCOLA • 37

38 • EDITORA PALAVRA É ARTE

ASAS Nas asas da imaginação, O poeta ganha espaço na imensidão, Com a força necessária, Para encontrar os céus com asas várias. Alcançar o paraíso, nas asas do perdão. Nas asas do amor, voar sem rumo, Sem sentido, sem aprumo... Como pássaro alado, No espaço emplumado, De cores vivas e brilho acetinado. Oh! Asas planando, Que o vento vai levando, Enquanto a brisa soprando, Lembra que tem outras asas voando, Ao infinito chegando...

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CRIANÇA Criança que brinca, Que pula e que grita, Que canta feliz. As canções infantis... Criança que acredita, Naquilo que a vida lhe dita, Não crê em desdita, Porque ainda se sente bendita. É essa a criança que habita, No profundo de nosso ser escondida, Não querendo ser perdida, Nos cantos escuros da vida...

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BRADA POETA Brada poeta através da poesia, Todo sentimento contido, Através do poema sofrido, Que traz nas suas rimas, Todas as sinas, Que o ser humano carrega consigo. A poesia que fascina, Tem um sentido que rima, Com os sentimentos guardados, Nunca antes tocados, Pelo poeta que sabe, Como chegar ao coração.

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SAUDADE Saudade é um sentimento, Que atravessa o tempo, Que chega devagar, Que vem de algum lugar, Como ecos do passado, Como sonho inacabado. Esconde-se no coração, E ali fica acalentado, Até que seja lembrado, Que ficou encerrado, Num cofre bem fechado, Dentro do coração. E volta iluminado, Pela luz do querer, Que aqueles momentos, Despertados pela saudade, Voltem como uma doce realidade.

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CORAÇÃO FELIZ Meu coração é feliz e sorri, Porque sabe que impulsiona a vida, A vida que é bela e florida, Que pulsa a cada batida do coração. Vida que tem seus caminhos, Retos, sinuosos ou bifurcados, Nos quais vão ficando as marcas, Do meu caminhar a cada dia. E com alegria e passo a passo, Vou deixando as marcas, No caminho da vida, seguindo em frente, Sem nada que eu lamente. Olho o belo, o brilho do sol, O canto do rouxinol, Sinto o perfume das flores, E afasto do coração todas as dores.

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44 • EDITORA PALAVRA É ARTE

A poesia não nasce das regras, a não ser em parte mínima e insignificante; mas as regras derivam das poesias; e, no entanto, são tantos os géneros e as espécies de verdadeiras regras, quanto são os géneros e as espécies de verdadeiros poetas. Giordano Bruno PROJETO POESIA NA ESCOLA • 45

46 • EDITORA PALAVRA É ARTE

PENSANDO EM VOCÊ Eu gosto de você Confesso que fui um pouco afoito Falta de costume em conquistar Ou pelo menos tentar Chamar a atenção de quem se admira Talvez tenha errado na medida Mas não no que sente meu coração O que sinto é verdadeiro Não é um sentimento sorrateiro É o “gostar” genuíno Em sua mais pura expressão Talvez ainda não amor, Mas certamente paixão Sim, poderia dizer que estou apaixonado por você Não sei como resolver essa equação Um coração que te quer Mas que você não vai escolher Triste situação Um menos um igual a zero Nem adiantou ser sincero Você nem me deu atenção Nem bem terminei a expressão Já me disse não E quando pensei em insistir Me bloqueou fácil assim Não te vejo mais Mas isso não quer dizer Que não estou pensando em você

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MOMENTOS Lembranças consomem Esgotam as energias sem esforço É uma triste constatação perceber Que quase sempre olhamos para trás Quando sofremos reveses E pensamos: “Quem dera pudéssemos voltar” Mas é a realidade cortante que retorna E compreendemos que lembranças existem Para nos amadurecer Guardar no coração o que acontece de bom E aprender com o que não é tão agradável Momentos formam a nossa história Como um grande mosaico de formas e cores Afinal, não se vive uma vida Sem alegrias e dores.

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GRITOS SILENCIOSOS Tento, tento, tento Mas sempre caio Levanto uma, duas, três vezes E quantas mais são necessárias Mas será que nunca acabam as quedas? Pela minha experiência, não. É uma triste percepção Se ver afundando mais a cada dia Sem que se veja uma chance, uma chance Pode parecer exagero Mas é apenas o desespero Clamando alto para ouvidos surdos E tais “surdos” nem tem culpa Os gritos são abafados pelo desalento.

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RABISCOS “A vida é muito curta” Quantas vezes já ouvimos essas palavras? O sonho de viver uma vida plena Parece nunca realizado pela maioria Muitos dos dias que vivemos Parecem apenas rabiscos Rascunhos do que seria uma vida ideal Repleta de perguntas sem respostas De muitas contradições Onde buscamos soluções Entre possíveis infinitas decisões Enquanto crescemos, outros decidem por nós E quando precisamos tomar as rédeas Nem tudo ocorre como gostaríamos Somos imersos num mar de questões Que exigem rápidas reações Só para descobrirmos Que não estávamos preparados Para decidirmos E seguimos durante toda a vida rabiscando Se dedicando em traçar linhas “perfeitas” Que nunca passam de um esboço.

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OCEANO Um oceano profundo Desconhecido da maioria Que só a superfície conhecem Com tantos segredos no fundo Alguns que nunca serão conhecidos E menos ainda entendidos Estes segredos muitos tentam desvelar Sem, no entanto, sucesso alcançar Afinal, o coração de uma mulher... Guarda mais mistérios, Que o fundo do mar.

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52 • EDITORA PALAVRA É ARTE

A verdadeira poesia mantém a mesma distância da insensibilidade e do sentimentalismo. Hugo Hofmannsthal PROJETO POESIA NA ESCOLA • 53

54 • EDITORA PALAVRA É ARTE

CARROSSEL No carrossel tem crianças A girar via mundo Miguel que ouvia Partiu tal qual cotovia Na quadrilha tem vestido Tem bemol e sustenido Voa espaço, tão profundo Que a vida anuncia Na dança do carrossel Tem Marias, tem Franciscos, Tem faminto, ah, eu sinto! Tem Ninguém, muitos provêm Há “alguéns”, sem um vintém Corra, Severino Que a vida urge Como surge a lida O trabalho revalida

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FADA, NEM FEIA, NEM FERA Fã Faz Fada, fama, fado Favo Farol Fauna, farpa, fácil Fazer Fartura, farofa Fel, fomento, fútil Feinha, fácil, enfadonha Fada, nem feia, nem fera InForma, filho, frenesi Fé, foco, fremir Fada, nem feia, nem fera É força, é bela Até ela pondera Na Fábula, fruição Francisco, Flora, Frida Fábio, Fabricio, Fernanda Fecharmos, fraternos, Felizes Entre fadas e feras, Formiga, a Atômica, Super, fantásticos, das mais belas, a criatura.

56 • EDITORA PALAVRA É ARTE

BALADA DOS LOUCOS Na balada dos loucos Um soneto ou uma trova Um Haicai, aí sai Na balada dos loucos Amor, dedicatória Um conto, uma história Na balada dos loucos Um dia, um pouco Sonho, tampouco Escrevendo, sorvendo Do épico, Camões, Vieira é pai Ah, dos Sermões? O lírico, Iracema Do inferno, Gregório Moderno, Ariano Eterno Drummond E a balada continua A palavra nua e crua no balanço das horas Na balada, Senhora A cantar a opereta Nas veredas, estrelas Eternizam no papiro O arpejo, ah, que solfejo! PROJETO POESIA NA ESCOLA • 57

PARA QUANDO ELE CRESCER O cravo não brigou com a rosa Pirulito não bate porque é bom O boi que tem cara de anjo Não leva ninguém pro caixão O gato apaziguou a rosa Que espinhou suas mãos no jardim Queria harmonia entre os povos Pôs ordem no campo sem fim Melhor contar estrelinhas E histórias de amor entre os irmãos Para quando Francisco crescer Cantigas de amor e paixão

58 • EDITORA PALAVRA É ARTE

VIAGEM COM NERUDA Sobre o mar de Neruda flutuas Flutua tua alma que cansada da procura Desnuda de tua rede Tira essa armadura que te envolve em recato Ah! Vem pra essa aventura Tremula o vento lá fora Uma brisa leve emoldura tuas vestes de Afrodite Que enlaça-me Na loucura Isis, na viagem, oh, desventura! A revolta do mar sentenciou Crio, Mas Febe trouxe a Lua Constelações se agruparam, O dia nasceu radiante O sol, porventura, Apareceu todo prosa Só pra ver a bravura E o amor se fez em trio Ela, o amor e a Lua “E repousaram da viagem”

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60 • EDITORA PALAVRA É ARTE

Sempre se admitiu que a poesia participava do divino porque eleva e arma o espírito submetendo a aparência das coisas aos desejos da alma, enquanto a razão constrange e submete o espírito à natureza das coisas. Francis Bacon

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62 • EDITORA PALAVRA É ARTE

SOLILÓQUIO Meu inglês é tão ruim quanto o francês Do alemão então nem me lembro Foram línguas que aprendi enquanto menino, mas se perderam em mim no afogamento das minhas prematuras orfandades De que adianta ser poliglota ter linguajares de povos que não conheço se nasci milênios após o Dilúvio e do meu dialeto só eu domino mesmo assim nem mesmo me entendo Meu Português é brasileiro brasileiro sou nordestino do Nordeste sou recifense e em Recife serei enterrado no jazigo da família em Santo Amaro

PROJETO POESIA NA ESCOLA • 63

NUVENS VESTIDAS DE GENTE Um poeta não se mede pelos centímetros de sua altura, nem pela circunferência de seu abdômen ou pelo peso de sua massa corporal. Não há poetas altos ou baixos, gordos ou magros, esbeltos, franzinos ou pesados, porquanto são como nuvens formadas pelos suspiros dos homens e pelo suor da terra evaporados, que voejam no céu sem asas, indo além dos horizontes olhados. Todo poeta é um tanto enviesado, inquieto, buliçoso e desassossegado, que às vezes atravessa semáforos fechados e veste sua máscara, colocando-a ao contrário. O poeta é alguém que atira pedras catadas no interior dos dicionários. Os poetas são nuvens vestidas de gente

64 • EDITORA PALAVRA É ARTE

SÉCULO XX Ainda não me demiti do século passado, pois lá vivi meus derradeiros anos Naquela época fiz todas minhas fases e jamais envelheci ou sequer morri O tempo do hoje é a distopia do ontem Não necessito de novas tecnológias ou smartphones de última geração e minhas agendas são de papel e escritas com caneta à mão Prefiro os livros aos tablets datilografrar ao invés de digitar e nada de TikToks pois, sou mais de frequentar cinemas e de assistir longa-metragens Para que ir para frente quando aqui atrás tenho o que quero inclusive até mesmo a eternidade

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AO REDOR DA MESA sentávamo-nos todos as tias os primos e os ausentes Naquela mesa mastigávamos o tempo lambuzando os pães de infâncias e eternidades Ao redor da mesa alimentávamo-nos os corpos de ovos, arroz ,bifes e saladas enquanto as almas engordavam de felicidade Naquela mesa aprendi as letras, as horas as etiquetas e os rituais tatuando na memória rostos ruídos e fantasmas Ao redor da mesa passavam-se os dias e os jantares todos eram felizes, sem saber que nos semeávamo-nos de nostalgias e saudades Qual o destino das mesas quando se vão os comensais?

66 • EDITORA PALAVRA É ARTE

AO SOLO BICENTENÁRIO DAS ÁRVORES Vou me dissolver no ácido do dia e me derramar em versos espalhados pelo chão como pegadas que o vento seguinte há de apagar Não sei se ainda estarei no próximo minuto a hora e o amanhã são até lá mais incertos preciso apenas deste século em que nele hei de sucumbir às árvores da infância que contemplaram meu correr nas ruas e me acobertaram por detrás de suas sombras nas brincadeiras meninas de esconde-esconde Ninguém sobrevive à centúria dos dias e ao peso de tantos horários acumulados E quando tudo isto acabar, eu que vim do século passado quero ser soterrado no solo das minhas árvores nutrindo suas seivas de lembranças e me transformar na paisagem das novas crianças

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68 • EDITORA PALAVRA É ARTE

Mas o que quer dizer este poema? - perguntou-me alarmada a boa senhora. E o que quer dizer uma nuvem? - respondi triunfante. Uma nuvem - disse ela - umas vezes quer dizer chuva, outras vezes bom tempo... Mario Quintana PROJETO POESIA NA ESCOLA • 69

70 • EDITORA PALAVRA É ARTE

SEM FIM E SEM COMEÇO Estranho me é o dia. O dia em que nasci. Da lama ao barro, do barro a carne. Da carne o sangue e os ossos. De um ser vivo contingente. E o que eu poderia esperar dá existência? Tenho dedos em minhas mãos que flamejam por poesia. Tenho tanto para dar, asas para voar no infinito da imaginação. Nascido de um orgasmo. E morto pelo acaso. Direi em outras linhas sônicas que tenho algo para dizer. Meu grito ecoará por todo o mundo. Pois venho dizer que o fim não é o fim E que o começo nunca existiu.

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SOLIDÃO Solidão é não ter com quem dividir seus problemas É sentir-se sufocado pela escuridão É não ter um amigo para contar É estar completamente só, sem esperanças. Ruminar pensamentos sombrios atordoantes, sozinho. É sentir medo e não ter uma mão amiga. É bem difícil, mas acostumo-me a mim mesmo com o tempo. Então, não há o que fazer...

72 • EDITORA PALAVRA É ARTE

EXPLODINDO MIOLOS Estou caindo novamente no abismo. Achei que estivesse bem, mas Não é verdade. Acendo um cigarro e tento não pensar em coisa alguma. Oh, Deus. O que poderá me salvar? Tudo está tão cinzento... Eu escuto a guitarra de Hendrix Penso em encher a cara Mas e quando o efeito do álcool passar? Terei uma tremenda ressaca... Oh, morte. Tu que és mais forte, me leva desse estranho mundo E me faz desaparecer na escuridão de minha alma angustiada. Não tenho lágrimas para derramar. Vazio como um poço sem fundo, Tão doente, tão perdido... Não sei mais o que fazer.

PROJETO POESIA NA ESCOLA • 73

IDADE DA RAZÃO Em silêncio suplico por socorro. Não digo o meu nome em vão. Meus pés calejados caminham sobre a existência. E eu não tenho uma armadura para me proteger. De peito aberto existo no universo. Dou um ou dois tragos no cigarro. Enterro-me em nome de minha mãe. A soturna mãe que um dia me pôs no mundo. Agora sou responsável por mim mesmo. E não há como negar, Estou na idade da razão E súplicas sinceras não são aceitáveis Pois o mundo todo está em minhas costas E eu respiro ofegante, procurando um lugar para repousar minha mente, Só resta a insanidade Dias vindouros esperarei Me calo diante da angústia E encaro-me diante do abismo

74 • EDITORA PALAVRA É ARTE

ABISMO Caindo abismo abaixo Sem ter onde se segurar Com a cabeça a mil Em um labirinto obscuro Minha mente vagueia entre as trevas e a luz Mas a luz está muito distante Mal consigo enxergá-la E se enxergo, me ofusco, não consigo abrir os olhos Me sinto perdido Com meus olhos fechados tento descansar a cabeça Porém algo me impele à escuridão Não apenas a escuridão dos olhos, mas a da alma. Queria achar um lugar onde pudesse encontrar paz em minha imaginação Mas só consigo sentir a angústia me consumindo A morte está à espreita Esperando por mim em algum lugar Ao menos ela não é um problema; pior seria cair e nunca chegar ao chão. Continuo caindo, abro os meus olhos e flutuo no ar O vento corre por minha face, bagunça meus cabelos e sopra em meus ouvidos Não preciso de um paraquedas, não preciso de um deus para me dar a mão Sou um espírito perturbado e talvez cair no abismo seja a minha direção.

PROJETO POESIA NA ESCOLA • 75

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Uma das missões da poesia é colocar palavras no lugar da dor. Não para que a dor termine, mas para que ela seja transfigurada pela beleza. Rubem Alves PROJETO POESIA NA ESCOLA • 77

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AMOR DE ALMA GIGANTE Pés na areia Coração no mar E em todas as direções que eu olhe Eu não consigo parar de pensar Quero ser seu amor E não a sua amante Não quero amor apenas de cama Quero amor de alma gigante A comodidade Te traz um falso julgamento Quanto vc pensa Lá se foi o seu relacionamento Amar os detalhes Também tem que fazer parte No meu coração aquela faísca ainda arde Só se despede quem quer ficar Esse coração de novo hei de conquistar A inocência Às vezes me faz pecar Lembro-me de coisas que não tem como voltar Mas que em minhas lembranças insiste em atormetar Cala-te, boca razão Deixa eu seguir meu coração Deixa eu tentar arrumar minha confusão Não sei se conseguirei, mas tentar nunca é em vão PROJETO POESIA NA ESCOLA • 79

ESTOU A TE AMAR Não é só mais um dia Não é por uma hora Não passa em segundos Fica, permanece e demora Falo da saudade, Que assola meu coração Quero estar agora com você, Mas o que tenho é solidão Penso a todo instante Tão natural que não dá pra perceber Longos beijos, imensos abraços Todas memórias de você Também me vem desejos, Esses luto com afinco. Mas os pensamentos quentes, os sonhos São os que mais sinto Às vezes olho para os lados Vejo o que estamos a passar Toda essa calamidade, caos E mesmo assim, sinto que mais estou a te amar...

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ÚLTIMA MENSAGEM É, meu amor, essa é a última mensagem Entre linhas e palavras Eu até me perco na minha fala Tive que recomeçar Porque um nó em minha garganta insistia em apertar Momentos me fizeram perceber Que apesar de amar você Sua ausência tirava minha paz Saudades, já não compensava mais Eu tive que desapegar Aprender a não pensar Cada dia que passava A saudade só apertava Meus dedos coçaram para te ligar Em meu peito havia uma aflição Mas sabia que ao final viria uma lição De que nem tudo é em vão! Realmente não tínhamos mais futuro Pior é não ter presente, Passado ser mais fluido que o ar E mesmo assim ter o poder de me abalar É melhor assim Peço que não fale mal de mim Foi bom enquanto durou Só o respeito ficou PROJETO POESIA NA ESCOLA • 81

DO MOMENTO EM QUE NASCEMOS Do momento em que nascemos começamos a morrer Nada é pra sempre, aproveite antes de perder Quando pequeninho não conseguimos entender Mas cresça, para começar a ver Aproveite cada momento Aproveite para dizer o quanto ama Demostre o quanto quer Demostre importância pelo que realmente é Todos os dias nos perdemos um pouco mais Sinceramente peço piedade Pro meu coração que já não sabe como bate Eu tenho pena dessa pobre sociedade Aos meus pés um tapete foi colocado E o mesmo foi puxado, arrancado, Dilacerado Pela pessoa por que eu julgava ser Amado Por que viestes assim? Nunca quis o mal nem para você, tampouco para mim Agora distantes estamos por fim A ingratidão Tira a afeição Mesmo que eu o amasse, não poderia viver em tal situação

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A VIDA BATE FORTE Eu estou pronto Batalhei o bom combate Fui escolhido como melhor soldado Na batalha fiz minha parte E uma coisa lhes digo Isso não é uma despedida É a afirmação de um caminho E a tal glória merecida A vida bate forte, E as pancadas causam resistência Pois treino duro, luta fácil Essa é minha resiliência É o sono perdido Na cadeira estudando pelo futuro A vontade passada É o mais difícil, porém seguro É, eu estou pronto Para as bênçãos que Deus há de dar A felicidade com plácido sorriso Os dias de glória que vão chegar E neste momento posso dizer Valeu a pena o choro sincero, O desespero amargurando o coração E agora a plácides é que espero! PROJETO POESIA NA ESCOLA • 83

Posso dizer ainda mais Digo-lhe que vai passar A nuvem é pesada e forte Mas o arco-íris irá chegar Vai dar certo Como um conforto de uma abraço com calor Pois na vida tudo passa A única coisa que fica é o AMOR

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Você percebe quando o poema está bem escrito, mas não é poesia. Ferreira Gullar PROJETO POESIA NA ESCOLA • 85

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REDESCOBRIR No desabrochar da vida nos perdemos em vivências tanto ódio e maldade que como reféns nos paralisa As mudanças se acometem e muralhas construídas Quem eu fui, hoje me lembro como doce nostalgia amargura, ressentida ou apenas mais vívida?! No desembaraço do tempo vou lidando mais precisa Permitindo os anseios e a lidar com despedidas Sentimentos inseguros, solidão, triste partida, A desumanimaldade, quanto ódio e gente nociva. Mas agora não me abalo já não estou na mesma sina evoluo e aprendo emitindo novas ondinas Ao me autoconhecer, fortaleço minha estima, sou hoje senhora de mim, dona da digna vida.

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TEMPLO DE MIM Dentre tantas distrações, Frivolidades dia a dia, Tanta exacerbação e um bocado de agonia. Vejo corpos incandescentes, Mentes tristes e sombrias, Ocultando em sorrisos, festas, flashs e alegorias, Fico sempre a espreitar o que lhes agonia, Mas sou eu a lhes causar o incômodo das noites frias, Tanta figuração, tanta pompa; pouca energia, vivendo a represar um ciclo de fantasia, Já cansei de me moldar e de me encaixar nos devaneios dessa vida, Centro em torno de mim e assim a descobrir novas filosofias.

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SENTIR-SE Sentir-se Nestes tempos tão sombrios quando vejo a cada esquina. Risos fáceis tão gentis como fantasmas da minha sina. Me vejo cansado e imóvel em um mundo tão sombrio. Neste mundo em desencanto onde tudo é felicidade, não me sinto, não me encaixo, fico sempre a espreitar. Sei que tudo é passageiro e por isto também hei de passar. Mas agora me deparo sozinho novamente neste assombroso lar. Estou cheio da plateia que vive sempre a proclamar como se fossem perfeitos, mas eu sei que perfeição não há. Já passei do egocentrismo; hoje quieto vivo a cantar, não sou o fantasma de outrora, mas o eremita que vive a peregrinar. Certas coisas me inquietam e desalentam o meu penar. A falta de humanidade que observo a “prosperar”. Neste mundo de faz de conta em que tudo se faz vangloriar, não sou eu que cantarei, nem sou eu que irei blefar. E assim, me despedindo, peço paz e proteção, coração de menino e olhar na imensidão.

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RECOMEÇOS A distância entre a realidade e a ilusão se fez em teu pensamento. Dos anos que se seguiram fomos felizes, reconheço. Mas a tua obsessão foi o início de um desfecho. Não me via mais eu mesma, nem sabia quem eu era nesta troca de almas e cores, quem era eu quem eras tu, nos perdemos em nós mesmos. Mundos distantes e isolados foi o fim do nosso apego. Senti-me despedaçada, execrada e exposta. Mas a dor que é tão ferina é amiga e nos exalta. A raiva que nos impulsiona a viver coisas distintas. Fujo da realidade caminhando entre as sombras. Vou partindo e me esquecendo de quem já fui a outrora. Vou seguindo meu destino e fazendo o recomeço.

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TEMPO DOS MEUS ANCESTRAIS Tempo, velho amigo. Que caminha com as horas. E nos mostra face a face a realidade até oculta. Fascina-nos e nos prende. Quantos querem te parar, fugir ou retardar. Mas como imperador do destino, não podemos te evitar. Conviver bem contigo, respeitando os percalços, desviando de infortúnios, celebrando teus encantos. Mas se queres um aliado não há nada como tu. Bem ou mal tudo passa. Trazendo-nos esperança e a busca pela luta. Enchendo-nos de coragem e a força para a lida. Contemplo-te e assereno como criança de outrora. Mas novos tempos se aproximam. O meu jeito de menina trago ainda na essência. Nos ideais de dias melhores e na postura que ora trago cada dia mais reais, sem criar expectativas, vou vivendo a cada dia. Meu caminho eu mesmo traço, no olhar que hoje tenho vislumbrando o meu passado e desfaço as ilusões deste mundo exacerbado. Não me prendo às trivialidades, nem às cortes falseadas. Ando só peregrinando, indo em busca da jornada. Um dia me encontro transformando; em meus compassos cada agrura vira flor, traz leveza e fortaleza renascendo um novo eu. Bem mais forte e sagaz. Firme na vida. Pronta pra o ataque como a velha guerreira dos meus ancestrais.

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“A poesia é a música da alma...” Voltaire PROJETO POESIA NA ESCOLA • 93

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PERDER-SE É amargo, é inverno É um terço do sério que se deveria levar Em toda uma vida De ventos e lamúrias incompletas de estar Deixando em mais uma ida Interrogações em desmaios difusos De outra volta ríspida Mal sucedida.

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O ENCONTRO Observava, e, no caminhar, vinhas a prantear. E vinha eu prantear no meu caminhar. Pensava em nada, a não ser tudo. Em tudo pensava não ser nada. Não parou à beira do lago. O lago estava parado à sua beira. Olhou no fundo de meus olhos. Meus olhos descobriram o mundo. Presa a tua a minha mão, Falava de cortar o caminho. O caminho estava um alarme. As estrelas mostram que se é tarde. A tarde é este cedo De recomeço. Mira outra aurora, agora é outro cedo. Agora há outro medo. O medo agora há De que assim, na outra beira de lago Se vá.

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NÃO SOU O Domingo que você exagera na comida A tatuagem que pode ser escondida O espaço entre duas palavras Riscadas. O filme terrorista continuado O golpe famoso Dublado. Porque Todos os dias Eu abro teus olhos Mesmo eles não estando aqui Trago o arco-íris para sua escuridão. Como um carro veloz Com um só destino Como um leão feroz Com um só bramido Te defendo e te trago De onde você se perdeu. Sou a água do seu copo preferido A poltrona escondida Para as melhores leituras. Estou em suas loucuras Quando abraça bolinhas de pingue pongue E dança qualquer sinfonia Sem qualquer sintonia.

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No seu pesadelo Eu sou a salvadora Em teus cabelos Você sabe que estão Todos esses nossos segredos. Porque é você quem dorme em uma cama de cartas Construída com o meu ouro e a minha prata Onde repousava meu corpo e minha calma.

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OS NÃO CHAPÉUS Ainda há uma pia cheia de louças, todas estão gritando seu nome. Apostaram no melhor cavalo e ele não corre mais. O artista pintava quadros... sua musa fugiu. A horta verde se esconde. A limpeza é uma promessa quebrada, porque ninguém quer a sujeira. Todos fazem a mudança, em fileira, porque todos querem só a liberdade. O flautista, ele vai ouvir o vento soprar enquanto os outros correm “soltos” pela estrada. Eles procuram e já estão longe, mas só querem uma cama de rosas e repousar por um instante, quando são apenas bonecos em uma estante. Amanhã será apenas um mal entendido e todos voltarão a poupar os centavos, a morrer sem essas armas como antigos escravos.

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Os punhos de aço estão centrados. Nas cabeças há só uma luta e é sempre a mesma... Quase tudo é silencio, e o velho piano já não é capaz de tocar pela paz. Sentem-se como Picasso, mas não veem sua Guernica. Vive-se uma vida como a memória de uma isca. De joelhos, marchando, rumo aos novos quartéis. O comprimido está na mesa e são todos réus porque tinham alguma esperança e não eram chapéus. Talvez haja fogo porque ainda há faíscas. Os passos estão soterrados mas não morreram. Os pássaros estão viajando mas não deixam de cantar. Não se pode ter medo de respirar quando se pode tomar uma decisão. Não há briga sem que alguém tente um soco. Ninguém morre quando nunca viveu.

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Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, não há ninguém que explique e ninguém que não entenda. Cecília Meireles PROJETO POESIA NA ESCOLA • 101

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DUALIDADE: EXTERNO E INTERNO Sou, no externo, do asfalto, do pó do concreto Da garoa, céu nublado, do rush que é um inferno Sou, no externo, mente confusa, emoções difusas Desejos sem fim, ego modesto, empatia de sobra Múltiplas facetas. Coração pudim Sou, no externo, riso acanhado, abraço apertado, Certeza frouxa, sou sim! Passo vacilante, foco deslizante Bússola falível, a seguir. Sou, no interno, do chão etéreo, do pó das estrelas Da fonte de luz, do silêncio que canta Da presença que encanta, entre frestas, o alento gentil. Sou, no interno, paz e calma, lótus da alma Beleza, clareza, certeza, força motriz Alegria, encantamento, calor, preenchimento No interno Eu Sou Amor.

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AMAR Brahma dança na eternidade Anjos Lácteos cantam à divindade Alma plácida abraça a totalidade Alma flácida afaga a nugacidade A eternidade dança para a alma plácida Fugaz, dança para a alma flácida Tenaz abraça a totalidade Anjos lácteos Anjos maculados Tal a Graça da divindade Mangas, pitangas, mares cintilantes Galáxias radiantes, dádivas abundantes Brahma afaga, abraça, canta, dança Para larápios Para honrados.

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AMOR INFINITO É importante poder lhe dizer coisas do meu coração Que transcende o corpo, o peito, o eixo, Do tempo, do espaço, qualquer dimensão... Amor infinito só há um: Você, você... Real, verdadeiro, só há um: Você, você... Você levou-me ao Céu, em nave de neon E fez um Réveillon, uma festa particular Mil luzes piscam ao léu, através do fino véu Cortina interior, que você me desvelou. Você mostrou-me um som, que vibra no silêncio, Orquestra sem instrumento! Mas tudo toca e dança em mim Sutil é esse som - não sei quem dá o tom Canção interior só se revela no puro amor. É importante poder lhe dizer coisas do meu coração Expressar sentimentos que nascem do alento No campo da Graça, da gratidão Amor que preenche só há um: Você, você... Gentil, tão sereno, só há um: Você, você... Você me põe no colo – sou criança no balanço Navego no remanso, no oceano da sua paz É tudo que me apraz ficar neste balanço Em ondas de amor, que arrebatam! Tanto fulgor Estende-me um banquete. Derrama o seu mel Preenche a minha taça. Tão doce néctar! Estou no céu.

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AZUL NEON O céu azul neon reflete sol turquesa Na boca, sabor ferrugem... Será o ocre do batom? Café amargo? Mofo no pão? Nas pálpebras, faixas negras no espelho. Brilho opaco vaza. O que se passa no coração? O invisível incomoda! Como tanger a dor? Sequer foi parida! Como bulir no humor? E rir, rir, rir Gargalhadas cor turquesa Voar, voar, voar Pluma, sol, leveza. Dançar, dançar, dançar No infinito céu neon.

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MENTIRAS Descobri que cometo fraudes Mentiras necessárias para a ficção Sem as quais, prendo em gaiola O pássaro livre da imaginação Como escrever um Conto Que não seja embusteiro Ou criar um enredo farsante De um romance que pareça verdadeiro? Ah, mas que lástima! Que contradição! Sou amante da verdade! Do que é fato, leal, genuíno Do que é inteiro, sem metades! Só me resta criar brechas Ora largas, ora frestas Para o real transmitir O autêntico não mentir Através de fidedignas imagens E, de sentimentos, deveras verazes Afinal, nas tramas da vida, Sou um franco personagem.

PROJETO POESIA NA ESCOLA • 107

108 • EDITORA PALAVRA É ARTE

Nenhum homem que tenha vivido conhece mais sobre a vida depois da morte que eu ou você. Toda religião simplesmente desenvolveu-se com base no medo, ganância, imaginação e poesia. Edgar Allan Poe PROJETO POESIA NA ESCOLA • 109

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SÓ ISSO... Quero hoje respirar o amor Quero sentir o dia Quero a fantasia de um sonho errante Quero a criança, que na infância existia Eu hoje, acordei vivente Com suspirar contente Eu hoje, só quero alegria

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HOJE EU SONHEI... Hoje eu acordei e me lembrei... Lembrei-me de uns tempos passados Quando vivíamos belos dias E a vida que partia Era sempre lembrada Hoje eu acordei e sonhei... Sim, sonhei acordado No sentido de querer Não o material, poder Mas apenas que o mundo não tivesse cegado Hoje eu acordei... E notei um belo domingo ensolarado Onde os pássaros voavam Na imensidão daquele céu azul No mais belo cantar Hoje eu acordei. E num grande desvario Cheguei a imaginar Que nos dias vividos O ser humano pudesse Amar Hoje eu acordei... E apesar do pesar, Tive o prazer de viver De olhar para o céu E poder respirar 112 • EDITORA PALAVRA É ARTE

Hoje eu acordei. O dia já passou O céu já escureceu E a noite já chegou O dia já se foi Vou agora deitar Cair num belo sono E novamente sonhar...

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A BELEZA DE AMAR O amor só é estranho Quando não se tem certeza É meio esquisito Quando não se nota a beleza O amor só será vivido Quando for compreendido Que de migalhas caídas Se tira riquezas

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PARA O GRANDE POETA (Poesia feita para o poeta Bráulio Bessa ao sair da internação, por conta da covid 19) Minha alma, hoje se aquieta Meu sorriso se faz completo Meu coração sossega por você voltar Minha noite hoje fez sentido Pois sei que esse meu amigo Poeta do mais valido Com sua prosa sabida Volta a nos encantar Hoje, eu durmo contente Pois o poeta da maior patente Que encanta o ouvido da gente De novo volta a sonhar...

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Aonde quer que eu vá, eu descubro que um poeta esteve lá antes de mim. Sigmund Freud

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118 • EDITORA PALAVRA É ARTE

VIDA PÓS-PANDEMIA Deus Cronos disse... (Tudo é para moer carne)! Mas, devemos Pós-Pandemia Continuar mais ainda... Orando e Vigiando Se Cuidando e Cuidando Limpando tudo que sujar! Trabalhando e estudando Por uma vida melhor... Para em paz, viver e ficar! Dividindo as Riquezas Universais... Em partes iguais! Nessa Dimensão de Anjos Decaídos E seus descendentes... Que vivem a Se amar e Si Digladiar!

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DESESPERO Pão e água, água com pão, vela acesa, luz elétrica, não! Cama fria, sem colchão, tábuas duras, a salvação. Feliz, talvez sim. Feliz, talvez não. Barriga cheia de água com pão. Noite fria, longa demais, menino chorando, procurando paz, sentindo dores, ninguém se importa, Couro come em suas costas. Dorme, diabo, não estás satisfeito? Brincastes o dia todo, mas, com que brinquedo? Choro cortado, soluços fraquinhos, menino se cala e se prepara. Se não morrer, vai enfrentar, sem muito prazer, A vida malvada que vão lhe oferecer. E, quando crescer, compreenderá que, mesmo na dor, há migalhas de amor.

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DESABAFO DE UM OPERÁRIO Meu chefe imediato suspende-me, porque demorei para executar a tarefa E olha... que a culpa ainda foi minha quando ocorreu o acidente pela pressa. O patrão me demite, sem um pingo de razão! A empresa com lucros de 100 por cento, e eu? Sem emprego, amor e perdão. Vem a Polícia e me bate, dizendo que sou vadio e ladrão. Está desempregado porque quer, e os filhos e a mulher? Fica sem ter o simples pão, porque morreu mais um miserável qualquer.

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DESABAFO DE UM FETO Eu queria nascer Participar com você Do seu dia, dia! Eu queria te abraçar Poder te falar E acariciar tua face! Eu queria te dizer e fazer O que todo ser humano tem direito Mas, você não me deixou nascer! Eu queria tanto viver Mas, você tão sofrida Se esqueceu de me dar... A desejada vida!

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PACIÊNCIA “Paciência... É a melhor penitência! E sempre será a melhor opção... Mesmo em mudança de direção a seguir! O ser sempre tem que ter paciência... Mesmo numa ação rápida para agir Pois, ter Paciência não significa... Ter moleza no pensar e agir”

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Todos os dias devíamos ouvir um pouco de música, ler uma boa poesia, ver um quadro bonito e, se possível, dizer algumas palavras sensatas. Johann Goethe

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AINDA HÁ ESPERANÇA Assim era meu coração, inquieto, ansioso, mas ao mesmo tempo protegia dentro de si a esperança de poder em algum dia te reencontrar. Os dias passam e lembranças vêm em minha mente assim como as ondas vem ao mar. O passado insiste em trazer recordações que me nego aceitar. Por outro lado, sentimentos fortalecem em mim o desejo de te amar. O que fazer? Me entregar seria a solução? Mas, e em você? Como em ti esse sentimento também despertar? Procurei mil razões para lhe mostrar que sem ti meu coração não viverá. Entre altos e baixos, rios e abismos ao teu encontro ele irá; e quando tiveres distraído eles se tornarão um só, selando por fim o amor do qual tanto venho a preservar.

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PEQUENA FLOR A que lhe devo esta honra em meu jardim vir desabrochar? Permita-se ser tocada por um beija-flor assim que o dia clarear; e quando mais tarde vier a chuva, não se esconda em meio às suas entranhas; deixe abrir de ti a mais singela pétala onde a doce e serena gota há de vir lhe acalentar. Aos espinhos, conceda-lhes o livre arbítrio e, mesmo que vier machucar alguém, não os amedrontem, pois mais cedo ou mais tarde hão de ensiná-los o verdadeiro sentido de se ter persistência e fortaleza em meio a tantos NÃOS que a vida lhe impuser. Peço-te que deixe o sol, a ilha ou o farol, a praia... Onde chegar sua essência, deixe-a exalar até no mais íntimo de meu ser onde quer que eu esteja, e assim, só assim saberei o tempo certo para voltar a lhe ver.

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AH, MENINA Se tu soubesses o quanto me fascina. Teus sentimentos são tão puros quanto a bondade que há em teu coração. Se tu soubesses o quanto teu olhar reluz quando se cruza com o meu, e como o meu coração palpita ao ouvir o teu. Ah, menina! Se tu soubesses como meu corpo para no tempo ao te ver passar, e a cada sorriso teu posso sentir a felicidade que há por trás dele sem você precisar falar. Ah, menina! Como eu queria poder fazer parte do teu mundo e então poder te mostrar a beleza que teu ser é por dentro e por fora. Mas afinal, o que me impede? Ah, menina... se tu soubesses!

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O POETA QUE AMA O poeta que ama, ama pra valer Ama por inteiro e sem perceber; O poeta que ama, ama até o fim Ama ele, ama você e ama a mim; O poeta que ama, ama de verdade Ama com promessas, com juras e com sinceridade; O poeta que ama, ama até o infinito Ama o céu, a lua e o encanto do teu sorriso; O poeta que ama, ama até a eternidade Pois se não amar assim, não é poeta de verdade.

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A NOITE A noite tem como companheira a lua e as estrelas, tem também o céu que mesmo sendo infinito, clareia em noites de lua cheia. A noite tem como amiga a brisa que sendo meiga e fria, traz consigo a paz e a harmonia. A noite tem as promessas dos eternos apaixonados, que sempre terminam com um beijo delicado. Tem também a saudade dos amores escondidos e a lágrima de um amor impossível, que acaba sendo destruído. Por fim, a noite tem o silêncio que faz você pensar em tudo que está acontecendo, agradecer a Deus por esse momento e esquecer os sofrimentos.

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