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CAPITU

AMOR SEM CENSURA A BUSCA DA COMUNIDADE LÉSBICA POR ESPAÇO DENTRO DO AUDIOVISUAL BRASILEIRO

DEZEMBRO DE 2020 EDIÇÃO Nº 1 R$12, 00

CINEMA DE BOLSO OS MELHORES CURTAS PARA CONFFERIR NESSA QUARENTENA

ECONOMIA CONFIRA OS IMPACTOR DA PANDEMIA NO AUDIOVISUAL BRASILEIRO

REVISTA

NESTA EDIÇÃO...

03 ARTIGO: ENTRE OUTRAS MIL, ÉS

CAPITU REDAÇÃO ARTIGO WALLACE ALMEIDA VIVAS 918102176 6º SEMESTRE NOTÍCIA JOÃO VICTOR PAIVA 918112910 6º SEMESTRE NOTÍCIA - ECONOMIA REDAÇÃO, REVISÃO E ENTREVISTA

GABRIELA RAMOS 918104214 6º SEMESTRE COLABORADORA

ERIKA MENDES LIMA 920205150 1º SEMESTRE RESENHA E CINEMA DE BOLSO VINICIUS LIRA 918114769 6º SEMESTRE

TU, BRASIL!

O debate sobre a desvalorização do cinema nacional ante a preferência de obras internacionais no país

04 CINEMA DE BOLSO: CURTAS BRASILEIROS

06 RAIO-X: HEBE - A ESTRELA DO BRASIL

08 AMOR SEM CENSURA! A BUSCA DA COMUNIDADE LÉSBICA POR ESPAÇO DENTRO DO AUDIOVISUAL BRASILEIRO

RAIO-X GIOVANNA MACEDO 918105569 6º SEMESTRE

DIAGRAMAÇÃO, PROJETO GRÁFICO E IDENTIDADE VISUAL GIOVANNA MACEDO REVISÃO GERAL, ANÚNCIOS CHARGE E PASSATEMPOS VINICIUS LIRA CORPO DISCENTE PRODUÇÃO GRÁFICA E EDITORIAL ALINE ANTUNES REPORTAGEM E EDIÇÃO ADRIANO MIRANDA TEORIA DO JORNALISMO RICARDO CORREIA GÊNEROS JORNALÍSTICOS RENATO VASBIH

10 O CENÁRIO DA DUBLAGEM

BRASILEIRA NA PANDEMIA

12 ECONOMIA E não sobrou nenhum: Os impactos do coronavírus no mercado audiovisual 01

16 EM CENA: BENZINHO Como Karine Teles e Gustavo Pizzi conseguiram retratar perfeitamente uma família classe médiawh-baixa brasileira em apenas uma hora e trinta e oito minutos.

ENTRE EM CONTATO: DEZEMBRO, 2020 UNINOVE, MEMORIAL -SP MATUTINO AGÊNCIA YORKTOWN [email protected]

18 PASSATEMPOS

DEZEMBRO 2020 | CAPITU

REPORTAGEM - ´PRINCIPAL GABRIELA RAMOS

CIGANA, OBLÍQUA & DISSIMULADA. Caro leitor, Analisando o ano de 2020 de longe, podemos chegar à conclusão que a única coisa que deu completamente certo foram as Leis de Murphy. Tudo o que poderia dar errado, deu errado e sempre que parecia melhorar, piorava. Ainda assim, enfrentamos e chegamos ao seu último mês mais ou menos sãos e salvos. Para uma retrospectiva diferente, confira anossa matéria na sessão de economia sobre os impactos do COVID-19 no mercado audiovisual brasileiro, assim como também uma discussão a parte voltada para como ficou o setor de dublagem no Brasil durante esse período remoto. Veja também um aprofundamento ao redor da representação lésbica na dramaturgia brasileira, onde mesmo após tanto avanço social e acesso à informação, a luta por respeito, reconhecimento e representação digna perdura até os dias de hoje. Para nos ajudar na construção dessa narrativa, conversamos com mulheres lésbicas que consomem conteúdos midiáticos voltados para a comunidade LGBTQIA+, além de um disclaimer sobre a literatura sáfica e o termo “Siga Bem Caminhoneira”. Ainda nessa edição, uma reportagem dissecando o filme Hebe: A Estrela do Brasil e uma resenha do delicado longa Benzinho, de Gustavo Pizzi, em que se fala sobre uma mãe caindo aos pedaços junto de sua casa após descobrir que seu filho terá de se mudar. No artigo de opinião, um debate sobre a expressão “complexo de vira-lata”, de Nelson Rodrigues, e como ela se aplica perfeitamente à realidade em que se expõe o povo brasileiro para com as nossas obras. Nessa edição de estreia, queremos manter seus olhos de cigana oblíqua e dissimulada bem abertos.

Um cheiro,

Revista Capitu

CAPITU

ARTIGO

Entre outras mil, és tu, Brasil! O debate sobre a desvalorização do cinema nacional ante a preferência de obras internacionais no país Por Wallace Almeida Imagem retirada do site Adoro Cinema

Babenco, 2003) elevaram a nossa arte e ampliaram sua audiência a nível internacional – Cidade de Deus foi considerado

como

o

filme

latino-americano

mais

importante dos últimos anos e Fernanda Montenegro foi indicada ao Oscar como Melhor Atriz por Central do Brasil. Mas mesmo com todo esse repertório, nosso cinema ainda é internamente mal visto, fazendo com que tenhamos pouco ou nenhum tipo de investimento para a produção de mais obras. Essa falta de incentivo vem diretamente do nosso governo, que nem se preocupa em esconder sua falta de interesse numa formação cultural Fernanda Montenegro e Vinicius de Oliveira Jesus em "Central do Brasil"

E

m 1950,após a seleção brasileira sofre uma derrota para a seleção do Uruguai no final da copa

rica para o país. Um exemplo disso ocorreu durante uma coletiva de imprensa em julho do último ano, onde o atual presidente

Jair Bolsonaro fez um pronunciamento dizendo que, se a do mundo, Nelson Rodrigues cunhou uma expressão que Ancine (Agência Nacional do Cinema) não tivesse filtros, consegue por sua vez continuar atual: complexo de vira-lata. ele tinha a pretensão e acabar com o órgão. A partir disso O dramaturgo assim definia a inferioridade em que o brasileiro se coloca por vontade própria em face do resto do mundo, como um “narciso às avessas, que cospe na própria

tomamos conhecimento de que a Ancine tem a função de fiscalizar as obras, e não financiá-las.

imagem”. Essa ideia de que a nossa cultura é inferior à de

Mas todos sabem que a única intenção dele ao tentar

outros povos está tão enraizada que reflete diretamente no

acabar com o programa era para evitar dar dinheiro para a

reconhecimento

cultura, o que chega a ser irônico, já que essa indústria

e

valorização

de

nossas

expressões

artísticas.

gera boa parte da economia nacional. Além de tudo, vale a

Esse comportamento pode ter começado a aparecer por

pena lembrar que no mesmo ano do pronunciamento o

contada grande repressão que acontecia durante o período denominado “Era da Retomada”, pós Golpe Militar de 1964, onde o cinema havia se tornado uma ferramenta de manifestação e realizava críticas ao governo da época. Cineastas e suas obras sofriam perseguições ao abordarem temáticas de denúncia social, fazendo com que a maioria dos filmes fossem censurados. Porém, com a criação da Globo Filmes no final da década de 1990, o cinema nacional consegue retomar o tempo perdido e

tema da redação do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) foi justamente “A Democratização do Acesso ao Cinema”. Engraçado, não? O cinema brasileiro, assim como qualquer outro mercado do setor cultural, precisa de investimentos que vão desde a sua produção até a sua distribuição, e que a falta desse estímulo faz com que os filmes não tenham uma devida divulgação, tornando a indústria audiovisual brasileira ainda mais invisível. Ou

se torna cada vez mais reconhecido, aonde histórias como

seja, esse é um papel designado ao governo, que deve

Central do Brasil (Walter Salles, 1998), Cidade de Deus

cumprir sua parte com a Lei Rouanet, que tem como

(Fernando Meirelles e Kátia Lund, 2002) e Carandiru (Hector Babenco, 2003) elevaram

função o incentivo à cultura.

CAPITU

ARTIGO

cinema

DE BOLSO

Curtas-metragens brasileiros para aqueles que não querem ficar duas horas vendo um filme

família

Por Vinicius Lira

Q

uando se pensa em cinema, o que vem a nossa cabeça ge-

ralmente são filmes longos e com historias que precisam de muitas camadas para se desenrolar. Com sorte, as vezes aparece um ou outro documentário, mas ainda sim o foco sempre está nas ficções e biografias de no mínimo uma hora e vinte e poucos minutos. O que te esqueceram de avisar é que o Brasil não



serve

DEMÔNIA (2017) DIREÇÃO: FERNANDA CHICOLET, CAINAN BALADEZ COMÉDIA | 17 minutos

SINOPSE: Como já diz o nome, os três atos de uma história tão bem contada que viralizou. No primeiro um segredo absurdo envolvendo traição e calcinha alheia é revelado, no segundo o jornalismo brasileiro entra em ação e no terceiro um meme é eternizado. Basicamente, uma ode ao serviço impecável dos desocupados da internet. NOTA: 5/5

excelência

cinematográfica em longas, mas também

em

curtas-metragens.

Caminhando por entre todos os gêneros, essa passagem direta para um universo com duração de até meia hora pode causar o mesmo ou até mais impacto do que uma obra completa.

Quinze

minutos

de

romance, dez de drama, cinco documental e três de comédia. Os curta-metragens

trazem

uma

imersão rápida e calorosa. Quase como se fosse um shot de cinema. Nessa edição de estreia, a Capitu te presenteia com dez curtas para conhecer melhor essa categoria do cinema brasileiro.

A CULPA É DO NEYMAR (2013) DIREÇÃO: JOÃO ADEMIR COMÉDIA | 11 minutos

SINOPSE: Jair é um pai botafoguense dedicado não só a sua família, como também ao seu time. Túlio é um garoto que, influenciado pelo recente sucesso do jogador Neymar, deixa o Botafogo e passa a torcer para o Santos. A partir daí, a casa dessa família suburbana do Rio de Janeiro vira um campo de guerra... ou de futebol. NOTA: 3,5/5

CAPITU

emocionantes

ARTIGO

ELETRODOMÉSTICA (2005)

A FELICIDADE DELAS (2019)

O PORTEIRO DO DIA (2016)

DIREÇÃO: KLEBER MENDONÇA FILHO

DIREÇÃO: CAROL RODRIGUES

DIREÇÃO: FÁBIO LEAL

DRAMA | 22 minutos

DRAMA, ROMANCE LÉSBICO | 22 minutos

ROMANCE GAY | 25 MINUTOS

SINOPSE: Na década de 1990, uma família composta por uma mãe e seus dois filhos vive em uma casa repleta de eletrodomésticos supérfluos capazes de fazer muito barulho. Numa tarde qualquer, eles comemoram a chegada de mais um.

SINOPSE: Depois que a polícia tenta acabar com uma manifestação pacífica, a Marcha Mundial das Mulheres do 8 de Março, Ivy e Tamirys acabam se encontrando por acaso e fogem juntas. Abrigadas em um prédio abandonado do centro da cidade, entre o silêncio que reina, o sentimento entre elas nasce, cresce e termina – literalmente – em uma avalanche.

SINOPSE: Depois de muitos olhares por entre os “bom dias” e “boas tardes”, o jovem Marcelo investe em Márcio, o porteiro do prédio em que mora. Dois mundos se colidem juntos dos dois corpos igualmente sedentos pela mesma coisa. P.S.: o porteiro assiste a SensiMárcia e tem Grimes no fundo de algumas cenas.

NOTA: 3,5/5

alternativos

NOTA: 5/5

NOTA: 4/5

BABÁS (2010)

ANTES DE ONTEM (2019)

VINIL VERDE (2004)

DIREÇÃO: CONSUELO LINS

DIREÇÃO: CAIO FRANCO

DOCUMENTÁRIO | 20 MINUTOS

DIREÇÃO: KLEBER MENDONÇA FILHO

DOCUMENTÁRIO | 6 MINUTOS

TERROR, SUSPENSE | 22 MINUTOS

SINOPSE: “Babás” é um curtadocumental autobiográfico onde Consuelo Lins narra alguns acontecimentos de sua infância classe media alta rodeada por mulheres pobres que cuidavam dela e de seus irmãos. Este serve como o início de um debate que mede a quantidade de afeto, racismo, amor e elitismo que existe nessa profissão tão antiga.

SINOPSE: Conhecido na internet por não mostrar o rosto, Caio Franco abre o álbum de fotos da sua infância e se expõe da maneira mais delicada e direta que existe. Narrado como se fosse um áudio para a sua vó, ele conta sua descoberta como pessoa preta.

SINOPSE: Em uma tarde bucólica, uma mãe presenteia sua filha com uma caixa de discos de vinil com músicas infantis. A única ordem dada era para que ela não escutasse o disco verde. Quando sua mãe sai para o trabalho, a menina desobedece as ordens e escuta justamente o disco proibido, resultando em uma sequencia de acontecimentos estranhos.

NOTA: 4/5

NOTA: 4/5

NOTA: 4,5/5

H RAIO-X

O FILME QUE HOMENAGEOU A HISTÓRIA DA APRESENTADORA MAIS QUERIDA DO PAÍS E FEZ SUA LEMBRANÇA BRILHAR NAS TELONAS DO CINEMA EM 2019

Por Giovanna Macedo

D

o anonimato como moradora de

Taubaté, cidade interiorana paulista, para cantora na Rádio Tupi até a conquista do título de Rainha da Televisão Brasileira. Foi desta forma que a atriz e apresentadora Hebe Camargo consagrou um espaço inestimável na história da mídia nacional, transformando os palcos de seus programas em lugares nos quais a identificação dos espectadores com as histórias ali apresentadas fosse de um caráter tão primordial quanto a disseminação de informações. Em meio aos “gracinhas”, Hebe confrontava autoridades. Rosas eram entregues e portas para pautas invisibilizadas eram abertas. Há pouco mais de setenta anos desde o início de sua carreira e sete anos após a sua morte, foi a vez da apresentadora ter uma parte de sua história homenageada nas cinemas. Nesta edição da Revista Capitu, confira o Raio-x de Hebe: A Estrela do Brasil.

Imagem retirada do filme 'Hebe'

RECEPÇÃO DA CRÍTICA

A memória aliada à arte

Em cena, Andréa Beltrão interpreta a apresentadora Hebe em ua nova cinebiografia

Hebe: A Estrela do Brasil chegou as salas de cinema em setembro de 2019 para firmar sua presença na leva de filmes biográficos que vêm se destacado no audiovisual brasileiro nos últimos anos, como é o caso dos indicados ao Grande Prêmio Brasileiro de Cinema, Simonal e Bingo: O Rei das Manhãs. A função de ilustrar uma parte da vida de Hebe Camargo nas telonas, no entanto, foi desafiada pela retratação crível de acontecimentos verídicos e o ficcional quase glorioso, que tenta sobrepor condutas reais da apresentadora. Para a crítica, a representação de uma Hebe politizada, atenta a comunidade LGBTQI+ e audaciosa ao lidar com o poder público e declarações polêmicas, confronta a Hebe real, determinada, não pelo espírito revolucionário, mas pela persistência em defender seu

próprio espaço e direito de expressão. A princípio, havia o receio de que as diferenças físicas entre Hebe e Andréa Beltrão pudessem estragar a experiência do espectador ao ser apresentado a uma personificação da comunicadora, mas tal aspecto permitiu que a performance da atriz se centrasse em detalhes marcados pela simpatia e carisma tão presentes na protagonista, garantindo à Beltrão uma indicação na edição de 2020 do Emmy Internacional na categoria de Melhor Atriz.

a u ma um

! a! ha nh acciin g grra

Após alguns meses do lançamento do longa-metragem biográfico nos cinemas, foi anunciado que ‘Hebe: A Estrela do Brasil’ se tornaria uma minisérie exclusiva para assinantes da plataforma de streaming da Globoplay, produção que acabou sendo lançada em dezembro de 2019 e já conta com uma 2ª temporada confirmada. Imagem retirada do filme 'Hebe'

A personagem logo é levada ao seu limite, anunciando, em rede nacional, a sua saída da Band após realizar diversas críticas à emissora em relação aos seus funcionários, decisão que mais tarde a levaria ser convidada para estrelar um programa solo no SBT. O longa também é contrastado pelas relações pessoais da apresentadora, afastando a trama do glamour do show business para substituí-lo pelas adversidades vividas dentro de seu lar graças aos desentendimentos com o seu marido Lélio Ravagnani e as tentativas de Hebe em conciliar sua profissão e o relacionamento com o seu filho.

No filme, Hebe ganha um de seus primeiros bordões: "A gente volta já, já!"

Diferente do filme, a minissérie aborda outros pontos da vida da apresentadora, com episódios ambientados entre os períodos de 1965 e 2012, ano de seu falecimento. O projeto ainda mantém Andréa Beltrão como protagonista, mas conta com a atriz Valentina Herszage como intérprete das versões mais novas de Hebe. Imagem retirada do filme 'Hebe'

A

mbientado na década de 80, Hebe: A Estrela do Brasil traz um recorte da vida da apresentadora Hebe Camargo durante o período de transição para o fim da ditadura militar brasileira e as consequentes mudanças em sua carreira como apresentadora na Bandeirantes. No filme, Hebe (interpretada pela atriz Andréa Beltrão) é construída como uma figura firme diante a censura velada e o ilusório sentimento de liberdade imposto na mídia nacional, mas não ilesa aos constantes conflitos presentes ao redor de sua imagem como profissional e – principalmente – como mulher.

P R O D UREVISTA Ç Õ E SCAPITU DERIVADAS

De Dercy Gonçalvez ao grupo Menudo, o longa registra convidados que fizeram história no programa da apresentadora

PREMIAÇÕES Em setembro deste ano, o longa teve duas indicações na tradicional premiação audiovisual do país, o Grande Prêmio Brasileiro de Cinema, sendo selecionado para concorrer nas categorias de Melhor Atriz e de Melhor Maquiagem, as quais eram representadas pela atriz Andréa Beltrão e pela maquiadora Simone Batata, ambas vencedoras. O Grande Otelo – nome alternativo da premiação – é realizado anualmente desde 2002 e sediado originalmente no Theatro Municipal Rio de Janeiro.

VIVA A DIFERENÇA FOI A PRIMEIRA MALHAÇÃO EM 22 ANOS A RETRATAR UM CASAL LGBTQI+

LIMANTHA, APELIDO DA RELAÇÃO DE LIA E SAMANTHA, FOI O CASAL LGBTQI+ COM MAIS BEIJOS NA HISTÓRIA DA TV ABERTA.

AMOR SEM

CENSURA!

SIGA BEM CAMINHONEIRA: A BUSCA DA COMUNIDADE LÉSBICA POR ESPAÇO DENTRO DO AUDIOVISUAL BRASILEIRO Por Gabriela Ramos

D

entro e fora das telas do cinema e televisão, a falta de persona-

Muitas enxergar

vezes

quando

uma

conseguimos

personagem

bem

é

construída e que não se encaixa nesse

assustadora. Mesmo após tanto avanço e

padrão, ainda somos entregues a um final

uma

trágico ou mal resolvido. Um exemplo

lidades

lésbicas extensa

ainda luta

em por

2020

respeito,



reconhecimento e representação, ainda ainda existe uma reafirmação antiquada ez

internacional disso é em Freeheld

do estereotipo da mulher bruta e com

um casal lésbico composto por Laurel

trejeitos da performance masculina de

Hester (Julianne Monroe) e Stacie Andree

agir – um exemplo disso é o que acontece

(Elliot Page). Laurel descobre uma doença

em diversas novelas que passam no

terminal e luta contra as autoridades que

horário nobre, onde tais personagens

não

continuam sendo extremamente caricatas.

homoafetivo para que Stacie receba os

No cinema, mesmo com muitas obras que

benefícios de sua pensão após a sua

retratem

protagonistas

homossexuais,

quando um filme não fala especificamente sobre a temática LGBTQ+, essas figuras voltam a cair no clichê pré-estabelecido pela mídia sobre o que é ser uma mulher lésbica.

Amor e Justiça (Peter Sollett, 2015), onde

reconhecem

um

relacionamento

morte. Esse tipo de construção de história se mostra o exato oposto da literatura, que tem um gênero especifico para esse tipo de narrativa chamada “literatura sáfica”, com esse termo originado de Sappho/Safo, que era o nome de uma poetisa grega conhecida por seus poemas

CAPITU

REPORTAGEM

poetisa grega conhecida por seus

conseguem se reconhecer como

pode ser encontrada no catálogo do

poemas sobre amor entre mulheres.

parte da comunidade. Essa ação traz

Com o tempo e evolução da forma

a urgência de uma reação, que é a

GloboPlay.

como a mídia constrói narrativas, a

inevitabilidade

necessidade de ter uma figura que

positivas na frente de grandes obras

possa

histórias

– seja na frente ou atrás das

DIRETO DAS TELONAS

audiovisual

câmeras –, transmitindo assim os

nacional se torna maior, já que

anseios e desejos que uma pessoa

também cada vez mais pessoas

LGBTQ+ sente.

O amor de Lota e Elizabeth em Flores Raras, de Bruno Barreto

representar

homossexuais

no

de

ter

figuras

lllllllllll

Imagem retirada do filme 'Flores Raras'

TEMPO DE MUDANÇAS

Arquivo Rede Globo

Com a popularização do serviço de streaming, novas possibilidades nasceram

Graças as perfomances exemplarem em tela, 'Flores Raras' foi cogitado para conorrer o Oscar de 2014

O

utro grande sucesso que conta com um grande elen-

é Flores Raras (Bruno Barreto, 2013), que recebeu diversas indicações ao Grande Premio Do Cinema Brasileiro, além

de

ter

sido

aprovado

em

festivais estrangeiros, tendo uma bela recepção pela crítica. Na trama, a Na foto, as personagens de Malhação: Vidas Brasileiras: Lica, Benê, Tina, Hellen e Keyla

O

acesso à tecnologia e a cres- visto que ele seria cortado caso a cente demanda de canais de reação fosse contrária – como streaming nos trouxe mais aconteceu com outras tramas em

poetisa americana Elizabeth Bishop (Miranda Otto) se apaixona pela arquiteta brasileira Lota de Macedo Soares (Glória Pires) no Rio de Janeiro dos anos 1950. Imagem retirada do filme 'Flores Raras'

produções brasileiras que tenham produções da Rede Globo. mulheres lésbicas na liderança. Um Mas sendo ou não por mídia, o exemplo recente disso foi Malhação: Viva a Diferença (Cao Hamburger, grande sucesso de Hamburger lhe

2017/2018), em que a personagem rendeu 5 honrarias em diferentes Lica, uma das protagonistas, teve um premiações, incluindo o Emmy relacionamento com sua colega de Internacional de melhor Série em classe

que

perdurou

até

o

No filme, a personagem Elizabeth se apaixona por Lota, arquiteta brasileira, em sua primeira vinda para o Brasil

2019. Além disso, as protagonistas

encerramento da novela.

ganharam um spin-off que estreou

Claro

envolvimento

em novembro deste ano chamado As

Ainda que essas obras existam e

duradouro foi resultado de um

Five, contando os próximos capítulos

tenham

retorno positivo dos espectadores,

da vida das cinco amigas. A série

extremamente positivo no público, o

pode ser encontrada no catálogo do

investimento de grandes produtoras

que

esse

conquistado

um

retorno

CAPITU investimento de grandes produtoras

A história, que é baseada em fatos

em criar obras com narrativas sáficas

reais, coincide com o nascimento

é minúsculo, enquanto fórmulas para

da Bossa Nova e da construção e

romances entre homens gays são

inauguração da capital Brasília.

repetidas diversas vezes.

REPORTAGEM

Em

Lésbicas

e

Bissexuais

em

Narrativas Adolescentes: Um Olhar Feminista Sobre Produções Seriadas para

TV

e

Internet,

um

artigo

publicado pela FURG (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), discute sobre a ausência de mulheres

Imagem retirada do filme 'Flores Raras'

lésbicas, bissexuais e transexuais em produtos midiáticos do audiovisual, mencionando Nádia Nogueira e seu livro "Elisabeth Bishop e Lota de Macedo Soares” (2008). Essa inclusão ainda é escassa e tais temas

não

são

discutidos

como

deveriam – mesmo com esse público se

mostrando

cada

vez

mais

interessado em buscar identificação em tais produções. Toda luta por uma representação digna nunca vai ser Miranda Otto e Glória Pires vivem casal apaixonado em 'Flores Raras'

demais e o caminho pode parecer muito longo, mas são altas as apostas para que a mudança seja constante e

TEMPO DE MUDANÇAS

ligeira. É preciso deixar de lado

Com a popularização do serviço de streaming, novas possibilidades nasceram

representação

U

m levantamento feito pela

pela 8ª SAU, diz que no decorrer da

revista um Mundo Estranho,

história do cinema, existe uma

com dados dos sites Memória Globo e Teledramaturgia, mostra a porcentagem que alguns personagens da comunidade LGBTQ+ é visto na televisão: mulheres lésbicas possuem apenas 15,5% e visibilidade, ficando na frente apenas de personagens transexuais, com 7,8%.

ausência de representabilidade de

E considerando que, de acordo com o levantamento de 2007 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 5,1% das mulheres com mais de 18 anos são homossexuais ou bissexuais, esse número ainda é muito pouco.

sexualidade da protagonista, visto

Em um trecho do artigo Final Feliz Para Lésbicas, publicado em 2019 pela 8ª SAU

um personagem ou casal lésbico, deixando para o público a missão de

aquele velho pensamento de mais para

uma

classe,

significa menos para a outra.

onde assistir:

identificar se na obra existe ou não tal personagem. No clássico filme Xena: A Princesa

flores raras now

Guerreira (Robert Tapert, 1995), os fãs sempre especularam sobre a sua proximidade com a personagem Gabrielle, mas nada nunca foi de fato confirmado ou não. Esse fato

malhação 'viva a diferença' transmitida pela rede globo

comprova que, para um casal sáfico acontecer, muitas vezes isso precisa partir apenas da imaginação do público.

as five em breve na globoplay

CAPITU

NOTÍCIA

"I LOVE YOU QUER DIZER MORENA EM FRANCÊS" Distante do microfone, trabalhos de dublagem são feitos

como: microfones, fones de ouvido, salas acústicas e os textos. E como esse contato de

praticamente

dubladores

remotamente e estúdios se adaptam ao ‘novo normal’

o

todos

os

risco

de

contagio é alto, daí veio a medida de fechamento dos

Por João Victor Paiva

C

dividem os materiais, tais

estúdios. Mas é bom ressaltar que os dubladores não são

om a situação pandêmica ao re-

atividades. Desta forma, mais de

contratados

dos

estúdios,

dor do mundo, diversos profissi- trinta estúdios de dublagem que tiveram que ser fechados só em São onais precisaram encontrar novas Paulo por recomendações do formas de continuar atuando. Para o

eles são freelancers e por

setor de dublagem, não foi diferente, e

Agora, aparentemente com o

Ministério da Saúde. Mas como o

essa

mercado de dublagem é um dos

situação é adaptação.

mais lucrativos do Brasil, e isso

Se

peças

porque conforme os anos foram

a

palavra você

chave é

para

apaixonado

toda por

audiovisuais e não se contenta só em apreciar

aquela

obra,

mais

precisamente falando de um filme,

passando

o

mercado

do

entretenimento começou a crescer cada vez mais.

isso o mercado não ficou 100% paralisado.

índice estabilizado nos novos casos do COVID-19, algumas produções

voltaram

de

maneira presencial, mas com a novidade que o dublador pode optar qual é o melhor

série ou até mesmo um game, e Imagem divulgação

jeito para trabalhar, sendo

sempre game, see pergunta semprecomo se funciona a tradução como pergunta dessa como obra, funciona a é feito a

em casa ou indo ao estúdio. E muitos optam por voltar ao

dublagem de todos esses segmentos, é tradução dessa obra, como importante se ter em mente que todo é feito a dublagem de todos

estúdio, pois lá o controle de direção é diferente e mais

dublador precisa ser ator, uma vez que esses segmentos, é tal técnica é uma atuação na qual o importante se ter em

ágil, sendo assim mais fácil de finalizar uma produção.

profissional demonstrar todo o mente que precisa todo dublador seu potencial apenas por meio de sua precisa ser ator, uma vez voz, sem o público ver quem está por técnica é atuação uma na qual que taltaltécnica é uma trás. na qual oatuação ator tem que omostrar todo o seu

Visto

potencial só através da sua voz, sem o

precisavam

ter

os outros teve que se adaptar

público ver quem está por trás.

contato com outras pessoas para

para continuar atendendo a

está por trás o cenário da dublagem No entanto,

executar um projeto, o mercado

demanda do entretenimento,

precisou se adaptar e, aos poucos,

e

retornou com as atividades. Sendo

pandemia ainda não passou,

passou por mudanças consideráveis graças

a

pandemia

global

de

coronavírus, principalmente, pela falta de filmes em produção, o que acabou impedindo fossem

que

conteúdos

encaminhados

dublados.

Com

permaneceu produções

que

novos

como

obrigado atividades

a

audiovisual brasileiro

que

os se

profissionais

deslocar

gradativamente

e

de

e

maneira

remota, muitos dubladores optaram por trabalhar em casa, assim cada ator começou a receber o material

para

serem

para

tal

nicho

mesmo tendo muitas vezes que

funcionando

com

isso, já

estavam

em

andamento mas pouco tempo depois assim

Na foto, Wendel Bezerra, dublador de grandes sucessos do

outros

setores

interromper

-

foi suas

estarem

atuando

de

casa

improvisar um estúdio caseiro. No começo, os trabalhos foram paralisados

por

conta

que

um

processo de dublagem é algo muito coletivo, dividem

muitos

dubladores

De

maneira

presencial,

o

remota

ou

mercado

de

dublagem assim como todos

vale

lembrar

que

a

então todas as normas de distanciamento sendo

continuam

respeitadas

nos

estúdios para a saúde de ninguém seja comprometida enquanto vivemos algo único que é toda essa situação causada pela pandemia.

ECONOMIA

CAPITU

NOTÍCIA

E NÃO SOBROU NENHUM: OS IMPACTOS DO CORONAVÍRUS NO MERCADO AUDIOVISUAL Além de danos econômicos, a pandemia também foi responsável pela mudança no calendário de estreias nacionais e internacionais Por Gabriela Ramos & Erika Mendes

D

filmes teve de epois da notícia que uma doença perigosapessoas através doser adiada, assim como as gravações e a póspassou a afetar milhares de pessoas ao reprodução, que foram interrompidas. De acordo com o site

dor do globo desde sua descoberta no último ano, a

Instituto do Cinema, filmes como Missão Impossível 7,

COVID-19 tem mostrado que nada é fixo, e que tudo,

Viúva Negra e a nona parte de Velozes e Furiosos 9 tiveram

seja por bem ou por mal, precisa se reinventar. Mas não

sua estreia adiada indefinidamente no primeiro semestre

é necessário entender do assunto para perceber os

do ano, visto que ainda não tínhamos uma dimensão de

efeitos negativos gerados pela pandemia na indústria do

quando tudo iria se normalizar.

entretenimento. Esse setor que já é normalmente prejudicado

precisou

segurar

firme

para

não

desaparecer de um dia para o outro. Desde o momento em que foram decretadas as medidas de proteção do Ministério da Saúde, onde todos teriam que ficar em distanciamento social, o fluxo de frequentadores despencou. No início era zero, visto que estava proibido acontecer qualquer atividade que não fosse essencial – como hospitais, supermercados e farmácias. Meses depois, certos estabelecimentos voltam a abrir enquanto a parte cultural continuou congelada. Com a chegada do coronavírus, a indústria audiovisual foi muito prejudicada, perdendo cerca de R$ 1,1 bilhão de reais. No cinema, por exemplo, a estreia de muitos filmes

CENÁRIO NO BRASIL Como já era de se esperar, tal problema também afetou a televisão. Novelas precisaram ser interrompidas na metade, programas de TV com auditório passaram a exibir reprises

e

gravações

foram

adiadas

por

tempo

indeterminado – esses também passando a reprisar programas que já tinham ido ao ar. Um dos cancelamentos que mais causou comoção no público, principalmente na internet, foi a da novela Amor



de Mãe (Manuela Dias, 2019 presente), que estava com um bom desempenho de audiência durante sua exibição inicial. Após ser interrompida, Fina Estampa (Aguinaldo



Silve, 2011 2012) e A Força Do Querer (Pedro Vasconcelos, 2017) entraram em seu lugar. Como essas produções exigem uma equipe grande e que transite em um mesmo ambiente – como set de filmagens, setor de edição, maquiagem, entre outros – a perda foi significativa.

SUSPENSA NO INÍCIO DA PANDEMIA, A NOVELA 'AMOR DE MÃE' RETOMOU SUAS GRAVAÇÕES EM AGOSTO, COM SUA EXIBIÇÃO PREVISTA PARA MARÇO DE 2021

CAPITU Segundo

à

(Associação

NOTÍCIA

ANESP

inteligência integrada e dados,

maior permanência das pessoas em

Nacional

serviços de streaming cresceram

usando

em

26,6% só na América Latina. No

antigas para ocupar o tempo que

e

Brasil, o Telecine Play registrou

ficou

Gestão Governamental),

um crescimento de 400% em

Inclusive, muitas produções novas

cadastros

e

se iniciaram após um tempo da

assistidos

desde

Especialistas

Políticas

Públicas

5,2 milhões de pessoas 5,2 milhões de pessoas e mais de 300e mais de cultural. 300 mil mil empresas atual no setor empresas atual no Após a paralisação, estima-se que o setor cultural. prejuízo foi de R$ 11,1 bilhões em três

quarentena.

100%

em

o

filmes

início

da

Isso se deu pela

de

produções

novas

repentinamente

e

vago.

pandemia, visto que a busca por novos conteúdos aumento.

maior Arquivo Rede Globo

dos

meses; causando um efeito cascata: a cada R$ 1 milhão perdido, R$ 1,6 milhões são perdidos na economia como um todo, e a cada cinco empregos perdidos no setor, mais um é perdido em setores correlatos. Essa é uma falta gigante para esse serviço que precisa tanto de muitas mãos para acontecer. Um exemplo internacional disso, foi a série norte-americana The Society (Christopher Keyser, 2019), do serviço

de

streaming

Netflix.

Estrelada por astros como Juliana Paes, Paola Oliveira e Rodrigo Lombardi, 'A Força do Querer' foi a escolhida para substituir 'Amor de Mãe', na Globo

Uma

segunda temporada foi prometida para os

O DISTANCIAMENTO QUE APROXIMA

fãs, mas, devido a pandemia, teve der ser

Pelas redes sociais e outros canais, celebridades e figuras públicas aliaram-se aos meios remotos como recurso de divulgação e entretenimento

adiado para seguir às recomendações da OMS. Depois de alguns meses, a Netflix decidiu

cancelar

a

série

sem

uma

conclusão correta.

MUDANÇAS POSITIVAS Como o "novo normal" compensou os desfalques causados pelo vírus Ainda

assim,

as

medidas

de

Muitos artistas também se benefi-

arrecadação de fundos online com

ciaram desse distanciamento para

certos

que se aproximar do público de

apoiadores.

formar alternativas. Recorrendo a

Foi preciso muito jogo de cintura

transmissões ao vivo em suas

para manter o setor cultural vivo

redes sociais, seja para fazer

nesse período onde antes já não

divulgações de seus trabalhos já

existia o incentivo do governo para

distanciamento social trouxeram certos

existentes

benefícios

para

e

profissionais faziam até parcerias

integrantes

da

audiovisual.

com outros colegas de profissão

Grande parte da população começou a

para gerar mais engajamento em

consumir

suas plataformas e se manter

ainda

reproduzido

na

alguns

setores

indústria mais internet

o

conteúdo através

de

plataformas online como Netflix, Amazon Prime, Youtube e, claro, as redes sociais.

ou

atuais,

os

presentes na rotina dos fãs. Vale dizer que muitos desses artistas usaram o seu alcance para

De acordo com uma pesquisa feita pela

ajudar

Conviva, uma empresa especializada em

empregos, criando campanhas de

lll

aqueles

que

perderam

incentivos

para

atrair

que ele continuasse de pé. E mesmo com tantos baixos e baixos durante esse período remoto que ainda estamos enfrentando, o mercado

audiovisual

conseguiu

encontrar novos meios para se regenerar até que tudo volte a ser como antes – ou pelo menos parecido com o que era.

CAPITU

RESENHA

Benzinho

Um filme filho da mãe!

COMO KARINE TELES E GUSTAVO PIZZI CONSEGUIRAM RETRATAR PERFEITAMENTE UMA FAMÍLIA CLASSE MÉDIAWH-BAIXA BRASILEIRA EM APENAS UMA HORA E TRINTA E OITO MINUTOS. Por Vinicius Lira

e fosse possível ilustrar a expressão "sofrer por antecedência" com imagens, o filme Benzinho (Gustavo Pizzi, 2018) seria ideal para fazê-lo. Irene (Karine Teles) é uma mãe de família e trabalhadora autônoma que, como boa integrante da classe, precisa lidar com problemas financeiros e familiares com pouquíssimo recurso e muita agilidade. Após seu filho mais velho Fernando (Konstantinos Sarris) receber um convite para jogar handebol na Alemanha, além de ter uma casa caindo aos pedaços, uma irmã com problemas pessoais, um marido irredutível e outros três filhos que provavelmente não estão recebendo a devida atenção, agora ela precisa se acostumar com a ideia de que ficará longe do seu “benzinho” mais precioso.

O roteiro foi desenvolvido pela atriz cômoda a quantidade de Karine Teles e seu ex-marido, o semelhanças com a realidade. E, diretor do filme, Gustavo Pizzi, por mais que uma mãe a beira de contando também com Adriana nervos por ter que sustentar o Esteves e Otávio Müller no elenco. peso de todos os problemas da Benzinho foi o longa nacional mais casa – incluindo a estrutura da premiado de 2018, com 20 prêmios ao mesma – não pareça ser um tema total – incluindo a vitória de 6 das 8 interessante o suficiente a ser categorias em que foi indicado no desenvolvido, se torna impossível Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, tirar os olhos da tela. além de ter recebido algumas honrarias em festivais internacionais também. Esse sucesso provavelmente se deu pela verdade que ele carrega em sua estrutura narrativa. A rotina da família se Karine Teles e Otávio Muller vivem marido e mulher apresenta de forma em luta pelo sustento da família. tão orgânica que por vezes chega a ser inImagem retirada do filme 'Benzinho'

S

CAPITU odemos comparar certos aspectos

Imagem retirada do filme 'Benzinho'

P

RESENHA

com o filme Mãe! (Darren Aronofky,

2017), visto que ambas as protagonistas vão se destruindo junto da casa em que moram quando se sentem ameaçadas de al

guma

Um filme que abraça a vida como ela é." - The Hollywood Reporter

alguma forma por estarem apegadas

muito aos

'Benzinho' é marcado pela visão crua e delicada que se é construída a

bens materiais e imateriais que já passaram

por

aquelas paredes.

essência dos lares brasileiros.

N

a realidade, se torna muito Mas é claro que o mérito fácil gostar do filme e criar precisa ser divido por todos,

É claro que Benzinho representa isso de

essa identificação, por ele ser

visto que o elenco foi pontual

uma maneira muito menos figurativa – já

praticamente uma fofoca muito

em

que esse segundo é uma alegoria sobre o

bem contada sobre uma família

nem um pouco caricatos de

ensinamento cristão do primeiro pecado

que está enfrentando uma crise,

seus personagens.

todos

os

maneirismos

das histórias da bíblia –, mas ainda sim

Imagem retirada do filme 'Benzinho'

vale a comparação.

"A HISTÓRIA DE UMA FAMÍLIA TENTANDO SOBREVIVER. UMA HISTÓRIA COMUM. PODERIA SER SUA. UMA OBRA-PRIMA AUDIOVISUAL." - ROTTEN TOMATOES A

atuação

nada

menos

que

divertidos

por

entre

a

Irene, personagem vivida por Kariene Teles, enfrenta a dualidade

perfeita de Adriana Esteves –

discussão principal. O diretor

de seu papel como mãe e o desejo pelo sucesso carreira do filho.

que lhe rendeu dois prêmios de

Gustavo Pizzi talvez venha a

Melhor

Coadjuvante

ser o maior culpado, já que

durante seu ano de estreia –, o

ele conseguiu organizar uma

olhar familiar de Otávio Müller e

obra que, para nós, agora se

o carisma do elenco infantil

tornou

ajudaram a balancear a história,

qualidade quando o assunto é

nos

cinema brasileiro.

É claro que Benzinho representa isso de uma maneira muito menos figurativa – já que esse segundo é uma alegoria sobre o ensinamento cristão do primeiro pecado das histórias da bíblia –, mas ainda sim vale a comparação.

Atriz

presenteando

com

momentos simples, delicados e di

parâmetro

de

PAUSAR, DESLOGAR & RESPIRAR ESTAR ANTENADO NAS REDES SOCIAIS É ÓTIMO, MAS TODO PRECISAM DE UM TEMPINHO FORA DA INTERNET PARA RELAXAR. AQUI NO EM OFF DA REVISTA CAPITU, VOCÊ ENCONTRA AS MELHORES OPÇÕES PARA ISSO.

03

CAÇA-PALAVRAS

AMORDEMÃE ASFIVE BACURAU BENZINHO BINGO CENTRALDOBRASIL FERNANDAMONTENEGRO FERNANDOMEIRELES FLORESRARAS GLOBOPLAY TURMADAMONICALAÇOS

CHARGE

03

EM OFF

PERFORMANCE SECTION

VIRA-LATAS!

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